quinta-feira, 4 de junho de 2009

RESGATES PESSOAIS E HOMENAGEM: ABÍLIO COUTO



Hoje foi encontrado morto o eterno Kung Fu, David Carradine. Ao ver fotos da época em que encarnava o famoso personagem, e as mais recentes, onde era o Bill de Tarantino (Kill Bill), percebe-se a acentuada ação do tempo. Coloco-me a pensar que isso também nos ocorre a todos, em graus diferentes, mas certeiramente vamos envelhecer. Fui buscar em meu precioso baú de recordações dos anos 70, quando me via como sendo o "gafanhoto", o aprendiz do Mestre, e um rosário de recordações mistas me assaltou a mente.
Poxa....tantas coisas aconteciam. Fecho meus olhos e foco meus pensamentos no ano de 73. Comecinho do ano, Emerson recém-coroado campeão, prova da Argentina, um de seus melhores Gps, duelando com as Tyrrell e as vencendo de forma incontestável. GP do Brasil, calorão em Interlagos, só deu a Lotus preta e dourada. A coisa ia bem! Mais corridas, algumas que eu mesmo organizava de bicicletas em volta do Mercadão Municipal de Ourinhos, havia cronometragem, torcida, e até patrociníos. Quanta ingenuidade e quantos sonhos! Na televisão, alguma novela da Globo era omnipresente. Minha tia-avó Chiquita, uma excêntrica senhora ( hoje no alto de seus 97 anos de sabedoria e tiradas irônicas, vive em Americana), passou por Ourinhos e me convidou a ir passar uns dias com ela em São Paulo. Seu endereço eu jamais esquecerei, palco de muitas aventuras (pode ficar tranquilo Mané, eu não conto) : Av. São João, 1.509, apto 42. Pois já em São Paulo, no alto dos meus treze anos de idade, fuçando como um doido os sebos de revistas e livros da região do Largo do Arouche, num belo dia minha tia me diz que eu vou conhecer o mar! Assim, sem mais nem menos, iríamos a Santos no final de semana! Que delícia, pensei, como será o mar, caipiras todos temos essa vontade, conhecer o imenso oceano que povoa nossas imaginações.
Em Santos, vim a conhecer uma figura ímpar, um aparentado de minha avó e pessoa por quem eu me afeiçoei e aprendi a admirar: Abílio Álvaro da Costa Couto, Bilavo para nós, os "íntimos". Sim, ele era um senhor já em seus cinquenta, com uma pose de Lorde, fumando seu cachimbo inglês (hábito que eu imito hoje em dia - segundo a PNL, modelagem), e tendo mil histórias para contar. Pois bem, vou tentar resumir quem era a figura: piloto de avião, trazia aviões voando dos Estados Unidos para revender aqui. Só isso, já o fazia interessante para mim, louco por aeronaves desde sempre. Mas havia mais: ele era o primeiro brasileiro a atravessar a nado o Canal da Mancha, entre a França e a Inglaterra, e o fizera isso diversas vezes. Havia sido 8 vezes campeão mundial de natação em longa distância, sido condecorado por muitas autoridades no mundo afora, entre elas a Rainha Elisabeth da Inglaterra, conhecia o mundo todo.
O Brasil é um país de escassa memória. Acho que está melhorando, mas ainda temos muito a evoluir nesse quesito. A trajetória esportiva de Bilavo está nesse ótimo site:
mas o que eu guardo com muito carinho foi o fato de ele ter me ensinado a nadar! Sim, eu não sabia nadar, e ter tido como mestre um multi campeão mundial, é motivo de orgulho danado, mesmo que eu ainda hoje, seja um nadador apenas regular. Portanto aqui vai minha homenagem áquele homem que nos deixou em 1998, e com quem tive oportunidade de ter longas conversas, sobre cultura em geral, aspectos da vida, sua carreira, que me incentivou quando fui para a Inglaterra tentar a sorte no automobilismo, cuja elegância e "aplomb" eu admirava! Valeu Bilavo!

2 comentários:

Antonio Manoel disse...

O cara
Se vem com estória do tempo do onça, alias foi uma grande viagem aquela....
O melhor era ter alguem pra trocar idéias boas sobre carros ou corridas, enfim sonhar,,,isso faz falta

Abraço
Manoel

Marcos Antônio Filho disse...

que legal a história! não conhecia o bilavo,e agora conheço. Cezar, vc fez a boa ação d emanter a me mória viva de quem vc disse, é um grande homem.