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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

APÓS UM LONGO E TENEBROSO INVERNO, VOLTO A POSTAR

Pretendo aos poucos ir retomando meu ritmo neste espaço aqui, que tanto gosto. O ano foi terrível e devo pedir desculpas aos meus escassos amigos/seguidores. Em férias na escola, vamos tentar manter uma média decente de postagens, se não diárias, semanais. Abraço. Ah, a propósito, começo com estes vídeos do Jim Clark que encontrei no youtube, que são um deleite para alguém na minha faixa, etária, pois para nós, Jim Clark, Graham Hill, Dan Gurney, Jackie Stewart e os outros craques eram apenas fotos em preto e branco nas páginas da Autoesporte ou da Quatro Rodas. Vê-los correr, dar entrevistas, sentir a atmosfera mágica daqueles anos sessenta, não tem preço!

sábado, 6 de outubro de 2012

O outro cara!



Tenho que ser muito subjetivo aqui: vou buscar nos recantos da minha memória a magia daqueles anos que eram inocentes e prometiam muito. O Brasil era o país do futuro e era bom acreditarmos naquilo, pois o presente de então era bem básico mesmo.  Os generais estavam no poder, a imprensa era restrita (lembra algo?), as estradas péssimas, havia muito por fazer em todos os campos.
Na área esportiva, havíamos ganhado há pouco o tricampeonato de futebol no México, evento supervalorizado pela então incipiente Rede Globo e demais veículos de comunicação. Tínhamos um tenista razoável em nível mundial (Thomas Koch),  conquistávamos duas ou três medalhas de bronze nas Olimpíadas, vôlei era apenas uma miragem distantes, e o basquete masculino já havia passado de seu zênite.
Eis que surge, do nada, de quase combustão espontânea um jovem paulistano e se sagra campeão mundial de Formula 1: Emerson Fittipaldi! A glória de Emerson, sua natural habilidade midiática e as dimensões realmente heroicas de seu feito (mais tarde feitos) devem mesmo ser enaltecidas. Mas eu estou aqui para falar de outro cara. O outro cara.
Eu era fã de carteirinha do Emerson, aliás, ainda sou. Ele brilhava intensamente, conquistando vitórias e legiões de seguidores. Então, na esteira deste sucesso surgiram dois escudeiros: seu irmão Wilsinho, excelente piloto, nunca devidamente valorizado e o Moco!
Numa época em que se valorizavam estrangeirismos e nomes pomposos, o “superbrasileiro José (há nome mais tupiniquim que este?). Eu acompanhava a carreira do Moco desde os tempos em que corria de Karman Guia pela equipe Dacon. Ele sempre tímido e reservado, colecionava inúmeras vitórias e boas colocações. De jeito retraído socialmente, era um leão por trás do volante, sempre agressivo e veloz. Eu sinceramente, nunca achei que aquele cara quietão, meio gorducho iria correr na Europa e muito menos, ter o sucesso que teve.
Comecei a notar o Moco mais atentamente quando ele se sagrou campeão de um dos torneios de Formula 3 britânicos, logo em sua primeira tentativa. “Nada mal, pensei”.  Ele e Wilsinho e outros tantos rumaram para a velha Inglaterra para tentar um lugar ao sol (meio contraditório, já que por aquelas bandas o sol é escasso). Fritz Jordan, Luizinho Pereira Bueno (saudoso Peroba), Chiquinho Lameirão, Giu Ferreira, Lian Duarte e muitos mais....
Mas Pace, mesmo em sua humildade, era um piloto diferenciado. Logo chamou a atenção de gente mais qualificada e foi guindado, junto com Wilsinho, para a Formula 2. Uma escolha infeliz de equipe (Pigmee) não mascarou seu talento abundante e já no ano seguinte, 1972, ano da glória de Emerson, ele e Wilsinho ascenderam à categoria máxima, em condições muito mais modestas. Wilsinho pegou uma terceira e velha Brabham, então uma equipe intermediária, com um decadente Graham Hill e um ambicioso e bem financiado Carlos Reutemann como companheiros de equipe.
Já Moco, coitado, foi para uma equipe que se tornaria grande nas décadas seguintes, a Williams, mas que estava em fase inicial e com pequenos patrocínios, com carros velhos e defasados, e pior, que quebravam a um olhar mais duro. Um ano difícil e que, no entanto trouxe alguns pontinhos, muito mais difíceis de obter naquela época onde apenas os seis primeiros pontuavam. Dali, em 1973 foi para equipe do irascível John Surtees, onde penou para acertar um carro veloz, mas que quebrava muito e tinha pneus pouco competitivos. Cansado de sofrer com a personalidade difícil do “Big John’, Moco foi finalmente contratado pela equipe Brabham, já sem Wilsinho (que estava a construir o Copersucar no Brasil) e Hill”. A equipe era toda voltada em torno de Carlos Reutemann, já um piloto vencedor e uma personalidade também difícil.
Com sua atitude franca e honesta, não demorou muito para Pace conquistar a afeição e o respeito dos mecânicos e os bons resultados não tardaram a aparecer. Seu momento de glória foi, claro, no GP do Brasil de 1975, onde conquistou sua primeira e única vitória na Formula 1 defronte sua plateia caseira, em Interlagos, e ainda por cima, com dobradinha com Emerson em segundo. O ano trouxe mais resultados excelentes e já era evidente que apesar de Reutemann estar há mais tempo na equipe, Pace era mais querido e mais veloz. Quando Bernie Ecclestone fez a besteira de assinar um contrato de fornecimento de motores com a Alfa Romeo  em 76, Reutemann, desanimado com os parcos resultados, abandonou o barco e  foi correr na Ferrari, após o acidente de Lauda em Nurburgring. Pace encarou o enorme desafio de liderar a equipe, o desenvolvimento do novo motor e principalmente, manter a motivação em alta. Num esporte de alto nível, a parte psicológica é fundamental para a obtenção de sucesso.
Apesar de ser um superstar, bem pago, primeiro piloto de uma das grandes equipes de Formula 1, Pace nunca deixou de ser o “Moco”, leal aos seus amigos de sempre, e principalmente, muito competitivo como piloto em qualquer tipo de carro. Correu pela Ferrari no mundial de marcas, obtendo uma histórica segunda colocação na prova 24 Horas de Le Mans em 1973 ao lado de Arturo Merzario. Voltava com frequência ao Brasil e aqui competiu contra os melhores, e venceu, em carros iguais, os inesquecíveis Maverick V8, preparados pelo velho amigo  Greco. Piloto de Formula 1, estrela, bem pago, era no entanto aqui no meio dos seus que ele se sentia mais feliz.
Quis o destino em seus inexplicáveis desígnios, que nosso Moco partisse em maio de 1977, quando finalmente o pesado Brabham Alfa que ele penosamente desenvolveu ao longo da temporada de 1976, estava em ponto de bala. Moco faleceu num acidente de avião, junto com seu amigo de longa data Marivaldo Fernandes. Deixou viúva a bela Elda e os filhos pequenos Patrícia e Rodrigo. Viveu pouco, mas foi feliz e deixou a marca do talento, da humildade e da lealdade a seus amigos. As novas gerações teriam muito a se beneficiar em mirar em exemplos como os dele. Hoje seria seu aniversário.....e lá do céu, observando os filhos e a nova netinha Francisca, Moco certamente estará orgulhoso de um legado honrado e vitorioso que nos deixou!

domingo, 8 de julho de 2012

DOMINGUEIRAS


Puta preguiça de escrever uma análise detalhada e coerente sobre a corrida de hoje na Inglaterra. Vou fazer então uma breve resenha para não desapontar ainda mais os amigos que me cobram uma opinião. O canguru papudo (que a bem da verdade anda bem menos papudo nestes dias) fez um corridão, e quietinho, quietinho, faz um belo campeonato. Parece mesmo que a Red Bull achou uns décimos a mais em seus bólidos e a concorrência que se cuide. Alonso fez a sua costumeira apresentação de gala, com direito a pole position e tudo, mas desta vez as borrachas da Pirelli não o ajudaram. Em terceiro lugar, Sebastian Vettel correu com um campeão, fazendo pontos importantes que podem ajudá-lo o terceiro título consecutivo. Após o azar que o acometeu na Espanha, melhor garantir uns pontinhos e reagrupar as tropas. O quarto lugar de Felipe Massa foi o seu melhor resultado em um longo tempo e a corrida do baixinho brasileiro foi boa, considerando a nova fase de reconstrução de autoconfiança. O quinto lugar de Kimi Raikkonen foi um bom resultado, mas talvez tenha ficado um gostinho de "podia mais" já que os Lotus demonstraram boa adaptação à pista inglesa. Em sexto, Romain Grosjean fez grande prova de recuperação, após ter sido atingido bem no inicio da prova e ter que parar para fazer reparos no carro. Em sétimo e oitavo lugares, dois campeões mundiais, Schummy e Hamilton. A Mclaren parece ter pedido um pouco o ritmo ultimamente e seu outro piloto, o também campeão Jenson Button andou no meio do pelotão e terminou num discretissimo décimo lugar. Em nono, o outro brasileiro, Bruno Senna que fez uma apresentação burocrática, ao contrário de seu companheiro de equipe, Pastor Maldonado, que mais uma vez se envolveu em polêmica, batendo de forma besta no Sergio Perez que prometia fazer uma bela apresentação com sua Sauber. E foi mais ou menos isso. Hulkenberg vinha bem, mas perdeu rendimento no final, seu team mate Paul di Resta, correndo em casa, ficou de fora logo no início. Japonês voador, Koba San, também não teve boa apresentação, anda devendo a seus fãs.
Tirando isso teve o título do Corinthians na Libertadores no meio da semana, exaustivamente comentado pr ai e a luta do tal de Spider com o tal de Sonnen, assunto este que me abstenho a comentar, pois não o considero mais esporte que briga de galos e como não gosto de galos e muito menos de brigas....

terça-feira, 3 de julho de 2012

LONG TIME AWAY



É, preciso mesmo pedir desculpas aos meus poucos leitores. Acreditem, eles existem! Ou melhor, vocês existem! Andei por aí, preocupado com outras coisas, bastante trabalho, um tanto de preguiça, facebook também. Mas agora prometo pegar firme por aqui, afinal, julho é mes de férias nas escolas e vida de professor fica um pouco mais sossegada. A comentar de passagem, o incrível campeonato mundial de Formula 1, com corridas para lá de movimentadas e sete vencedores diferentes nas sete primeiras provas. Apenas o piloto que está um ombro acima de seus contemporâneos, Fernando Alonso, conseguiu repetir uma vitória e isto na oitava prova do certame e com um carro que não tem nada de extraordinário. Apenas a pecinha que vai atrás do volante....rs.
Os dois pilotos brasileiros não vão bem e estão em fases distintamente complicadas frente aos seus respectivos companheiros de equipe. Bruno Senna até começou bem razoavelmente o campeonato, mas a inesperada vitória de seu "team mate" Pastor Maldonado na Espanha, colocou em perspectiva suas atuações e não o ajudou nada na comparação direta com o venezuelano. Já Felipe Massa, além dos desempenhos para lá de acanhados, ainda tem na sua escuderia simplesmente o melhor piloto em atividade. Digo e repito: após o acidente na Hungria em 2010, Massa jamais recuperou a boa forma.
Esta semana teremos GP na meca, Silverstone, e o campeonato está bem aberto, se  bem que parece que a equipe Red Bull está um passinho a frente de seus rivais mais diretos. Sebastian Vettel que teve muito azar na ultima prova, está na disputa assim como as Mclarens e Alonso. Veremos! Volto logo.

terça-feira, 5 de junho de 2012

REPOST: A CORRIDA NO CÉU




Mesmo sendo Deus, Ele se aborrece ás vezes. O universo em toda sua grandeza estava chato demais para entretê-lo. Pensou, pensou, coçou a cabeça e chamou um de seus

auxiliares, o indefectível São Pedro.

“Pedro, aproxime-se. Que marasmo está este Céu. Quero que organize algo para me entreter”.

“Mas senhor... o que posso fazer para ajudá-lo? Já organizamos safáris, olimpíadas, torneios circenses. Trouxemos os melhores cantores clássicos, de ópera, bailarinos, até mesmo algumas escolas de samba. Diga-me Senhor... o que falta?”

“Pedro, você é pago para isso. Vamos, se vire. Com tantos problemas na Terra, estou mesmo precisando de algo que me entretenha.”

Pedro ia mencionar que os seus salários jamais haviam sido pagos, mas como no Céu não há Justiça do Trabalho ou coisa similar, preferiu calar-se. Havia os benefícios que talvez não encontrasse em outro emprego. Enfim, Pedro pôs-se a pensar. Nesse momento passou por ele Cristovão, santo bonachão e que sempre flanava perto da cantina do Céu, pois era comilão e sabia que coisas boas estavam saindo do forno a qualquer hora.

“Cris venha aqui. O Mestre está aborrecido e isto não é bom. Você bem sabe que quando ele se zanga quem paga o pato somos nós.”

“Não me diga, Pedrão. Não me diga. Em que posso ajudá-lo?”

“Ele me pediu para organizar algo para distraí-lo, entretê-lo, mas estou sem idéias. O que sugere?

“Hummm. Deixe-me pensar. O duro é que quando estou de estômago vazio, penso muito mal” a frase saiu com um tímido sorrisinho de canto de boca. Percebendo a deixa, Pedro chamou o amigo e colega de Santidade para dentro da cafeteria. Pediram cafés fumegantes e bolinhos divinos (não poderiam ser diferentes). O apetite de Cristovão era lendário e ele não se fez de rogado: traçou dúzias de iguarias e bebeu jarras de café e chocolate quente, deixando mesmo um pouco a escorrer pelas longas barbas grisalhas.

“Já sei: tenho uma idéia!”

“Diga logo, estou ansioso,” retrucou o pobre Pedro. Cristovão ainda ordenou uns quitutes á titulo de “saideiras”, antes de limpar a garganta e dizer:

“Vamos organizar uma corrida de carros aqui no Céu. Um autêntico Grande Prêmio, como nunca se viu na Terra!”

“Sei não. Acha uma boa idéia? Não é perigoso?”

“Perigoso, Pedro? Esqueceu que aqui é o Céu? E que muitos dos pilotos que aqui estão, correram e pagaram os riscos com suas respectivas vidas?”

“Olha. Eu não entendo muito disso. Você pode me ajudar? Mas antes vou perguntar ao Senhor, o que ele pensa da idéia. Venha comigo.”

Entraram nos aposentos divinos com muito cuidado, como sempre faziam. Uns anjos dormitavam e nem notaram a passagem dos dois Santos. Deus cochilava, com uma copia gasta da “Divina Comedia” de Dante, que ele lera e relera milhares de vezes. Um conservador, esse Deus.

“Diga-me Pedro. Olá Cristovão. A propósito, você esta engordando. Têm algo em mente?”

Pedro adiantou-se, sempre tinha a sensação de perder a fala ao dirigir-se ao Mestre. Por mais eternidades que passasse servindo-O, isso não mudava.

“Sim, Senhor. Cristóvão sugeriu uma corrida de carros. Temos os melhores pilotos aqui em cima, é só uma questão de ajustar detalhes.”

“Esplêndida idéia! Mas preste atenção: não quero o Balestre envolvido nisso. Sei que ele subiu há pouco, deixe aquele francês narigudo fora disso.”

“Ótimo Senhor. Organizaremos tudo.”

“Outra coisa. Quero a corrida numa reprodução fiel do circuito de Nurburgring. E quero todos os pilotos com um mesmo modelo de carro. Pode ser o Maserati 250F. Chamem-me de saudosista se quiserem.”

“Sim Senhor.”

***



Pedro contou com a colaboração de Cristovão e de outros Santos que gostavam de corridas. No Céu, as dimensões de tempo são diferentes, então tudo pode ser feito rapidamente. Começaram a convocar os pilotos. Nuvolari foi logo lembrado e ficou muito feliz, pois estava a muito coçando o saco e bebendo Lambrusco. O pequeno mantuano se dispôs a ajudar a convidar os colegas. Fangio foi facilmente convencido, assim como Ascari. Farina se apresentou, e sendo advogado queria saber do regulamento aprovado. Fagiolli e Rosier ficaram excitados, mas Cristovão lhes disse que apenas campeões mundiais poderiam participar, eles ficariam na reserva. Indignados, pois achavam que as regras terrenas eram injustas, mesmo assim, se ofereceram para colaborar. Gonzáles que ainda não morreu, recebeu uma mensagem num sonho, em sua Argentina e ficou com vontade de morrer, mas também não foi campeão, então ficou na vontade mesmo. Hawthorn, que bebericava o chá das cinco, ficou muito feliz em poder participar. Trintgnant, Musso e Bira mordiam os lábios de vontade, mas tampouco foram campeões. Moss foi outro que ainda não morreu e ficou sabendo da tal corrida. Foi á sua muito britânica paróquia conversar com Deus em particular e pediu para subir. Não foi atendido, pois ainda tem um tempinho por aqui, segundo o Manda-Chuva. (não, São Pedro não é o verdadeiro Manda-Chuva, ele apenas é o encarregado do departamento Hídrico do Céu).

O alvoroço era geral. O Príncipe Rainier e a belíssima Grace Kelly, ou princesa Grace se ofereceram para entregar o Troféu. Phil Hill que morreu a pouco mais de um ano, ainda perdido pelos labirintos do Céu, modestamente declinou a oferta, dizendo ter sido campeão por obra e graça da morte de seu então companheiro Von Tripps. Este, entre muitos goles de cerveja da Bavária, se disse lisonjeado, mas fora de forma. Acho que não queria encontrar-se na pista com Clark, mais uma vez. Jim Clark, pastoreando ovelhas e feliz com isso, ficou surpreso pelo convite. Em sua modéstia, apurada do outro lado, achou que não merecia ser convidado! Bruce McLaren andou sendo cogitado, afinal foi vice, mas disse que prefere ficar nos boxes. Brabham está firme na Austrália, perdeu o trem para cima algumas vezes e não tem pressa em chegar. Graham Hill, fazendo imitações para um canal de TV no Céu, adorando sua nova profissão, ficou muito feliz com o convite. John Surtees quis trocar de lugar com seu filho Henry, mas Deus não concordou. O menino vai assistir dos boxes, no entanto. Bandini e Pedro Rodrigues se ofereceram para testar e aquecer os carros e Jô Siffert quer trabalhar nos boxes. Scarfiotti vai ser bandeirinha, e Rindt achou a idéia ótima, está louco para correr. Denny Hulme não tem certeza, mas como campeão vai participar. Sente que McLaren merecia mais e sente saudades de Brabham. Bom sujeito o urso. Johnny Servoz Gavin e Lucien Bianchi querem ajudar na cronometragem assim como Jô Bonnier.

Clay Regazzoni anda furioso por aqueles três pontinhos que o privaram de ser campeão em 1974, mas disse que está disposto a ajudar. François Cevert e Elio de Angelis vão tocar piano na recepção depois da corrida e ambos deixam as mulheres do Céu em polvorosa! Mark Donohue é outro que quer ajudar de qualquer maneira, assim como Peter Revson, bronzeado como se estivesse em férias eternas no Hawai. Mike Hailwood brinca com todos e sua careca reluzente é motivo de piadas. Ronnie Peterson anda nervoso de um lado para outro, desejando não ter sido tão cavalheiro em 1978, quando ajudou Andretti a ganhar um titulo que facilmente poderia ter sido seu. Carlos Pace está por ali também, cansado de não fazer nada no Céu, animado conversando com seus grandes amigos Luiz Antonio Grecco e Marivaldo Fernandes. James Hunt com uma latinha de cerveja (proibida no Céu) nas mãos chega de mansinho, com um sorriso largo no rosto bronzeado. Patrick Depailler e Tom Pryce, acompanhados de Roger Willianson, David Purley e Tony Brise querem ajudar também. Gilles Villeneuve chega meio avoado, querendo participar de qualquer jeito e fica feliz ao saber que alguns vice campeões serão convidados também. Didier Pironi se anima, também quer muito correr. Alboreto, também vice, fica feliz e quer uma oportunidade na corrida.

Neste momento, chega Ayrton Senna, ciente de que seu lugar na corrida está seguro, e torcendo para chover. Muitos outros pilotos estão ali, desde que os boatos sobre a prova se espalharam. No Céu tudo é possível e como num passe de mágica, uma perfeita replica do velho circuito de Nurburgring aparece. Lindo, limpinho, todas as guias pintadas, os boxes tinindo e os vinte Maseratis 250F, vermelhos, alinhados lado a lado. Cada um traz o nome de seu piloto na carenagem e a curiosidade da multidão que se aproxima é crescente.

A platéia é enorme e os pilotos vão ter oportunidade de treinar para se acostumar com os carros e com a pista. O carro numero 1 traz o nome de Fangio e ele conhece bem a maquina, já correu e venceu com uma. Nuvolari carrega o número dois e seu assento tem uma pequena almofada dada sua pequena estatura. O homenzinho é minúsculo, mas atrás de um volante transforma-se num gigante! Farina tem o três e Ascari o quatro. Sendo italiano já começa a reclamar de algo, mas eu me afasto pois estou curioso para ver o resto do grid. Hawthorn vai de cinco e o seis está com Phil Hill. O sete é de Clark e todos o olham com respeito; o oito pertence a Graham Hill. Denny Hulme traz o número nove pintado abaixo de seu nome e olha o carro com curiosidade. O dez é de Pelé, mas esse foi um erro, trocaram os esportes, as bolas, e depois de um bom sermão no Santo responsável pela mancada, apagaram o nome do “Rei” e colocaram o de Rindt. Onze foi para Hunt e doze vai para Senna. O treze que no Céu não quer dizer nada ficou para McLaren, quer preferia ficar como engenheiro de pista. Clay Regazzoni, muito animado vai alinhar com o numero catorze e o quinze será de Ronnie Peterson. Um eufórico Villeneuve recebe o dezesseis, e seu desafeto Pironi o dezessete. Na verdade, eles já fizeram as pazes faz tempo, um dos gêmeos de Didier chama-se Gilles. Alboreto é o dezoito e um surpreso de Angelis recebe o dezenove. O vinte fica para Depailler e ninguém reclama. Reservas Siffert, Rodriguez e Gunnar Nilsson, que chegou agora.

continua - Os treinos.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

REPOST: CONTINUANDO A SAGA



Amigos, eu fui mexer no vespeiro e agora saí picado! Comecei lá atrás uma despretensiosa seçãozinha “Cezar Fittipaldi – carreira de piloto na Inglaterra” onde narro minhas (des)venturas na Ilha de Sua Majestade, pelos anos 80, em busca de um lugar ao sol. Que fui fazer? Santo Deus, buscar o sol num lugar que só chove? Oras....

Bom, percebi que a seção estava engolindo o blog, e dei um tranco nela. Mandei largar de ser metida, ficar na sua, que o blog era para outras coisas: fazer amigos, palpitar, opinar, trocar experiências. Que esta seçãozinha não se metesse a besta comigo! Mas não tem jeito, volta e meia alguém me manda um e-mail reclamando da falta de atualização. O último foi o amigo André Canário, que cantou: poxa, Cezar, entro todos os dias no blog e nada de atualização!


Bem, bem, regressamos ao ano da glória de 1984 – título aliás do ótimo livro do George Orwell, que inspirou a expressão “Big Brother”. O Wham! Do George Michael e Andrew Ridgley estava surgindo com “Careless Whisper”, tínhamos Duran Duran, as lindas moçoilas do Bananarama, Frankie Goes to Hollywood, com Reflex, Sheena Easton. Muitas memórias. Frio, lareira, trabalhando em dois lugares. Dono de um carro de corrida, um trailler, dois motores, um monte de peças de reposição inúteis e pagando caro pelo privilégio de usar uma garagem dentro do circuito de Brands Hatch, a cerca de 35 minutos de carro de minha casa.

Resolvi procurar outro lugar e como sempre, nos classificados da Autosport achei. Que azar! O cara se chamava Keith alguma coisa, tinha uma oficina num bairro do sul de Londres que se chama Elephant & Castle. Cara de pinguço, oficina grande e desorganizada, no entanto tinha ótimos resultados: havia feito o “running” (preparação) de pilotos como Rob Wilson (neozelandês gente boa, mistura de músico de rock e piloto, que chegou a Formula 2) e Johnny Dumfries, além de outros menos conhecidos. Combinei com ele que ele faria a manutenção do carro, além de abrir e verificar o estado dos meus dois motores. Transportei toda a minha tralha para a oficina do cara e fiquei muito feliz, pois o acordo financeiro era bem razoável.

Foi aí que começou meu calvário. Eu ligava toda semana, com esperanças de participar de algumas provas ainda no primeiro semestre de 84, e sempre ouvia a mesma desculpa: o Keith estava muito ocupado e não tivera tempo de trabalhar no meu carro, ou motores. Que droga! Quando podia eu ia assistir ás corridas em Brands Hatch e ficava morrendo de inveja daqueles que podiam competir. Eu tinha carro, mesmo velho, era meu, e muita vontade, mas as circunstâncias não ajudavam. Para piorar, como eu não tinha grana, não podia pressionar muito o infeliz. Nessa altura fiz uma certa amizade com o Johnny Dumfries, que dois anos depois foi o companheiro de Ayrton Senna na equipe Lótus. O cara é o Barão de Dumfries, um lugar na Escócia, e tem muita grana, mas era a simplicidade em pessoa, no modo de falar, no modo de vestir-se. Pagamos boas cervejas um ao outro!

Nessa altura, desolado e para baixo, recebo um telefonema deveras estranho. Um sujeito (não me lembro o nome, mas ainda tenho o cartão dele em algum lugar) se dizendo executivo de uma agência de publicidade que representava a Talbot, queria falar comigo. Não adiantou muito o assunto, mas disse tratar-se de algo relacionado à moribunda Formula Talbot – categoria de monopostos, movidos a etanol, que na altura tinha apenas 6 ou 7 carros no grid. Eles queriam resgatar a categoria. Ótimo! Marcamos uma reunião e eu fui. No interior, lugar lindo, digno de filme de James Bond, uma espécie de castelo, com aquele pátio de cascalhos na frente e uma loira espetacular na recepção. As aparências enganam.....


continua

quinta-feira, 24 de maio de 2012

REPOST: NA ESTRADA




O ano de 1983 apresentava-se a mim com o seguinte aspecto: havia saído de minha Ourinhos natal no início de 1980 diposto a correr de automóveis na Inglaterra, sem experiência alguma (nem em kart), quase sem grana e literalmente, sem lenço e nem documento. Dei muita sorte em conhecer pessoas que me ajudaram e com menos de três meses de Londres, já estava trabalhando legalizado num departamento da ONU - IMO. Juntei um dinheirinho e fui fazer a escola de pilotagem internacionalmente famosa "Jim Russell", com resultados animadores. O ano de 1981 me trouxe algumas decepções, pois aluguei carros de Formula Ford para algumas corridas, mas sem treino e sem conhecer os circuitos, além dos carros serem verdadeiras "cadeiras elétricas", nenhum bom resultado aconteceu. O mesmo sucedeu em 1982, e ao chegar em 1983, eu tomei uma decisão drástica: iria parar de gastar dinheiro alugando carros velhos e não competitivos, e iria tentar comprar algum equipamento. Dito e feito.
Além de meu emprego regular na IMO, que pagava legal, mas evidentemente não permitia extravagâncias tais como correr de carros, consegui um emprego num cinema, o ABC Fulham Road, como lanterninha! eu saía da IMO as cinco da tarde, pegava meu carro e literalmente voava para Fulham ( a IMO era do lado de baixo do Rio Tâmisa áquela altura, prédio novo e lindo, inaugurado pela própria rainha, depois conto a história). Tive vários carros de rua durante o tempo que morei na Inglaterra. Sempre dei preferência para modelos médios/grandes, pois tinha que rebocar carros de corrida, sou meio grandão, etc.
Bom, na IMO eu trabalhava com um iuguslasvo, Zoran, que era o rei do "jeitinho". A comida, além de muito ruim, era muito cara em Londres no começo dos anos 80. Portanto o iuguslavo Zoran tinha uma formula infalível de comer bem e barato: ele adquiriu um guarda pó branco, adentrava um hospital que ficava perto de nosso emprego, nunca ninguém pediu crachá ou coisa parecida, íamos ao enorme restaurante e, num mar de gente de guarda pós brancos, médicos e enfermeiros, principalmente, o que são mais dois? Eu comprei meu guarda pó, e na hora do almoço, saíamos de fininho e íamos ao Lambeth Hospital, onde entrávamos por uma porta lateral. Dali até ao enorme restaurante era perto, entrávamos, ficávamos na fila e comíamos muito, estilo bandejáo por apenas uma libra esterlina! Zoran era muito paquerador, e não demorou muito para que fizesse amizade com algumas enfermeiras bonitinhas. Pois bem, eu saía do meu emprego e na esquina do cinema, havia outro hospital. O mesmo guarda pó, me garantia o jantar por mais uma libra, uma verdadeira pechincha!
Começava o expediente às 6 da tarde, de segunda a sexta, e aos sábados e domingos da uma da tarde até mais de meia noite. Logo peguei um bico de montar os enormes letreiros, com os novos filmes que iam entrar em cartaz. Fazia um frio danado, tinha que ir até o porão, pegar as letras, a escada, e montar na fachada, mas isso me rendia mais alguns trocados. A gerente gostava de mim, pois nunca recusava trabalho, e logo, passei de lanterninha a porteiro, com direito a gravata borboleta e tudo. Era muito legal, pois o cinema era enorme, com 5 salas de exibição e ali eram lançados diversos filmes novos. Tive a oportunidade de ver de perto, astros como Richard Gere, Sean Connery, Jennifer Beals, Debra Winger e muitos outros, além de famosos que iam assistir aos filmes, como o saudoso e eterno "superman" Cristopher Reeve, grandão e muito simpático, que casado com uma inglesa, tinha um apartamente ali ao lado. Durante todo o ano de 1983 eu acumulei os dois empregos e não fiz nenhuma corrida. Mas, ao ver meu extrato bancário eu via que meu primeiro Formula Ford estava cada dia mais perto! Comprava a revista Autosport, que saía na quinta feira, mas eu a conseguia na quarta a noite, numa distribuidora. Assim, podia vasculhar sua seção de classificados antes dos outros leitores, e caso encontrasse alguma coisa que valesse a pena, tinha a vantagem. Acabei encontrando um carro que cabia no meu bolso, um velho Royalle PR24 de 1977 (estávamos em 1983), em ótimas condições ao norte da Inglaterra. O cara tinha começado a correr, acabou casando e o carro tinha pouquíssimo uso, e principalmente, nunca havia sofrido acidentes sérios. Ele me mandou fotos pelo correio (isso tudo foi pré-internet) e um belo dia, fui buscar o meu bólido! Gostei do que vi e não hesitei em fechar o negócio. Havia colocado um "rabicho" no meu carro, atrelei o trailer que acompanhava o carro, mais um monte de peças sobressalentes e um motor extra e rumei para Londres. Onde deixar aquele carro? O "jeitinho" resolve tudo, e falei com minha chefa na IMO, que me permitiu deixar o carro na garagem por alguns dias. Era engraçado ver a cara dos circunspectos ingleses ao chegar ao trabalho de manhã e deparar-se com um trailer, carro de corrida, tudo coberto por lonas, na vaga de estacionamento de seu local de trabalho! Acabei alugando uma garagem dentro do circuito de Brands Hatch, na verdade onde eram os boxes. Não era caro, mas houve um problema: realizou-se no final de 83 em Brands o GP da Europa, e tivemos que remover nossas tralhas por uma semana. Em troca, ganhei ingressos para ver a prova dos boxes, e calhou que onde ficava minha garagem foi utilizada pela equipe Brabham de Nelson Piquet, que venceu a prova! 1984 chegou tão rápido quanto o livro de Orwell, e eu tinha um monte de ferro velhos e nenhuma grana! O inverno foi terrível, mas eu comecei a circular novamente pelos circuitos para ver se fazia contatos, cavava algo para mim. Queria correr e logo! Mas ainda ia demorar....

continua

segunda-feira, 14 de maio de 2012

PARA COMEÇAR BEM UMA SEGUNDA FEIRA CHUVOSA

Essa canção da linda Lana del Rey "grudou" na minha cabeça durante o final de semana:

domingo, 13 de maio de 2012

ESPANHA: CORRIDAÇA COM VITORIA DE MALDONADO


Hoje na Espanha, na quinta etapa deste mundial de Formula 1 incrível, tivemos o quinto piloto e a quinta equipe a vencerem! A corrida em si foi muito movimentada e disputada e talvez o fato de Lewis Hamilton, que havia marcado o melhor tempo nos treinos ter perdido a pole position e ter largado do final do pelotão adicionou mais emoção a ela.
Eu sou um dos que não acreditava muito no Pastor Maldonado quando chegou a Formula 1 com a "pecha" de piloto pagante, talvez por preconceito meu, mas na época afirmei que ele pelo menos, tinha o título da GP2, que é um currículo bastante razoável. Hoje ele pilotou como gente grande e conquistou o respeito de muita gente, inclusive o meu. De Fernando Alonso não há muito o que escrever, exceto que mais uma vez ele tirou leite de pedra. Dos 63 pontos marcados pela Ferrari nesta temporada, 61 pertencem ao bicampeão espanhol, mostrando sua superioridade sobre seu companheiro Felipe Massa, cujo inferno astral parece não terminar nunca. Em terceiro lugar o pré prova favorito de muitos, o "iceman" Kimi Raikkonen, que realmente está pilotando bem, ajudado por um carro que a Lotus parece ter acertado no projeto. Seu companheiro Roman Grosjean fez boa prova também e fechou na quarta posição, nada mal para quem está em suas primeiras provas na categoria, apesar de também ter em seu cartel o título da GP2. Outro que fez boa corrida foi o japonês Kamui Kobayashi, cuja Sauber rende bem desde o começo do ano e fez várias boas ultrapassagens na prova. Em sexto, um mediano Nico Rosberg, lutando quem sabe, contra o desgaste excessivo de pneus de sua Mercedes. Lewis Hamilton fez prova movimentada, tendo perdido tempo atrás de alguns de seus adversários, após ter partido em último, e o oitavo lugar não foi um mal resultado nas circunstâncias.  Em nono, um apagado Jenson Button, que deixou a desejar em relação as apresentações anteriores e conquistando o último pontinho do dia, o bom Nico Hulkenberg com a Force India.
Os brasileiros tiveram uma prova lamentável, a esquecer mesmo, especialmente se considerarmos as apresentações de seus respectivos companheiros de escuderias. Felipe Massa teve um brilhareco no começo, tendo largado bem, mas a partir daí arrastou-se no final do pelotão, chegando a meta num lamentável décimo quinto lugar. Bruno Senna, cujas trajetórias de curvas me pareciam erráticas (eu vi pela TV) está num momento delicado de sua carreira. Apesar de todo o oba-oba do Cretinão Bueno em relação a seu noviciado, ele teve uma temporada completa na Hispania em 2010 e onze provas na então Renault em 2011, além das cinco provas deste ano. Tem mais largadas que o companheiro Maldonado, por exemplo, que já logrou a primeira vitória. Novato ou não, fez péssima prova, apesar de que no caso do acidente, eu vejo culpa exclusivamente em Schumacher, que com sua arrogância oriunda dos tempos em que era o bam-bam-bam, espera que os outros pilotos lhe dêm passagem. Errou grosseiramente na aproximação, bateu na traseira de Senna, chamou-o de idiota, e no final foi punido com a perda de cinco posições na largada em Mônaco, justo lá! Outro que fez ótima prova foi o campeão Sebastian Vettel, combativo e que já não tem o melhor carro neste momento do campeonato. Seu companheiro Mark Webber lutou, mas não brilhou.
Fiquei bastante surpreso com a evolução técnica da equipe Williams e mais ainda com a maturidade com que Pastor Maldonado assumiu a responsabilidade de largar na pole position e não se intimidar com a presença constante de Alonso em seus retrovisores. O campeonato está muito bom e se prevê para breve uma vitória da Lotus que vem evoluindo muito. É disso que gostamos!