quarta-feira, 20 de maio de 2009

UM HOMEM TOCADO PELO DESTINO: GRAHAM HILL PARTE II



A essa altura da carreira e da vida, Hill já era considerado acabado por muitos, mas isso não o abalava. Fazia o que gostava, ganhava dinheiro com isso, desfrutava de prestígio e tinha sonhos e planos a realizar.  Ele se tornou figurinha fácil em programas de televisão na Inglaterra, sempre elegante e espirituoso. Escreveu uma autobiografia que foi um best seller, por sua franqueza e bom humor, "Life at the limit". Mesmo bi campeão mundial de Formula 1, vencedor em Indianápolis, era comum ve-lo disputando provas de Formula 2, pela equipe Rondell e servindo de referência para os pilotos mais jovens. Foi retratado num memorável episódio do programa humorístico "Monty Python" en que São João Batista tenta imitá-lo, tamanha era sua popularidade. Participou também, no período de 1966 a 1974 em quatro longas metragens, inclusive no aclamado filme "Grand Prix" de John Frankenheimer ( em minha humilde opinião, ainda não superado entre os filmes retratando automobilismo). Ajudou a desenvolver o projeto do Rover-BRM, carro a turbina para Indianápolis, correu de carros turismo, ou seja, era um piloto típico de uma era que já não volta mais.
Com os lugares em boas equipes se tornando cada vez mais difíceis, especialmente para um piloto que já havia tido seu ápice muito antes, Hill acabou montando sua própria equipe em 1973, inicialmente com carros  Shadow, depois Lola e finalmente em 1975 com seu próprio projeto, sempre patrocinado pelos cigarros Embassy. Com sua não-classificação para o Grande Premio de Mônaco (mais uma vez marcante em sua carreira) em 1975, Hill decide abandonar as pistas de vez e concentrar-se em sua equipe e na carreira de seu jovem e promissor protegido, Tony Brise.
Em novembro de 1975, retornando do circuito de Paul Ricard no sul da França, com Brise e mais alguns integrantes de sua equipe, Hill foi surpreendido por mal tempo, pilotando seu Piper Aztec, e a aeronave caiu ao norte de Londres, matando-o assim como sua jovem e promissora equipe. Aparentemente, problemas com o seguro da aeronave e ações na justiça fizeram com que a viúva Bette tivesse que se desfazer de boa parte de seu patrimônio para cobrir as custosas indenizações, tendo seu filho (então adolescente) chegado ao ponto de trabalhar como moto-boy em Londres para ajudar no sustento da  família.
A história transformou aquele jovem em um homem de fibra e num campeão mundial de Formula 1, o que seria o bastante para um país, imagine para uma única família. O que me chama a atenção em Graham Hill, sua carreira e principalmente o homem por trás do mito é sua enorme persistência e força de vontade. Sem jamais perder a elegância, sabia reconhecer suas limitações técnicas e fazer dessas mesmas limitações o diferencial que o tornaram um multi campeão e vencedor no esporte e na vida. Disputou 176 Grandes Prêmios, numa época em que estes eram em número bem reduzido se comparado aos dias de hoje, sendo o recordista em participações por mais de uma década, até ser igualado pelo francês Jacques Laffite. Correu por amor ao esporte e quando lhe diziam que estava a estragar seu currículo respondia: faço o que me dá mais prazer e isso é o suficiente para que eu queira continuar em frente, a despeito do que pensam as outras pessoas.
Portanto, nessa semana em que se realizam duas das principais corridas de automóvel do mundo, o Grande Prêmio de Mônaco e as 500 milhas de Indianápolis, ambas vencidas de maneira incontestável por aquele homem elegante e de valores sólidos, próximo da realização das 24 horas de Le Mans, prova que ele também dominou, nada melhor que uma singela homenagem desse blogueiro que se irrita em ver tanta mesquinharia no gerenciamento do esporte que tanto ama.

4 comentários:

Speeder_76 disse...

Muito bom, Cézar, recordar um senhor das pistas, num ano em que, se estivesse vivo, faria 80 anos de idade.

Correr por prazer até à idade de Juan Manuel Fangio não é para qualquer um, e ver a míriade de projectos em que se envolveu, e ainda por cima o facto de ter ajudado a Lotus a continuar de pé em 1968, após a morte de Jim Clark, só pode acontecer a muitos. E voltar a correr depois de ter as duas pernas partidas em Watkins Glen 69, também...

Um senhor, sem dúvida!

Marcos Antônio Filho disse...

grande piloto e Graham tem um dos capacete mais belos qu eeu já vi. Fiquei fã de Damon por causa desse capacete!

Antonio Manoel disse...

Cezar

legal, muito bom mesmo, pena que tudo acabou numa droga de avião.

Mas temos muita histórias legais do passado : Amon, Peterson, A. Merzario, Tim Schenken e por ai vai.
Conta outras.

Abraço
|Manoel

Henry disse...

Cezar,
Gostei tanto dessas histórias do Graham Hill que vou fazer um post com este personagem Maiúsculo do automobilismo.

Melhor ser influenciado por essa bela história do que ficar preso na teia política da atual F1.

Obrigado por mais esse relato e o Antonio Manoel citou outro personagem Maior: Ronnie Peterson.

1abraço,
Henry