quarta-feira, 20 de maio de 2009

GUERRA DE EGO$$$: QUEM VAI COLOCAR OS PANOS QUENTES?






Desde que o mundo é mundo, guerras são travadas, países são invadidos, tragédias são perpetradas em nome do EGO. A necessidade de supremacia, de fazer impor sua opinião, de mostrar autoridade é inata ao ser humano. Ditadores sanguinários movidos unicamente a ambição e ego levaram países inteiros ao fundo do abismo, empresas movidas pela vaidade foram riscadas do mapa, assim como bancos e instituições.
Daí que inventou-se a diplomacia, aquele esporte de sorrisinhos e tapinhas nas costas, frenéticas reuniões técnicas acontecendo nos bastidores, enquanto a turma da frente amacia e prepara o caminho para entendimentos e acordos salvadores. O Brasil tem tradição nisso, com o nosso inesquecível Barão do Rio Branco, e até hoje somos conhecidos como um país de distensão, de acordos, de boa convivência com nossos vizinhos. 
A FIA, desde que Max Mosley - famoso entre os brasileiros por "surrupiar" por meio de contratos duvidosos uma grana e quiçá a inteira carreira de Alex Dias Ribeiro nos anos 70 (quando era o dono da equipe March), assumiu a presidência, vinha demonstrando sinais inequívocos de entidade volúvel, à mercê do ego de seus mandatários de plantão, e em detrimento do bom senso e dos direitos alheios. Na década de 80 tivemos o irrascível Jean Marie Balestre - francês temperamental, polêmico, egocêntrico e dizem, ex-colaborador dos nazistas na Segunda Guerra Mundial (uma vergonha dividida por nosso Mad Max, cujo pai, Oswald Mosley era o presidente do partido nazista inglês - sim, isso existiu, fruto da democracia da Ilha), que também tinha atitudes ditatoriais e causou um "cisma" no GP da Africa do Sul de 82.
Em ambos os casos, nos bastidores, move-se a figura diminuta (quem pensou em Napoleão não erra por muito) de um inglês que já foi contrabandista de armas: Bernie Ecclestone. Ele parece ter os fios que controlam os marionetes nazista e sado-masoquista da hora, em defesa de seus interesses puramente monetários. Ninguém lhe tira o mérito de ter transformado a Formula 1 no colosso econômico que é hoje, comparado aos anos 60 e 70 (que mesmo minha romântica memória não quer ver de volta, devido aos improvisos de segurança e amadorismo total na infra-estrutura), mas ele joga muito pesado e não abre mão de seu percentual bastante elevado.
O problema é que a Formula 1 tem sua espinha dorsal nas equipes de garagistas, cujo último representante digno de nota é Frank Willians. A Ferrari sempre foi um caso a parte, e dificilmente poderia ser chamada de garagista hoje em dia, principalmente após a passagem do furacão Schumacher, mesmo com os erros macarrônicos da atual temporada. Há muito os Ken Tyrrell, John Coopers, Johan Surtees, Jack Brabhams da vida se foram. As montadoras, desunidas (até então) e movidas por gráficos de vendas e quase nenhuma paixão genuína pelo esporte, viam na Formula 1 uma excelente maneira de promover seus produtos, sem realmente estarem comprometidas com a organização em si. Ocorre que os tempos mudam, coisas acontecem, e a leviandade com que Mosley e Ecclestone tratam os regulamentos esportivos (com uma novidade a cada semana, uma hora o campeão será aquele com mais vitórias, na outra semana, voltam atrás), o jogo de factóides para chamar a atenção da mídia (totalmente desnecessário a meu ver). A última modificação, a decisão de criar um teto orçamentário para as equipes e mais, criar uma espécie de segunda divisão dentro da categoria, é absurda e deve ter sido um factóide a mais.  Com a ação da Ferrari na justiça francesa a coisa ganhou dimensões mais amplas e agora, os dois moleques briguentos ficam sem jeito de apertarem as mãos....vão continuar brigando, mesmo sem ter razão alguma para isso.
Cansei-me de me iludir quanto ao bom senso dessa turma. Que se entendam, e se não o fizerem, danem-se. Vou continuar amando corridas e amando carros de corrida. Numa hipótese remota de a Formula 1 acabar, sempre vai haver corridas interessantes, máquinas idem e pilotos velozes. Se eles não respeitam a própria história, não somos nós que vamos dar um jeito nisso. De toda maneira, espero que as coisas se resolvam da melhor maneira possível, quem sabe uma boa sessão com uma domme alemã, com um chicote bem pesado traga um pouco de juízo á cabeça desvairada de Mad Max?

6 comentários:

Henry disse...

Cezar,
Tento verificar quais movimentos privilegiam o lado esportivo, a competição dentro das pistas, muito mais do que nas estratégias de boxes e eficiência nos trabalhos dos pits ou jogadas de tapetão, comissários, factóides, etc, etc.

A ascenção de novas equipes e pilotos é natural, mas o fato de todos os principais pilotos e equipes do ano passado terem sumido do mapa é claro sinal que essa mudança frenética de regras está prejudicando a competição.

Para mim esse é o alerta vermelho! Alerta rosso!

Cezar Fittipaldi disse...

Sem dúvida você tem um ponto importante Henry. Seria o mesmo que Tabatinga e Operário de MT (sem desrespeito) passassem a liderar o campeonato brasileiro. Regras estáveis são sinal de sucesso, e sempre que se mexe muito radicalmente, gera insegurança naqueles que investem milhões para desenvolver os carros e equipamentos. Mérito para a Brawn (ou Honda, que foi quem desenvolveu o carro) e para o Adrian Newey, mas que a F 1 virou uma bagunça, isso é inegável.

Henry disse...

Williams, a real garagista, mas BrawnGP construída com um orçamento de 400 milhões da HONDA em 2008 e TOYOTA de difusor duplo com orçamento de 450 milhões. Os 2 maiores do que o da FERRARI em 2008.

Newey e Brawn, talentos comprovados da F1 e a Red Bull tem mentalidade nova: uma categoria-escola(Red Bull Jr.), 2 equipes, Red Bull e Toro Rosso, está na Nascar, Rally, Stock... Super organizada. Vê o automobilismo em grande angular.Não veio a passeio.

Cezar Fittipaldi disse...

Excelente análise, Henry, não vieram a passeio mesmo. Isso chama-se gestão integrada de marketing, pensamento a longo prazo e os resultados já são visíveis. Besteira a Honda ter jogado a toalha e pago a conta ao sair. O jantar chegou quentinho e saboroso na mesa e eles passando fome do lado de fora....rs

Felipão disse...

não tenho nada a acescentar, Cezar. Concordo com vc...

Bruno Santos disse...

Concordo também, acho que não deve acontecer nada, assim como o erro no regulamento, que previa ser campeão a quem vencesse e depois foi desmentido, numa provável jogada de marketing.

Deve ser por isso que teremos novas equipes ano que vem, porque a FIA aparece nos noticiários todo dia e a Fórmula 1 segue em grande evidência. Deveria ser assim só por causa da emoção dentro da pista, mas esse teatro fora, deve render ainda mais dinheiro. O que importa na vida. Certo, Bernie? Max?
Abraços.