terça-feira, 12 de maio de 2009

A PRIMEIRA VOLTA A GENTE NUNCA ESQUECE!



Engatada a segunda marcha, esticada ao máximo vem a terceira e logo, muito rápido, a primeira curva. Acontece que você está deitado dentro de um carrinho de brinquedo, amarrado bem forte, com um monte de reloginhos á sua frente, e sua visão dianteira é só a partir de 8 metros a sua frente. Tira-se o pé do acelerador abruptamente, e o carrinho quase para por completo, o rosto deve estar corado, ainda bem que o capacete e a linda balaclava roxa não deixam ninguém ver!
O carro embarriga todo, parece bebâdo tentando achar o caminho de casa no escuro, e de repente surge um outro carrinho rugindo do seu lado esquerdo. Instintivamente, você se move para a direita, mas ainda bem, dá uma olhadinha no espelho e vem outro, que praga, eles parecem se multiplicar e ninguém usa busina, é uma confusão dos diabos! Acho que vou pelo meio da pista mesmo, mas é impossível, porque acelera, tira o pé e o ballet de bêbado deve estar preocupando os instrutores, postados estratégicamente nas principais curvas do circuito, que fazem sinais com as mãos. Caramba, se eu prestar atenção nos sinais eu não consigo pilotar essa coisa, tem as marchas, os reloginhos, os espelhos, e no máximo acho que estou indo a 80Km por hora! Completo a primeira volta nesse ritmo de tartaruga e decido tentar mais uma vez, tomando cuidado para não atrapalhar meus velocíssimos companheiros de curso, que vêm voando pela pista, enquanto eu me aclimatizo, me adapto, e quase me borro todo! Lembro-me que alguém havia me advertido sobre o perigo de se fazer a última pista de Snetterton de pé embaixo, pois há uma pequena saliência que teria causado a acidente quase-fatal de um promissor piloto de Formula Ford algumas semanas antes (Julian Bailey, que depois seria piloto de Formula 1 e antes disso, meu companheiro e amigo de muitas risadas). Qua qua qua, acho que bati o recorde mundial em velocidade ao contrário, pois devo ter feito a tomada da curva a uns 40km por hora, bem na tangência, pelo menos, e consegui "controlar" o possante motor de pouco mais de 100 hp e completar a volta sem mais incidentes. Bom, houve uma rodada na próxima curva, mas isso já estava contando para a segunda volta, portanto a minha primeira volta em um carro de corrida na vida transcorreu sem rodadas e a uma velocidade que me faria ser buzinado em zona urbana de cidade grande em horário de rush!
Volta aos boxes, os mecânicos (putas-velhas que são) com um ar sarcástico perguntam: e aí brasileiro, o que você achou? Eu retruco, sem ironia alguma: Fantastic!!! Os sorrisos são gerais, os deles certamente de gozação, o meu de alegria, alívio e um grande sentimento de realização, pois ninguém sabia quantas horas e quantos anos eu havia sonhado em estar ali, e não seria uma volta em ritmo de tartaruga cansada que estragaria aquela sensação.


3 comentários:

Henry disse...

Muito bom!

1abraço

Felipão disse...

Excelente!!!

Bruno Santos disse...

Lá foi o Cezar...
Primeira volta sem rodar e tentando pegar o jeito com o carro e a pista, muito legal.
Os professores sempre acham as coisas simples, bom que você aproveitou o momento. Fantástico.
Abraços.