sábado, 23 de maio de 2009

PARADOXOS II E MAIS ALGUMAS PITACADAS




Há alguns meses aquele homem jovem pensou que tudo estava acabado. E ele sabia que ainda tinha muito a fazer, quase tudo a conquistar. De uma grande promessa, com talento reconhecido, graças a uma enorme tragédia passou a carregar em seus ombros a responsabilidade de ser o novo ídolo de uma nação acostumada (mal acostumada) a ter talentos de primeiro quilate. Essa nação aliás, desperdiça tantas coisas, talentos, gentes, recursos naturais, oportunidades, mas como assumiu-se como a pátria de Deus, acha que pode ir deixando as coisas fugirem e a vida correr. Esse é papo para outro artigo, não nos dispersemos, pois.
O jovem estava há alguns meses desempregado. Não que isso representasse uma preocupação econômica que aflige a muitos milhões de seus compatriotas, empregados ou não. Mas não queria sair assim pelas portas dos fundos, achava que ficaria uma desagradável sensação de "falta algo" no ar. Queria por si mesmo, pelo brio que demonstrou ter, e por sua biografia, algo mais. Falaram e especularam muito a seu respeito, mas uma única e meritória vez ele soube manter-se calado. Entendam: ficar de boca fechada não é seu forte, e inevitavelmente, quando a abre, sua capacidade de criar frases dúbias é peculiar, um talento à parte, ainda que indesejado. Abusei das vírgulas na frase anterior assim como ele abusa da paciência de seus fãs em tentar justificar algo que nem precisa ser mesmo justificado.
Queriam o seu lugar para um outro compatriota, sobrinho daquele que personalizou a tragédia com sua precoce partida. Ele resistiu, fez ver que sua experiência poderia ser mais útil num momento delicado de sua escuderia, ela mesma numa espiral de inferno astral engolfada pela crise global, e finalmente, triunfou. O melhor no entanto, ainda estava por vir: desde os primeiros testes o carro se revelou uma grata, gratíssima surpresa. Chave de ouro à vista, encerrar a carreira como campeão, quiçá, nem Hollywood pensaria num roteiro tão bom.
Hoje esse jovem homem completa 37 anos de idade, é o vice líder do campeonato mundial de Formula 1, teria tudo para estar comemorando isso com muita alegria, mas paradoxo de novo: está infeliz. Seu companheiro, dado como cachorro morto por muitos, mostrou uma incrível capacidade de recuperação e do semi-desemprego de alguns meses atrás, catapultou-se a uma inconteste liderança do mundial.
Se eu fosse o aniversariante de hoje iria curtir muito o meu aniversário, em Mônaco, charmoso reduto da cafonagem alta classe mundial. Iria soprar as velinhas, beber um goliquinho só, e depois, dormir como um príncipe. Amanhã tem corrida, e fim de inferno astral, quem sabe? As fadas do destino são caprichosas e vivem debochando dos roteiristas de Hollywood....

Feliz aniversário Rubens!

3 comentários:

Antonio Manoel disse...

Falou e disse.


Abraço
Manoel

Goddess disse...

Caraca, Cezar. Você conseguiu fazer o melhor post que já li sobre o Rubinho... Nunca concordei em número, genero e grau com respeito a ele. Sempre tem uma primeira vez na vida.
Como disse o Antônio Manoel: Falou e disse!

Bjos
Paty

Marcos Antônio Filho disse...

onde eu assino?
ótimo texto do Rubens!
abraços!