quinta-feira, 30 de abril de 2009

15 ANOS SEM SENNA: MAIS UM POUQUINHO DE MEMÓRIAS



O resto do ano de 1981 foi um passeio para Ayrton, ele venceu diversas corridas, estabeleceu diversas pole positions e records de volta, assegurou seu futuro imediato no automobilismo. Só que havia um problema: ele estava tendo problemas na vida pessoal, aparentemente sua esposa Lilian não se adaptava a viver na gelada Inglaterra, seu pai o pressionava para que ele voltasse ao Brasil e assumisse os negócios da família. Naquela época era uma tremenda alavancada na carreira para o piloto de Formula Ford vencer o Festival de Formula Ford que acontecia e acontece até hoje em Brands Hatch, no final de outubro, comecinho de novembro. Em 1981 tudo fazia crer que Ayrton Senna era o favorito absoluto, pois havia dominado a maiorias das provas que disputou. Naquele ano havia uma atração a mais: a Marlboro estava oferecendo ao vencedor, como parte dos prêmios uma prova de Formula 3 na última prova do ano, extra campeonato em Thruxton. 
Mas Ayrton sucumbiu as pressões a abandonou temporariamente o automobilismo e voltou antecipadamente ao Brasil. Seu carro ficou vago e foi oferecido a um irlandês parrudo e papudo, Tommy Byrne, que á essa altura já estava competindo na Formula Ford 2000 e que dera muito trabalho a Moreno na Formula Ford 1600 em 80. Byrne aproveitou a chance e com o carro ainda pintado de preto e amarelo, exatamente como Ayrton o havia deixado, não deu chances aos seus adversários, ganhando o festival e vencendo o prêmio da Marlboro. Uma semana depois ele fazia sua estréia na Formula 3 no carro da Eddie Jordan Racing, pintado nas cores da tabaqueira e tampouco tomou conhecimento dos adversários vencendo de ponta a ponta e impressionando enormemente. Garantiu com isso um contrato com a equipe do também irlandês Jordan para o ano seguinte na Formula 3 (82) e antes do final do ano fez sua estréia na Formula 1 pela Theodore. Para resumir: Ayrton poderia ter vencido a prova, corrido na Formula 3 em 82 e antecipado sua estréia na Formula 1. História não se faz de suposições, mas tudo leva a crer que os acontecimentos a seguir ajudaram a traçar o destino de Ayrton, porque em 82 ele voltou, meio em cima da hora, não para competir na Formula 3 como poderia se supor, mas sim para correr na Formula Ford 2000 pela equipe Rushen Green. O sucesso foi estrondoso: competiu 28 vezes e ganhou nada menos que 21 provas, ganhando o inglês por antecipação e participando e vencendo o campeonato europeu da categoria. Eu sempre estava por perto, "sapeando"  nos boxes, competindo esporadicamente com equipamento muito defasado. Nessa época conheci e fiz amizade com Mauricio Gugelmin, piloto do Paraná que depois chegaria á Formula 1 e que dividia uma casa com o já separado Ayrton. Os brasileiros sempre faziam algum tipo de farra juntos e o pessoal do interior da Inglaterra ia a Londres para tentar usar um dos telefones públicos que apresentava defeito e permitia ligações internacionais a custo de ligação local. Faziámos fila, distribuíamos senha, batíamos papo até que a British Telecom sanasse o problema e a brasileirada encontrasse outra região com a mesma falha. Ayrton esteve algumas vezes nessas rodas, mas era bastante tímido e seu habit natural eram as pistas mesmo.

2 comentários:

Henry disse...

Cezar,
Seus relatos tem sido os mais interessantes do tópico SENNA por terem diversos elementos privilegiados: a época abordada, o cenário e o convívio.

Como te falei anteriormente, incluí os 2 posts numa lista de matérias relativas a AYRTON.

Obrigado e Parabéns,
Henry
http://henrychannel.blogspot.com/2009/04/senna-monaco-parabens-blog-mil-por-hora.html

Bruno Santos disse...

Eu não conhecia essa desistência temporária da carreira. Ainda bem que ele voltou para a Inglaterra e deu prosseguimento. Gugelmim merecia bem melhor sorte na Fórmula 1. Vou concordar com o Henry, muito interessante mesmo. Parabéns.