quarta-feira, 8 de abril de 2009

TOTALMENTE SUBJETIVO: PILOTOS DE QUEM EU GOSTO






Essa é uma nova seção aqui no blog. Todos temos sensores que nos conduzem pela vida afora. Através desses sensores que são alimentados e retroalimentados pelas nossa experiências, sensibilidade e modo de "ler" a vida, passamos a admirar certas pessoas e a nos afastar de outras. Gostamos de determinados tipos de música e não suportamos outras. Assistimos a um filme que muitos acham piegas, e nos acabamos em lágrimas, constrangidos, pois todos em volta nos olham com ar de piedade. 
Eu tenho uma certa característica muito comum aos ingleses, povo aliás ao qual (não me perguntem por que) eu gosto muito. Talvez por ter passado quase 8 anos de minha vida no país deles, e aprendido muito de como observar a vida sob a prisma britânica. Ah, a característica dos ingleses: gostar e apoiar o "underdog" ou seja o azarão. Inúmeras vezes me vi torcendo pela pequena equipe Osella na Formula 1,  pela Portuguesa de Desportos ou o Bangu, por Costa Rica ou mesmo Jamaica na Copa do Mundo. Não adianta, sou assim e não tem jeito.
Claro que gosto de vencedores também, afinal tenho em "meu" currículo oito títulos mundiais de Formula 1, ou melhor, oito não, nove, porque amigos, acreditem, o título do Damon Hill foi meu também....mas essa história eu explico depois.
Enfim, voltando aos underdogs da Formula 1, ainda na década de 70, me chamavam a atenção pilotos como Gijs van Lennep, holandês (que aliás ganhou as 24 horas de Le Mans), Helmut Marko, Tim Schenken (cotado numa reportagem da revista 4 Rodas de final de 71 para ser um dos postulantes ao título de 72 ao lado de Peterson, Cevert, Emerson e os tradicionais Ickx e Stewart- a carreira do australiano Schenken nunca foi o que a revista predisse),  Reine Wisell (sueco que começou sua carreira na Formula 1 de maneira arrasadora com um terceiro lugar em Watkins Glenn em 70, na Lotus, na primeira vitória do Emerson) e muitos outros.
Sempre achei interessante aqueles pilotos que eram gentlemen, que corriam pelo esporte e não necessáriamente pela fama e pela glória. Quero portanto traçar perfis despretensiosos desses caras que fizeram a Formula 1 e o esporte em geral tão interessante, e que tanta falta fazem hoje nesse mundo de assessores, massagistas, PRs e tantas babaquices.
Me lembro quando James Hunt surgiu no circo como se fosse ontem: aquele cara jovem, desencanado, os longos cabelos loiros, uma loira autêntica sempre a tiracolo, uma latinha de cerveja numa mão e um cigarro aceso na outra, o cara soube viver. Viveu pouco, mas viveu de maneira intensa. E o que dizer dos italianos? Lorenzo Bandini, Ludovico Scarfiotti, Andrea de Adamich....os amadores que fizeram um ou poucos Grandes Premios. Isso tudo me fascina e pretendo nesse espaço tratar disso. Nomes como Tony Trimmer, Mike Beutler, Howden Ganley, Conny Anderson, Gianfranco Brancatelli, Silvio Moser e muitos outros. Aguardem.

4 comentários:

Dan G. disse...

Seu post me fez lembrar do Derek Warwick, considerado por muitos o melhor piloto da F1 que nunca venceu uma corrida!

Visite meu blog e comente!

Abraços!

Cezar Fittipaldi disse...

Oi Dan, não consegui acessar o teu blog, por favor me passe o link. Eu conheci o Warwick pessoalmente, assim como o irmão mais novo dele o Paul, que faleceu num acidente de F3000. O vi correr algumas vezes, mas não achava ele tudo isso não. O melhor piloto a jamais ganhar um GP na minha opinião e na de muitos foi o Chris Amon. O Jarier bateu na trave também, e hoje em dia, o Heidfeld ta precisando uma vitorinha.

abraço.

Bruno Santos disse...

Deixa eu ajudar o Dan G. primeiro, o blog dele é:
http://splash-and-go.blogspot.com/

A lista vai grande de pilotos, Cezar. Muito boa a nova sessão e as perspectivas (pelo menos as minhas) são bem agradaveis.
Seu foco está nos pilotos da década de 70, mas o que me acha do Elio de Angelis? Não é o meu piloto favorito, mas uma figura emblemática na categoria.
A carreira do Hunt foi uma das coisas mais estranhas, sem grande conquistas prévias, como se não me engano, aconteceu com o Raikkonen na época da Sauber.
Abraço.

Cezar Fittipaldi disse...

Bruno,

Conheci o de Angelis pessoalmente e o considerava um bota. Além de tudo, tinha classe, era educado, um sujeito muito decente mesmo. Me lembro das primeiras corridas dele com a Shadow, a imprensa só o tratava como um playboy, o que ele efetivamente não era, e ele demonstrou seu valor, sua regularidade em muitas ocasiões. Aqui no Brasil ele foi um pouco ofuscado por ter sido companheiro de Senna em 85, mas era um grande piloto sim.
Quanto ao Hunt, tem um paralelo interessante com o Lauda: este tomou dinheiro emprestado de um banco para financiar sua carreira, e no começo parece que ia dar em nada, pois nas primeiras provas que fez na equipe March de Formula 1 tomava cerca de 4 segundos do Peterson. Mas Lauda sabia que precisava treinar mais, pois sua kilometragem total até chegar á F1 era muito baixa e tinha uma auto-confiança incrível. O livro dele "From Hell and Back" é imperdivel !
Abraços.