terça-feira, 14 de abril de 2009

ANÁLISE (SUBJETIVA) DOS PILOTOS BRASILEIROS NA FORMULA 1 (1)

Eu vi um post hoje no blog (ou blig, sei lá) do Gomes, analisando a carreira do Pedro Paulo Diniz na Formula 1. O engraçado não é o texto em si, mas sim os comentários do pessoal, tem gente que tem embasamento, tem gente que se  revela frustrado, recalcado, etc.
Vou tentar fazer como fâ, como pseudo-expert de Formula 1, com a autoridade de ter assistido a tantas carreiras uma análise dos pilotos brasileiros que passaram pela categoria máxima do automobilismo mundial



Chico Landi foi o precursor dos pilotos brasileiros na Formula 1 numa época muito distinta da atual, contando inclusive, em determinado ponto de sua carreira com o apoio do Presidente-ditador Getúlio Vargas. O que sei é que o Comendattore Ferrari gostava muito do Chico e que ele era um piloto que impunha respeito aos adversários, e cá entre nós, isso é o que realmente conta, não é?
Gino Bianco e Fritz D'Orey eu tampouco vi competir, mas sei que nunca tiveram condições reais de competitividade, portanto vou começar a análise do ponto em que eu
 comecei a acompanhar efetiviamente a Formula 1.

E que começo! Pois o primeiro brasileiro a quem acompanhei e para quem torci mais doque qualquer outro desde então foi o então jovem Emerson Fittipaldi. Com carreira meteórica nas Formulas menores na Inglaterra ( correu pouco mais de meio ano de Formula Ford em 1969, mudando rapidamente para a Formula3) Emerson teve oportunidade de correr pela equipe de Frank Willians, que era uma piada na época, mas foi inteligente o suficiente para esperar sua op
ortunidade na mu
ito mais competitiva Lotus. O resto é história e que história, uma vez que ele foi alçado à condição de primeiro piloto da equipe já no seu quarto Grande Premio, gesto que ele agradeceu por vencer a corrida! Todos lamentamos na época em que ele deixou as grandes equipes para trabalhar incansávelmente com seu irmão Wilsinho para firmar a equipe nacional Copersucar Fittipaldi na Formula 1, 
e os seus insucessos
 fizeram a alegria dos comediantes da época, que zombavam do que não entendiam.

O segundo piloto para quem eu torci muito foi Wilsinho Fittipaldi, que era sim, 
muito competente nas outras categorias, mas que na Formula 1 jamais teve um equipamento á sua altura. Por diversas vezes 
esteve bem classificado até ser traído pela máquina, me lembro particularmente do GP de Monaco de 1973 em que ele vinha trazendo seu Brabham para um belissímo terceiro posto para ficar a pé a poucas voltas do final. Foi de cortar o coração.


Outro brasileiro para lá de competente, foi o Moco, José Carlos Pace, amigo e contemporâneo dos irmãos Fittipaldi, ele foi vítima de equipamentos frágeis e pouco competitivos das equipes Willians e Surtees, para finalmente ter na equipe Brabham boas chances, tendo perdido sua vida num acidente de avião na Serra do Mar. Justamente naquele ano o carro iria se tornar competitivo, graças aos seus esforços, mas ele não teve sorte para colher os frutos de seu trabalho.

Luiz Pereira Bueno foi um outro piloto para quem a oportunidade na Formula 1 chegou muito tarde, pois ele já tinha cerca de 36 anos quando teve sua oportunidade. Com apenas um GP oficial em equipamento de segunda e alugado, não seria justo fazer uma análise, mas ele era muito competente, com certeza.
Alguns anos se passaram até que outro piloto brazuca tivesse sua oportunidade na categoria máxima do automobilismo, Alex Dias 
Ribeiro, piloto simpático e de enorme carisma pessoal, mas
 vítima de péssimo gerenciamento de carreira. Ingo Hoffman, cercado de excelentes expectativas foi vítima do momento errado da equipe Copersucar, mas até que não fez feio, chegando em sétimo lugar no GP do Brasil de 1977 em Interlagos.
Depois desses "cometas" um outro brasileiro chegou à Formula 1 com muitas expectativas, já saudosos dos sucessos de Emerson, e certamente, não decepcionou: Nelson Piquet. Este tinha um problema de relacionamento com a imprensa paulista, desde que esta negligenciava seus resultados na Formula 3 européia em 1977 em detrimento dos resultados de Chico Serra na Formula Ford inglesa. Piquet decidiu ir enfrentar Serra na ilha em 1978 e o venceu com ampla margem, mas ainda assim, muitas vezes os jornais davam mais destaques a um terceiro lugar de Serra do que a vitória do candango veloz. Aliado ao seu temperamento ácido e que foi endurendo pelo caminho (árduo) até a Formula 1, ele sempre foi um piloto polêmico, mesmo vencedor, tinha muitos críticos. Piquet estreou num modestíssimo Ensign Ford no GP da Alemanha em 78, enquanto ainda disputava a Formula 3 e impressionou o suficiente para ser convidado para uma equipe independente para 3 corridas, a BS Fabrications de Bob Sparshot, a competir com um velho carro Mclaren M23 com cinco anos de serviços prestados. Longe de fazer feio, chamou a atenção de Bernie Ecclestone que o convidou para estrear pela sua então equipe Brabham no terceiro carro (naquela época isso acontecia com alguma frequência) no GP do Canadá. Na temporada de 1979 foi confirmado como companheiro e bem segundo piloto de Niki Lauda, a exemplo de seu filho com o bi campeão Alonso, mas costumava dar trabalho ao dentuço austriaco que ia perdendo interesse a cada corrida, até abandonar a carreira ( depois retornaria para mais um título) no GP do Canadá. O carro não era confiável e Piquet demorou muitos GPs para marcar seus primeiros pontos no mundial.


To be continued


4 comentários:

Antonio Manoel disse...

Grande Cezão

tem ate blog, que mala meu
bons cometarios,,,
A proposito domongo dá rubinho, 1ª vitoria do ano.

Manoel

Antonio Manoel disse...

Caro e grande amigo

Como voce pode sentir e ver e teclar,,, as coisas mudaram ,,, e como.
Quem diria >> PC, email, blogs, orkut, MP3, 5 , etc....
Isso agora faz parte das nossa vidas, embora eu não me sinta muito a vontade, a idade é um peso que tentamos esconder, mas nem sempre conseguimos, assim as novas tecnologias vem vindo e temos que assimila-las ou somo engolidos.
Agora nossas paixões continuam e a F1 ,,, ainda contina nas nossas veias.
É isso ai cara, muito bom seu blog, fiquei sabendo só essa semana, sempre que puder dou meus pitacos.

Forte abraço
Manoel

Cezar Fittipaldi disse...

Legal que voce esteja lendo, Mané....tem até uma menção a voce na nossa viagem ao Rio pra ver o GP em 78, lembra? abração...

Bruno Santos disse...

Piquet ficava só na espreita vendo o Niki Lauda, e conseguiu aprender muita coisa. Ao contrário do seu filho, que se aprendeu, ainda não demonstra.
Bela narrativa, Cezar.
Vou aproveitar e ler a segunda parte.
Abraço.