sexta-feira, 17 de abril de 2009

ANALISE DOS PILOTOS BRASILEIROS DA FORMULA 1 (3)















Continuando minha análise absolutamente subjetiva e bem pouco técnica a respeito dos pilotos brasileiros que passaram pela Formula !: após Gugelmin em 88 o próximo brazuca foi Christian Fittipaldi, sempre cercado de polêmica por causa do nome (alô, alô Nelsinho....), por causa das pressões auto-impostas, a mítica do nome, etc. Christian na realidade, tinha um currículo impecável até chegar a Formula 1. Campeão da Formula 3 Sul Americana, vice da F3 inglesa, campeão da Formula 3000 (batendo entre outros, Alessandro Zanardi), ele apenas errou na escolha da equipe: a fraquíssima Minardi. Em retrospecto, sua participação foi bem razoável: marcou pontos no final da primeira temporada, enfrentou seus parceiros de equipe de igual para igual. Quando se transferiu para a equipe Arrows, tampouco contou com equipamento de ponta, mas jamais decepcionou, e talvez tenha se precipitado em aceitar um convite para ir correr nos EUA ao lado do tio Emerson, com apenas três temporadas de Formula 1 e vinte e poucos anos de idade. 
O próximo brasileiro, continua lá até hoje, firme e sempre motivo de polêmicas: Rubens Barrichello. Eu sempre fui fâ desse moço, pois é de ótima índole, boa família (conheço seu tio Darcio dos Santos, bom piloto dos anos 70), nunca falei com ele pessoalmente, mas parece ser gente autêntica, e olha que eu já conheci umas peças raras nesse meio de vaidades e egos hiper inflados. Além disso, o cara acelera um bocado, e principalmente, nunca, nunca deixou de acreditar em si mesmo. Só isso já é motivo de admiração. Agora, os brasileiros alegam que ele perdia para Schumacher....oras.....Senna também foi batido por Schumy naquele fatício comecinho de 94, qual o problema? 
Depois de Christian e Rubinho, um piloto pelo qual eu não tinha o mínimo respeito antes da Formula 1, mas que em perspectiva não foi de todo mal: Pedro Paulo Diniz. Seu currículo pré F1 era uma piada, o cara não ganhava nem corrida de autorama. Montado na grana de papai, pelo menos ele era honesto em não querer montar uma super imagem de marketing, como é tão comum hoje em dia. Ele tinha grana, pagava para correr e pronto. Foi melhor que o Rick von Opel, melhor que o Rebaque, melhor que muitos príncipes pagantes que passaram por lá. Melhor mesmo que os dois próximos brasileiros na F1: Tarso Marques e Ricardo Rosset. Tarso era uma promessa genuína, campeão em categorias de base, vencedor na difícil F3000 internacional, estreou bem jovem, na fraquíssima Minardi, classificando-se em um estupendo 14º lugar no grid em seu segundo GP, na Argentina, mas a fragilidade do equipamento acabou com suas chances. Acabou voltando em 2001, junto com um certo Fernando Alonso, mas novamente pela Minardi, e se nem o impetuoso asturiano pode fazer algo, que dirá de nosso bravo Tarso? O Rosset até que tinha resultados honestos na Formula 3 inglesa e também na F3000 internacional, onde foi vice campeão, com vitórias e tal, portanto, estrear na F1 fazia sentido. Mas ele jamais se encontrou na  categoria, criando inclusive um mal estar entre Ken Tyrrell e o pessoal que adquiriu a equipe do velho lenhador, Craig Pollock a frente, pois Tyrrell não o queria como piloto. No cômputo geral, Rosset nada fez na Formula 1 e sua saída não foi exatamente lamentada.
Mais umas três temporadas sem novos brasileiros, o ano de 2000 viu a estréia de um piloto que eu jamais entendi porque chegou lá: Luciano Burti, que contava com certo favoritismo da parte de ninguém menos que Jackie Stewart para quem havia guiado nas categorias menores. Burti não era mal piloto, mas tampouco mostrou qualquer qualidade excepcional para merecer ser titular na Formula 1. Sofreu pavoroso acidente na Bélgica, e voltou no ano seguinte pela fraca Ligier. Foi companheiro de equipe do insuportável Eddie Irvine, e já na Prost não se saiu tão mal frente ao seu novo companheiro, o já então decadente Jean Alesi. Aliás eu pulei a estréia de um brasileiro em que eu e muitos outros acreditavam muito: o paranaense Ricardo Zonta, de excelentes credenciais, não menos ter batido o colombiano Juan Pablo Montoya pelo título da F 3000 em 98. Montoya que em minha humilde opinião foi um dos maiores talentos puros (desperdiçado em partes) na Formula 1 recente teve muito mais sucesso que Zonta, depois. Zonta teve um osso duro de roer em Jacques Villeneuve, mimado e cheio de estrelismos (fresco) na equipe BAR, predecessora da equipe Honda e da atual Brawn. Sua auto confiança foi sendo minada, e um acidente grave também limou alguns décimos de seus tempos. Foi uma pena, pois ele entregou os pontos muito rapidamente ( viu só os méritos que Rubinho tem?).
Próximo da lista,outro paranaense e outro com grande potencial, que infelizmente, mais uma vez devido ao equipamento, não vingou: Enrique Bernoldi. Menino-prodígio desde os tempos de kart, protegido da Red Bull, chegou a F 1 numa já muito decadente equipe Arrows e nada pode fazer, arrastando-se pela pista por quase duas temporadas. Lamentável, pois poderia ter ido muito mais longe do que eventualmente chegou.
Em 2002 um menino tímido, que eu jamais suspeitei iria tão longe, estreou depois de curta carreira nas Formulas menores: Felipe Massa, na equipe suiça Sauber, ao lado de Nick Heidfeld. Ele fez ótimas corridas, era rápido nos treinos, mas errava muito, e no final do ano foi substituído por Hans Harald Frentzen, então já em curva descendente na carreira. Massa teve um ano sabático ( que não faz mal a ninguém, pois Fernando Alonso após estrear pela fraquíssima Minardi em 01, ficou de fora em 02 testando pela Renault) e voltou pela mesma Sauber em 2004. Enquanto seu companheiro Giancarlo Fisichella marcou 22 pontos, Massa logrou marcar apenas 12, e isso certamente não era um bom indício para o futuro, mas a equipe continuou a acreditar nele para 2005. Tendo como companheiro o temperamental Jacques Villeneuve, Massa teve um ano médio, alternando corridas  boas e regulares, e foi com alguma surpresa que a Ferrari o escolheu para ser o substituto de Barrichello no final do ano. No entanto, ele já tinha um contrato com a escuderia de Maranello há vários anos, pois inteligentemente tinha como empresário Nicholas Todt, filho de Jean Todt, então o capo da Ferrari. Massa "cinzenta" também faz parte do sucesso. A partir de 2006 o que  se viu foi uma incrível melhora de rendimento de Felipe, e ele certamente amadureceu como um piloto formidável no final da temporada de 2008, quando, com toda a pressão de correr em casa e precisando vencer, o fez com méritos, perdendo o título apenas porque seu rival direto, Hamilton, conseguiu ultrapassar um cambaleante Timo Glock com pneus errados nos últimos metros do GP mais emocionante dos últimos anos.
Depois de Massa, em 2003 mais duas grandes promessas: Cristiano da Matta, um dos meus favoritos, que foi vítima de uma incrível politicagem na equipe Toyota, mas que chegou a liderar o GP inglês de 2003 e Antonio Pizzonia, outro caso de pé pesado e cabeça fraca. Assim como Zonta havia sido vítima da guerra psicológica de seu "parceiro" Villeneuve alguns anos antes, Zonta cedeu terreno no campo mental ao bestalhão e boquirroto Mark Webber, piloto que pelo que fala, já deveria ter no mínimo mais títulos que Schumacher, mas que na verdade nada pode ostentar de concreto. Ambos tiveram passagens rápidas pela Formula 1, Pizzonia ainda teve uma chance pela Willians, pela qual foi piloto de testes e apoiado pela Petrobrás podia ter feito muito mais, mas foi batido na segunda vaga pelo alemãozinho come-quieto Heidfeld. Da Matta regressou aos EUA, onde um acidente lamentável quase o matou e pôs fim á sua carreira competitiva, Pizzonia erraticamente corre de Stock cars no Brasil hoje, mas são dois casos a ponderar e valorizar Barrichello e Massa que souberam enfrentar as armadilhas da Formula 1 e permanecem lá muitas temporadas depois de estrearem.
O mais recente brasileiro a estrear no mundial é o muito aclamado Piquet Jr., auxiliado por bons resultados nas formulas menores, com títulos e uma boa disputa com Hamilton na Formula GP2 em 2007, criou muitas expectativas que vão sendo frustradas a cada GP. Após um início horrível de campeonato no ano passado, recuperou-se parcialmente, chegando mesmo a obter um ótimo segundo posto na GP da Alemanha, mas jamais conseguiu largar na frente de seu companheiro Alonso em 20 corridas juntos, e isso reflete o seu estado de espírito subjugado. Falarei num próximo artigo dos brasileiros que estiveram bem próximos de correrem pela Formula 1, mas que por um ou outro motivo jamais tiveram a oportunidade.

Um comentário:

Andina disse...

Gostei muito da reportagem.Sigo a formula 1,2,3,gp2,2,3000,world series, indy e creio que falta uma reportagem de todos os brasileiros que disputaram todas estas categorias.
Náo se esqueça de um tal de Da Silva brasileiro que alugou uma maserati e disputou algumas provas de f1, sofreu um acidente, perdeu tudo, ficou na m... e voltou no anomimato, e que por muitos anos tinha uma lojinha de auto peças na lapa em sp
Voce iria fazer sucesso com esta reportagem que poderia virar um livro.
Eu te dou uma máo
abraço
jose ricardo de vita berlinck
rblk@ig.com.br