quarta-feira, 15 de abril de 2009

ANÁLISE DOS PILOTOS BRASILEIROS NA FORMULA 1 (2)


Após Piquet, que na realidade, longe dos holofotes e da pressão da mídia já então desacostumada com o sucesso dos brasileiros, após anos de sofrimento com a aventura de Emerson na Copersucar, o próximo brasileiro a estrear na Formula ! foi justamente o seu desafeto, Chico Serra.
Este havia feito um brihante início de carreira internacional, pois após o primeiro ano na Formula 3 em 1978, repetiu a dose em1979 e foi campeão, subindo em 1980 para a Formula 2 com a equipe de Ron Dennis, patrocinado pelo Banco Itaú. Apesar de não ter tido um ano memorável, sua reputação não foi abalada, a ponto de ter sido convidado pelos irmãos Fittipaldi para substituir Emerson (que se retirava da Formula 1 após um campeonato melancólico em 1980, sendo sistemáticamente batido pelo seu segundo piloto keke Rosberg), se bem que os patrocínios que Serra conseguia alavancar no Brasil devem ter pesado na equaçao. Serra era bom piloto, mas na realidade nunca teve a chance de mostrar seu talento na categoria máxima, marcando apenas um ponto em 1982, já no ocaso da equipe Fittipaldi, correndo algumas vezes em 1983 pela Equipe Arrows, e sendo substituído pelo dinheiro do belga Thierry Boutsen. Em 1983 mais um brasileiro alcança a categoria máxima do automobilismo: Raul Boesel, paranaense que havia sido o terceiro colocado no campeonato inglês de Formula 3 em 1981, montado nos misteriosos dólares do "Café do Brasil" e da "Embratur", ambos patrocinios "chapa branca", numa história ainda envolta em mistério. Outro brasileiro quase estreou em 1982, Roberto Pupo Moreno pela equipe Lotus - no que talvez seja a mais rápida ascenção de um piloto na história, pois apenas alguns meses antes de conseguir um contrato de piloto de testes com a mítica escuderia inglesa, "baixo" ainda disputava (e vencia) a Formula Ford na Ilha! Uma manobra esperta de seu empresário que o apresentou a Colin Chapman com um novo fenônemo fez com que o velho mago lhe desse um contrato, meio sem intenção de cumpri-lo. Moreno no entanto testou algumas vezes, e em 1981, já no meio do campeonato conseguiu uma vaga numa equipe pequena de Formula 3 e detonou, vencendo três vezes e mostrando suas qualidades. Em 1982, já no Grande Prêmio da Aústria em Zeltweg (pista difícil e muito veloz) com a contusão de Nigel Mansell o baixinho foi chamado às pressas, mas não conseguiu tempo para classificar-se, e isso acabou manchando muito sua carreira, injustamente, a meu ver.
Em 1983, amparado por uma assessoria de mídia fantástica, um jovem piloto paulista estava fazendo história na Formula 3
britânica: Ayrton Senna da Silva. Em perspectiva, seu rival direto Martin Brundle também fez um excelente campeonato, e o resto dos competidores, era muito fraco. Em algumas corridas, apenas 12 ou 13 carros alinhavam, mas a imprensa brasileira enaltecia as conquistas de Senna como um autêntico fora-de-série. Tive a oportunidade de estar presente em diversas dessas provas, e embora a habilidade de Senna fosse inquestionável, a concorrência, com excessão de Brundle, era muito fraca. No final da temporada Senna testou uma Willians em Donnington Park e pulverizou os tempos dos
pilotos titulares, Keke Rosberg e Jacques Laffite, nenhum dos quais era bobo. Isso causou uma excelente impressão, habilmente aproveitada pela assessoria de imprensa do piloto. Mais testes se seguiram, cogitou-se seu nome na equipe Brabham, prontamente vetado pelo então já bi campeão mundial Piquet e ele acabou assinando com a mediana equipe Toleman.
Nos testes do começo da temporada de 1984 no autódromo de Jacarepaguá no Rio, Emerson Fittipaldi testou uma fraquíssima Spirit Hart, desistindo de uma volta que teria sido desastrosa, rumando ao invés disso para a glória e o sucesso das pistas norte-americanas. Estive presente nesses testes e a imprensa brasileira paparicava Sen
na de uma forma jamais vista antes. O resto de sua carreira é história, passemos ao próximo brazuca a atingir a Formula 1, Maurício Gugelmim, piloto pelo qual eu nutro uma grande admiração e estima. O catarinense, amigo pessoal de Senna e também fortemente patrocinado, conseguiu uma vaga na equipe March em 1988 e persistiu na categoria até o final de 1992, quando então se mudou para os EUA. Sua carreira prometia muito e ele chegou inclusive a alcançar um pódio, no GP do Brasil de 1989 no Rio, mas depois disso, apesar de alguns momentos de brilho, as coisas não lhe correram tão bem. Mais um caso de
piloto certo na equipe e na hora erradas.


To be continued

Um comentário:

Bruno Santos disse...

Roberto Moreno nunca teve o reconhecimento merecido, deveria ser falta de dinheiro, eu acho.
Quanto ao Senna, a Globo (em especial) criou toda uma expectativa em torno dele, ele aceitou o papel de herói e se tornou um mito.
Gugelmim teve uma boa passagem na March, o curioso que o seu companheiro Ivan Capelli, geralmente andava melhor. O brasileiro não teve um equipamento bom e se apagou.
Está muito boa a análise.
Os próximos pilotos que irá falar, estou fazendo uma enquete lá no blog sobre os capacetes, qual o mais bonito.
Abraços.