segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A ENTREVISTA DO NELSÃO: DECEPCIONANTE


Anunciada aos quatro ventos durante quase toda a última semana, a entrevista que Nelson Piquet concedeu a Reginaldo Leme e que foi ao ar na edição do Fantástico de ontem a noite, me deixou com uma estranha sensação de frustração.
Antes de mais nada, devo dizer que sempre fui e sou admirador do piloto Nelson, tendo seguido sua carreira de perto desde cerca de 1974, quando cabeludo e inconseqüente, encantava os moleques de minha geração com sua direção rápida e ousada no Polar Formula Super Ve do primeiro campeonato brasileiro da categoria, vencendo uma prova em Cascavel com seu esquema totalmente amador.
Depois na Europa, lutando contra esquemas de fábrica e já na Inglaterra, o preconceito da imprensa paulista "pró-Chico Serra" não se deixou esmorecer e sempre alcançou seus objetivos. Talvez a maior vitória de sua gloriosa carreira tenha sido o título que ganhou em 1987, o último de três, na equipe Williams Honda que privilegiava descaradamente seu então companheiro, o inglês Nigel Mansell.
Ao escolher planejar e facilitar a carreira de seu filho de forma muito diferente da sua própria (em que pesem as considerações em favor da mudança do cenário do automobilismo em geral - muito mais competitivo e profissional hoje que há 30 anos), deu-lhe condições invejáveis nas categorias de base. O garoto passou pelos testes mais simples com louvor. O problema começou ao escolher o empresário de Nelsinho para conseguir um lugar na Formula 1. Piquet, mais do que ninguém (já que havia trabalhado com) sabia que Briatore era o que é. Não há inocentes aqui.
O que me incomodou na entrevista é que Reginaldo Leme, jornalista experiente que é, acomodou-se ao jornalismo "chapa branca" da Globo, e perdeu a oportunidade de fazer perguntas muito mais incisivas e pertinentes.
O que aconteceria, por exemplo, se Nelsinho não tivesse sido despedido? O ato teria sido esquecido e "justificado"? Padrões éticos e morais são imutáveis. Pai é pai, mas nada justifica o acobertamento de um crime. Sei que ele denunciou o ocorrido a Charlie Whitting na ocasião do Grande Prêmio do Brasil do ano passado, mas a m....foi mesmo jogada no ventilador apenas após a dispensa de Nelsinho, e segundo Briatore, após uma tentativa de extorsão. Feio, muito feio, e não devidamente esclarecido na entrevista. Outra afirmação de Piquet, aqui o pai e não o crítico - de que Nelsinho foi o estreante brasileiro que marcou mais pontos em seu ano de estréia - fato, mas que não desmente suas péssimas atuações na maioria das provas, e mesmo aquela em que chegou em segundo, na Alemanha, poderia ter vencido se tivesse resistido mais aos ataques de Lewis Hamilton. Enfim, o assunto das acusações de homossexualismo feitas por Briatore, segundo o qual "Piquet lhe pediu que afastasse o filho da companhia de um homem mais velho, fazendo o mudar-se para Londres" - é obrigação de um jornalista perguntar isso, até porque foi Piquet que nunca mediu palavras ao alegar um suposto caso de homossexualismo de seu arqui-rival Ayrton Senna. Ficou faltando algo na entrevista. Transpareceu a imagem do pai desgostoso e amargurado, mas que continua a defender sua cria com unhas e dentes. Mesmo assim, acho que a entrevista poderia ter sido melhor explorada, porque os fâs querem saber. Faz falta um Cabrini, ou mesmo uma Marília Gabriela neste caso.

3 comentários:

Ingryd Lamas disse...

O título do post já seria suficiente.
Muita expectativa, pra nada.
Até eu, mesmo de tão longe, estava roendo as unhas pra ver o que viria...
espera em vão.

Infelizmente.



bjoos

Ron Groo disse...

Tive a mesma sensação de frustração.
Mas creio que um monte de coisas não pudessem ser ditas por conta do processo que ainda corre na justiça.
Vem mais coisa ai.

Felipão disse...

Concordo com vc;;;;

E o Reginaldo se acomdou...

impressionante...