quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CONJECTURAS



Pontos a ponderar, ângulos a analisar. Na apresentação da nova equipe Virgin, com toda a pompa virtual que a situação demandava, faltou um personagem esperado: o piloto português Alvaro Parente, anunciado anteriormente como o terceiro piloto da equipe. Os jornalistas portugueses, boquiabertos foram investigar e a razão se tornou clara: houve uma quebra de acordo entre os patrocinadores do piloto e a equipe, e como o dinheiro não se materializou, niet! O excelente blog do Speeder 76, o "Continental Circus" tomou as dores do piloto e num artigo para lá de emocional, o Paulo descasca a sua ira nos políticos da organização governamental, Turismo de Portugal, que faltou com sua palavra empenhada.
Gostaria de analisar um pouco a situação. Segundo entendi, Parente teria que levar a "módica" quantia de 3 milhões de euros para garantir a vaga de.....servir cafézinho? Porque nesses tempos tresloucados, onde um piloto com 8 corridas de Formula 1 no cartel, foi testar pela primeira vez esta semana (Jaime Aguersuary), o que exatamente faz um piloto de testes? Voltando umas duas décadas no tempo, me lembro do piloto brasileiro Marco "Lagartixa" Grecco, com passagens apagadas pela Formula 3 inglesa e F3000, que divulgou que havia "assinado" um contrato de piloto de testes com a equipe Osella de Formula 1. Na ótica de Lagartixa, isso lhe daria exposição e seria um impulso a sua carreira, mas a equipe Osella afundou e a carreira do simpático piloto paulista idem. (Tenho uma historinha muito parecida, mas conto no momento adequado na seçãozinha das minhas memórias).
Caramba. Três milhões de euros para ser piloto de testes. Quanto será que leva o simpático "Mr. Press Release" o baiano Luiz Razzia para ser QUARTO piloto da mesma Virgin? Pelo menos no caso dele, a soja de seu pai é quem banca o desatino. No caso de Alvaro Parente seria dinheiro do contribuinte, e lá, sendo Europa e tudo, as coisas tem que ser mais as claras. Tivemos no passado pilotos brazucas correndo patrocinados por órgãos estatais, como o Raul "Bozó" Boesel, que graças à amizade com o então Presidente da República João Batista "me esqueçam" Figueiredo, levou grana da EMBRATUR e do Café do Brasil para participações modestíssimas nas equipes March e Ligier. Mas pelo menos, ele corria! Recentemente a Presidente "Botox" Kirchner da Argentina injetou uns dois ou três milhões de dólares na equipe americana USF1 para garantir a vaga de José Maria "Tetinha" Lopez, mas também nesse caso, ele deve participar das corridas.
O russo Petrov disse esta semana que não tem patrocínios de empresas estatais de seu país, e que o dinheiro para garantir a segunda vaga na equipe Renault lhe foi dado por seu pai. Muito justo. Mas, de novo, ele vai correr!
Gostaria que alguém me explicasse que tipo de retorno publicitário uma empresa ou órgão do governo teria em patrocinar um piloto que não testa, não corre, não aparece e ainda por cima usa uniforme dos outros patrocinadores da equipe, quando fica nos fundos dos boxes? Três milhões de euros....loucura.
Volto a dizer que acho que Alvaro Parente é um excelente piloto, com cartel (palmares) melhor que muitos dos seus colegas que estão competindo na categoria máxima, mas assinar como piloto de testes em equipe novata ainda por cima, me parece sandice. Também achei o tom da nota divulgada pelo piloto muito pessimista em relação ao futuro de sua carreira. Ele que já foi campeão do British Formula 3, campeonato de respeito, e que é um dos principais pilotos da GP2 tem que ter mais confiança em si, e erguer a cabeça e seguir a vida. Como dizemos aqui no Brasil: "Quando uma porta se fecha, abrem-se outras duas". Ou pelo menos uma janelinha para pularmos....rs

3 comentários:

Rui Amaral Lemos Jr disse...

Muito bom Cezar, penso como vc. Li o Paulo Alexandre logo cedo e achei tão sem lógica ou motivo real o desabafo que acabei nem comentando.
Abs

Rui

Paula disse...

Olá amigo, concordo plenamente com o seu texto, andarmos nós, contribuintes portugueses apagar pro menino ser terceiro piloto nem pensar, é que nem que fosse primeiro piloto. Quer correr, arranja outros patrocinios ou mete dinheirinho do bolso dele. Agora dos contribuintes não.

Mas deixem-me que diga... o Nick Wirth arrassou no carro, altamente. Parabéns!

Cezar, corrija-me se estiver enganada, mas este Wirth não fazia parte da Simtek na altura do Roland? Acho que era aquele que andava sempre "colado" atrás do Roland, aparecia em quase todas as fotos ehehe

Abraço

Cezar Fittipaldi disse...

Paula,

O NIck Wirth é uma espécie de geniozinho precoce, do tipo Adrian Newey, e ele era sim, o que andava com o teu Roland, aliás, ele era o patrão, pois era o dono da Simtek.
Abraços