domingo, 25 de outubro de 2009

MINHA ANTI LISTA





















































































De modo geral a minha lista dos dez maiores pilotos de todos os tempos da Formula 1 foi bem recebida e elogiada. Comparada á do Times inglês, que gerou toda a polêmica até que não se saiu tão mal. Mas eu vou jogar um pouquinho de gasolina nessa fogueira: muitos sugeriram alguns outros nomes, alguns que eu concordo e outros não. Agora vamos sair um pouquinho do universo dos dez mais, expandir para talvez, vinte. Alguns dos nomes da "galera", aqueles pilotos muito populares, que são sempre lembrados, em alguns casos são mitos. Explico melhor, sabe aquela famosa batalha do Villeneuve e do Arnoux na França em 79? Se deveu mais á falta de habilidade de ambos do que o contrário. Sei que vou ser criticado por pensar assim, mas combatividade tem seus limites, e aquilo foi mais para circo, para alegrar a galera.
Vamos lá então, comecemos com o pequeno canadiano, como diriam meus amigos portugueses ( no Brasil dizemos canadenses, e acho que as duas formas de gentílico são corretas).
Gilles era um piloto veloz, valente, combativo, mas jamais foi um dos grandes. Errava muito, castigava demais os carros e não sabia acertar um carrinho de supermercado, característica aliás que ele dividia com seu amigo René Arnoux. Este era velocíssimo, talvez até mais que Gilles, mas precisava de uma rara combinação de momentos astrais favoráveis para ganhar uma corrida. Algumas das atitudes de Gilles, em rodar, bater, voltar, rodar bater, deixariam um idiota como o Romain Grosjean corado. O Mansell, que eu vi muito correr, era meio estabanado também, mas depois de um tempo, refinou o estilo, aprendeu e pegou gosto por vencer, e daí, era um piloto formidável. Eu vi o Gilles também, claro. Outro piloto super valorizado pelos ingleses, o David Coulthard, na minha lista não entra de jeito nenhum. Burocrático, sempre com os melhores carros e equipes, e sempre detonado por seus companheiros de equipe. Mas vamos lá então, á minha lista do 11 ao vinte:

11- Jochen Rindt- Na Formula 2 nos anos 60, era o super champ. Não tinha para ninguém. Na Formula 1 pagou o preço por decisões equivocadas, e perdeu muito tempo na equipe Cooper com seus pesados e lentos carros em sua fase final. Foi para a Lotus à contra-gosto e nunca se deu tão bem assim com Chapman, mas foi um campeão em pleno direito, mesmo que post-mortem.
12-Graham Hill. Já escrevi bastante a respeito do bigodudo inglês aqui para ficar claro minha admiração pelo homem e pelo piloto. Era um ser humano de verdade, engraçado, com falhas, com qualidades, e um grande gentleman. Campeão em longevidade nas pistas (numa época em que as temporadas tinham por volta de dez provas anuais), faleceu num acidente aéreo besta.
13- Alberto Ascari. Confesso que pouco sei do bicampeão italiano, mas vencersete provas em seguida não é para qualquer um naquele tempo. Morreu cedo demais, talvez pudesse ser maior ainda, nunca saberemos.
14- Stirling Moss - O eterno vice-campeão de Fangio. Quatro vezes ficou com a coroa do segundo colocado, mas era veloz, venceu 16 vezes, e um acidente gravíssimo acabou de vez com sua carreira e suas chances de sair das sombras. Uma pena, mas é reverenciado na Inglaterra.
15- Mika Hakkinen - O quieto finlandês apareceu numa época de transição, e foi um dos poucos a enfrentar Schumacher de igual para igual no seu auge. Seus dois campeonatos pela Mclaren foram uma justa medida do homem e do piloto, elegante dentro e fora das pistas. Eu ainda o coloco como o responsável por impedir uma das maiores injustiças que a Formula 1 poderia ter cometido: o campeonato de Irvine em 99 (vencido por Hakkinen). Irvine é um pilotinho comum, bunda mole, caráter duvidoso e língua muito maior que o talento.
16- Nigel Mansell - Se não fosse por seus desastrosos primeiros cinco anos na categoria, talvez pudesse figurar mais alto. No começo era batido regularmente por seu talentoso companheiro de equipe Elio de Angelis, depois igualou-se a Rosberg, cresceu no embate contra um combalido Piquet na Williams (este sofreu um gravíssimo acidente na mesma Tamburello de Imola que nos traz tão amargas memórias), foi dominado por Prost na Ferrari, e voltou a Williams, para enfim sem adversários, vencer seu título em 92.
17-Lewis Hamilton- Tenho até medo de colocar o jovem inglês nessa posição, pois sei que se mantiver a média, subirá como um foguete na lista nos próximos anos. O melhor estreante da história, mostrou sua marca desde o primeiro momento e é indubitávelmente, um fora-de-série. Pelo que fez até agora (que não é pouco - sob qualquer perspectiva) e pelo que certamente fará, essa é uma posição artificialmente baixa.
18- Ronnie Peterson - Este me traz memórias muito boas, de disputas incríveis com os brasileiros Emerson, Pace e Wilsinho desde as Formulas menores, até seu magistral controle de carro. O primeiro homem a fazer as duas primeiras curvas do velho Interlagos com o pé embaixo, no entanto tinha muitos pontos fracos, não saber acertar um carro era o maior deles.
19- Damon Hill- Eternamente criticado, vindo de onde veio, conseguir vencer 22 vezes, ser campeão, duas vezes vice e uma vez terceiro colocado. Uma personalidade complexa, talvez muito "bonzinho" para o mundo complicado da Formula 1, tive o prazer de ser seu companheiro de trabalho e competir contra na Formula Ford, sempre manteve a mesma postura humilde e atenciosa. Um campeão na vida particular também, honrou com sobras a memória do grande pai que teve.
20-Jack Brabham - Pelos três títulos, pela longevidade, pela esportividade. Mas era frequentemente batido por companheiros de equipe (Hulme, Ickx e outros). No seu dia podia ser um temível adversário, mas era mais um engenheiro que corria do que um ás das pistas. Com tudo isso, nada mal que tenha vencido 14 vezes e levou 3 títulos para casa.

5 comentários:

Ron Groo disse...

Então JOchen Rindt era o Bordais da época?

Cezar Fittipaldi disse...

Em termos Groo, mas a comparação não é descabida. A grande diferença é que na Formula 2 da época, além dos pilotos que disputavam regularmente, havia os "cobras", tipo Jim Clark, Graham Hill etc. E ele batia os caras.

Rui Amaral Lemos Jr disse...

Sem comparação nenhuma , Rindt era um bota coisa que o Bordais nunca vai ser .
Acho que o Giles e Jabuille tambem só que com menos carisma .

Speeder_76 disse...

Sempre achei o Rindt optimo, apenas falhando no inicio da Formula 1 porque nunca teve um carro vencedor na Cooper e na Brabham. Aliás, o Jack disse-lhe certo dia: se quiseres ser campeão do mundo, vais para a Lotus. Se quiseres viver, ficas na Brabham.


Na Lotus, detestava o Chapman desde aquele acidente em Montjuich, onde por causa da asa partida, quebrou o nariz. Criticou o facto de ter asas no carro e de ter carros frágeis. Quando testou pela primeira vez o modelo 72, em Jarama, teve um desastre e jurou que nunca mais iria conduzir o carro. Depois de ganhar no Mónaco com o 49, foi obrigado a pilotar contrariado o 72, que lhe deu quatro vitórias seguidas e o seu túmulo...


Já agora, concordo contigo acerca do "Black Jack": era mais engenheiro do que piloto. Foi por isso que a sua equipa se safou muito bem na competição. E acho que se o Lewis ficar 15 temporadas, por exemplo, arrisca a ser tão fantástico como o Schumacher...

INFORROCK disse...

Listas não se discutem, se respeitam, e a sua está muito boa. gostei dos seus coments...
Poxa falar mau do Brabham é um pouco complicado com 3 títulos mundiais em épocas bastante disputadas.
Lewis Hamilton, quem diria, hj estaria mais atrás, com certeza.
Mas ficou boa esta lista sim, [ ]s
Mr. Inforrock