segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

REFLEXÕES SOLTAS E AMARRADAS



Sou um sujeito meio estranho. Além disso estou ficando velho e consequentemente meio sem paciencia. Some-se a isso uma certa dose de nostalgia, e a coisa fica complicada! Vou parar de rodeios e dizer logo o que foi o estopim desse estado de espírito e o embrião dessa postagem. Li no site Grande Premio que o espanhol Andy Soucek, campeão da recém criada (ou recriada) Formula 2 este ano, se mostra frustado pelo fato de seu título não lhe abrir portas na Formula 1. Vamos com calma nas conclusões. Apesar do cenário econômico difícil há uma multitude de categorias de acesso no automobilismo mundial, que por vezes, confunde até os aficcionados. Hoje temos Formula BMW, Formula Ford, Formula Renault, Formula Super Renault, Formula 3, World Series, Formula Super League, A1GP, e mais umas outras. O espanhol alega que a conquista do título de uma categoria que foi criada como formula de acesso direto, não está lhe dando a visibilidade necessária, e que se Max Mosley continuasse à frente da FIA, a história seria diferente.
Sendo saudosista, na minha época o piloto saía do kart, ia para a Formula Ford, quem sabe um estágio na Formula Ford 2000 ( Senna e Gugelmin fizeram isso), Formula 3 britânica, Formula 2 e para uns poucos e bons, a Formula 1. Mesmo assim, sempre houve aqueles que trilharam caminhos diferentes. Nelson Piquet jamais pilotou um carro de Formula 2. Alain Prost fez uma ou duas provas de Formula 2 e pulou para a Formula 1. Gilles Villeneuve veio do automobilismo norte-americano, mais especificamente da Formula Atlantic (equivalente na época à Formula 2, mas era bem mais barata). Ayrton Senna, já apontado como grande promessa desde os tempos da Formula Ford, sequer cogitou passar pela Formula 2. O que quero dizer é que os chefes de equipe da Formula 1 sabem muito bem onde ir buscar os talentos certos, com raras excessões. No ano em que Senna dominou o campeonato britânico de Formula 3, 1983, o grid era patético, com apenas 12 ou 13 carros e um único adversário de peso: Martin Brundle. Mesmo assim, os "tubarões" da Formula 1 sabiam que havia ali um piloto diferenciado, além de ter inegável apelo comercial. No caso de Kimi Raikkonen, o salto foi ainda maior, ele pulou direto da Formula Renault para a Formula 1, e teve inclusive, dificuldades para obter a "super licença", ganhando uma provisória. Peter Sauber havia concedido um teste ao campeão da Formula Renault como um prêmio, e surpreso pela velocidade e rapidez de adaptação do piloto, não hesitou e comprou a briga. O mesmo se deu com Felipe Massa, que da Formula Renault disputou o fraco campeonato europeu de F3000, tendo na época currículo bem mais modesto que outros brasileiros contemporâneos, como Enrique Bernoldi e Antonio Pizzonia.
A verdade é que mesmo disputando campeonatos secundários, contra oposição fraca, os "diferenciados" se farão notar. Há alguns anos atrás a conquista do campeonato inglês de Formula 3 era um passaporte certo para a Formula 1, mas isso deixou de acontecer. Inúmeros campeões de Formula 3 da Ilha, nem sequer chegaram perto de um carro de grande prêmio, apesar de que em alguns casos, achei injusto. Andy Wallace, por exemplo, cuja carreira acompanhei de perto, era um baita piloto. Gil de Ferran foi outro injustiçado campeão. Marko Asmer. O fato é que não adianta Soucek reclamar. O campeão da GP2 de 2008, Giorgio Pantano, que já tinha tido sua chance na Formula 1 nem foi cogitado para subir de categoria. Para ser piloto de Grande Prêmio o piloto tem que ter um dos dois ingredientes: ser um super dotado, ou ter um talão de cheques muito bem recheado ( caso de Sebastian Buemi). O resto, é poesia pura. Na mira dos tubarões existem alguns talentosos pilotos. Um deles é o francesinho Jules Bianchi, já de contrato como piloto de testes assinado com a Ferrari ( o fato é que ser empresariado por Nicholas Todt tampouco atrapalha). O filho de Alain Prost, Nicholas de 28 anos, também está comendo pelas beiradas e prestes a assinar com a Sauber. Como eu disse, para nós, os meros mortais, o resto é poesia. Pura ou não.

3 comentários:

De Gennaro Motors disse...

CARO AMIGO, CONFIRA NO DE GENNARO MOTORS MEUS VOTOS DE BOAS FESTAS AOS COLEGAS BLOGUEIROS.

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UM FORTE ABRAÇO, FERNANDO A. DE GENNARO

Speeder_76 disse...

É verdade, caro Cezar. Ou há talento, ou há um grande cheque atrás. O Jules é muito, mas muito bom. É neto e sobrinho-neto do Mauro e do Lucien Bianchi, e corre sob licença francesa, ao contrários dos seus avôs, belgas de nascimento, mas de origem italiana.

O Nicolas... não creio que seja talento, apesar de ter ganho campeonatos. Que merece uma oportunidade de testar um Formula 1, merece. Mas vê-lo a correr uma temporada? Não creio, porque já o vi correr e não me convence.

Mas voltando ao inicio... sabe-se que há muito disso. Só que os talentos devem ser ajudados e apoiados. Sem isso, as chances de chegar à categoria máxima do automobilismo, que são minimas, ficam reduzidas a quase zero, porque depois aparecem os endinheirados, que não mercem, mas tem a chance. O Soucek pode queixar-se, e com razão, mas se não tem o dinheiro, que pode fazer?

De Gennaro Motors disse...

Olá Cesar,

Desejo um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

Abraço, Fernando A. De Gennaro

De Gennaro Motors