domingo, 22 de abril de 2012

REPOST NR 3. REMINISCÊNCIAS PESSOAIS PUBLICADO EM 04 DE ABRIL DE 2009


Estou cansando meus poucos leitores, mas prometo que acabo logo com essa tortura e vou me concentrar em assuntos mais profícuos para o blog. Deixem-me no entanto, tal qual garotinho a curtir um novo brinquedo (meu blog) a saborear momentos de nostalgia pessoal.
Entre 1975 e 1976, estive algumas vezes em Interlagos assistindo provas de monopostos, turismo, marcas, etc. Lembro-de de uma prova de Divisão 1, vencida pelo Atila Sipos em que ele veio pela reta dos boxes acendendo e apagando os faróis de seu Passat, eu vibrava e sonhava um dia estar dentro de uma pista. Filho de família de classe média do interior, minhas perspectivas reais eram próximas do zero, mas eu sonhava acordado e adorava aquele ambiente cheirando a gasolina e óleo. Entre os pilotos de Formula Super Ve, sempre gostei de um tal de Nelson Piquet (antes Piket) e nem sonhava no que ele viria a se tornar. Admirava o Chiquinho Lameirão, o Marcos Troncon, o Ingo Hoffman (outro que também eu jamais imaginei se tornaria um ícone), o Júlio Caio de Azevedo Marques, Luiz Moura Brito. Uma vez num salão do automóvel, moleque atrevido que era, com meus 15 ou 16 anos, fiquei chavecando a linda recepcionista do estande dos Escapamentos Norma, uma morena escultural, que anos depois, se tornaria Miss Chico Anísio, Alcione Mazzeo. Simpática e linda, ela deve ter aguentado muitos moleques do interior sem assunto e "muito" interessados nos detalhes técnicos constantes dos folders dos escapamentos...
Nesse mesmo salão, fui muito gentilmente atendido no pedido de um autógrafo pelo José Pedro Chateaubriand, um bota que infelizmente, segundo consta, faleceu em circunstâncias meio obscuras.


Naquela época o Brasil tinha bons campeonatos nacionais e alguns regionais de bastante significancia. No turismo, tinhamos Reinaldo Campelo, Edgar de Mello Filho (hoje jornalista e meio mala, mas um bota e tanto), Luizinho, Marivaldo Fernandes, Atila Sipos, Luiz Otavio Partenostro, Amandio Ferreira o gigante, Edson Yokishuma, Bob Sharp, Paulão Gomes, mais um monte de gente boa.
Nas formulas tinhamos os astros Piquet, Alfredo Guaraná Menezes, um certo Fernando Jorge, de meteórica carreira e que sumiu, Mario Patti, o Keko, a quem conheci muitos anos mais tarde em Londrina, em visita a meu amigo Thales Polis, Pedro Muffato, Mauricio Chulam, Antonio Castro Prado (grande piloto que faleceu tragicamente em treinos) Ronaldo Ely, são tantos os nomes que acabo me perdendo aqui e sinto falta de minhas revistas.
Em 1977 um certo General decidiu proibir as corridas de automóveis e motocicletas no Brasil de vido a uma das crises internacionais de petróleo, e os dirigentes e preparadores, unidos, acharam uma solução criativa: adotar o alcool como combustível o que salvou seus empregos e desenvolveu o programa do governo em vários anos.
Lá fora, Emerson já bi campeão mundial pela Mclaren em 1974, vice em 1975, decidiu tentar uma cartada arriscada: pilotar o carro de sua família, o Copersucar (denominado por seu patrocinador) que Wilsinho valentemente toreou pelas pistas do circuito mundial durante 1975, sem sucesso. Quando o carro foi lançado em fins de 1974, no salão negro do Congresso Nacional em Brasília, causou estupor, pois o projeto do grande Ricardo Divilla era nada menos que revolucionário, linhas aerodinâmicas muito limpas e belíssimo, inclusive em sua pintura. Na estréia na Argentina, Wilsinho bateu no começo da prova e o carro incendiou-se, fazendo com que Emerson, que viria a ser o vencedor do Grande Prêmio, chegasse a pensar em parar e ver como estava o irmão. No Brasil, o carro sofreu algumas modificações, especialmente na traseira e durante o ano sofreu de uma crônica falta de potência de seus motores Cosworth, muitos inclusive acreditavam em boicote ( eu me incluia entre eles, hoje não estou bem certo).
Pace já na Brabham tinha um ritmo de corrida invejável, mas padecia de falta de preparo físico e após vencer numa gloriosa tarde o Grande Premio do Brasil de 1975 em Interlagos, no autódromo que depois merecidamente teria o seu nome, não encontrava consistência para duelar pelo título. Em 1976 a Brabham do folclórico Bernie Ecclestone resolveu usar motores Alfa Romeo, muito potentes, mas pesados e beberrões e o ano foi perdido, a ponto de Reutemann abandonar a equipe e ir para a Ferrari após o quase fatal acidente de Niki Lauda em Nurburgring. Em 1977 Pace começou a temporada de forma auspiciosa, liderando na Argentina e finalmente chegando em segundo lugar, só perdendo a ponta por problemas de condicionamento físico. Mas infelizmente, após liderar o GP do Brasil, ele veio a falecer num triste acidente de avião com o amigo e também piloto Marivaldo Fernandes.
Nessa época tinhamos uma legião de pilotos brasileiros correndo na Europa, os destaques da mídia eram todos para Chico Serra fazendo uma boa campanha na Formula Ford inglesa - com uma invejável assessoria de imprensa ele ofuscava os bons resultados de Nelson Piquet na Formula 3 européia, o que fez com que este, resolvesse ir correr na Inglaterra na temporada de 1978 e enfrentar o prodígio Serra de igual para igual. Mas aí é outra história. Eu lia sobre os "outros " brasileiros, Mario Ferraris, Carlos Abdalla, Aryon Cornelsen Filho, Bolivar de Sordi, gente com menos exposição na mídia, mas que estavam batalhando um espaço no velho continente. Como eu percebia que jamais teria chance de correr aqui no Brasil, mesmo em karts, devido à minha falta de grana, sabia que a alternativa, por mais maluca que parecesse, seria ir para a Inglaterra, e por isso saboreava as narrativas da revista Autoesporte sobre os brasileiros que tinham menos evidência, mas que competiam nos vários campeonatos de Formula-Ford por lá. Mal sabia eu, minha hora de juntar-me áquela verdadeira legião de abnegados estava chegando...

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