quinta-feira, 19 de abril de 2012

CONTINUANDO AS RESPOSTAGENS: SÉRIE REMINISCÊNCIAS PESSOAIS, SEGUNDO CAPITULO. POSTADO ORIGINARIAMENTE EM 03 DE ABRIL DE 2009


Bom, estávamos em 1972, espero não aborrece-los com isso. Em 1973 Emerson começou o campeonato de forma demolidora, ganhou na Argentina (muitos consideram essa a sua melhor prova); e nós leitores da revista 4Rodas, tínhamos o privilégio de ler suas narrativas das provas, que saboreávamos, mesmo com um mês de atraso. Voltando um pouquinho atrás, a narrativa dele em primeira pessoa da prova em que venceu o GP da Belgica em Nivelles em 72, é um clássico, vou tentar resgatar a revista (que ainda tenho) e transcrever algumas passagens. Ele observava Regazzoni e a Ferrari á sua frente e fazia tentativas de ultrapassagem em lugares em que sabia não ia ser possível, deixando o suiço alerta. No único ponto da pista onde ele achava que poderia ultrapassar, ele não tentava, até que na 32ª volta, senão me engano (lá se vão mais de 35 anos, perdoem-me as ocasionais falhas de memória) ele percebeu que Rega deixou uma brechinha maior e deu o bote! Eu lia e relia, podia me sentir dentro dos carros junto com os pilotos. Quando a revista chegava na cidade, corríamos á banca e comprávamos na hora, deliciando-nos com as narrativas. A Autoesporte também era ansiosamente aguardada, mas passou por umas fases meio ruins nessa época, até um pouco mais tarde quando o Zamponi e o Lito Cavalcanti darem uma melhorada na bagaça.
Bom, como eu ia dizendo 1973 foi um ano que começou bem para nós brasileiros, mas não terminou tão bem assim, Emerson tendo sido derrotado por Stewart, sendo que sua equipe a Lotus pareceu privilegiar o sueco Peterson na segunda metado do campeonato. Pace, correndo pela Surtees (equipe aliás, a qual eu nutria enorme simpatia, e muitos anos mais tarde tive a oportunidade de bater um longo papo com sir John Surtees, mas isso é outra história) fazia o que podia, mostrando flashes de brilho, mas o carro era muito frágil. E claro, havia Wilsinho na 13ª Brabham ( to brincando, ele era o segundo piloto do Reutemann, mas havia tamanha diferença de tratamento que parecia outra categoria, um abismo mesmo) para quem eu nutria e nutro uma predileção especial: poxa, o cara chegou a ser considerado o piloto numero 1 do Brasil, nos anos 60, de repente um irmãozinho menor, um tal de Rato vem e toma conta de tudo! Deve ser frustrante e muito difícil manter a motivação, mas o Tigrão sempre se mostrou um cara de um caráter impecável!
Enfim, termina 1973 com o Emerson como vice-campeão, o que cá entre nós não era nada mal, mas estávamos insatisfeitos, e foi com enorme alegria que soubemos que ele estava se transferindo para a equipe McLaren, trazendo junto o cash da Marlboro, que até então patrocinava a equipe BRM com seus cinco ou seis carros. Ele ocupava o lugar de Peter Revson ao lado do Denny Hulme, que áquela altura da vida só queria mesmo sombra e água fresca, saudoso urso! Para a vaga de Emerson na Lotus, ao lado de Peterson, foi contratado outro piloto que eu gostava muito, o belga Jacky Ickx, mas essa não seria uma parceria produtiva. Pace continuava na Surtees e Wilsinho começou a desenvolver o projeto do Formula 1 brasileiro, afastando-se temporariamente das pistas. Interessante foi que naquela época a Folha de São Paulo dava notícias quase diárias do desenvolvimento do projeto, cobrindo os primeiros testes de pista, com excelentes reportagens, que eu recortava e guardava numa pasta, e que recentemente, numa de minhas mudanças de casa, se perderam.
Meus amigos e eu continuávamos a seguir ávidamente as provas e nessa época comecei a ir a São Paulo, Interlagos, assistir "in loco" as provas de Formula Super V, Divisão 3, Turismo. Eu nunca pagava ingressos em Interlagos, bastava um pouco de lábia para entrarmos de graça, e íamos até os boxes onde nos mesclávamos com os mecânicos, pilotos etc. Bons tempos, sem dúvida.

Um comentário:

Rui Amaral Jr disse...

Continua com suas reminiscências, já tinha lido, mas é sempre bom saborear um pouco mais...