segunda-feira, 4 de abril de 2011

SALDO DE UM DOMINGO QUALQUER, NUMA GALÁXIA QUALQUER.



Sinto que às vezes nós, humanos (humanos?), estamos descendo em velocidade crescente e vertiginosa numa ladeira e, que no final desta, há uma enorme muralha de pedra onde nos chocaremos de maneira desastrosa. Brincamos com fogo tal qual garotinhos inconseqüentes e não nos preocupamos com as punições que virão. Construímos bombas cada vez mais poderosas e bolimos com a natureza como se fora uma experiência de  aula de ciências do ginásio. O Japão, pobre Japão, é prova disso. A fúria dos deuses é implacável por aquelas partes. A ousadia de construir usinas de eletricidade movidas a energia nuclear, foi talvez muito longe para a paciência dos deuses que regem os fenômenos e as placas tectônicas inquietas daquelas bandas.
Nos países árabes uma epidemia de liberdade se alastra, movida por sabe-se lá quais interesses excusos, quiçá alçar o preço do petróleo a patamares criminosos de novo.Na África, continente que Deus pune há séculos com sua fúria inexplicável, matanças e mais matanças. Em ambos os casos as revoltas são engenhadas em luxuosos escritórios com ar condicionado e longe da zona de perigo. Os assessores de imprensa então se encarregam em fazer parecer que as revoltas emanam do "povo". Talvez, à excessão de Jesus, nenhuma palavra tenha sido usada tanto em vão em toda a história. Todas as patifarias, as negociatas, as canalhices perpretadas por atacado e varejo, são justificadas por uma ou outra palavra. Em nome do povo, ou em nome do pai!!!!
Canalhas somos todos. Humanóides ainda, projetos de seres humanos. Autofágicos. Assassinos. Carrascos. Torturadores. Marionetes de uma vontade maior. Palhaços. Sim, palhaços. E muito bem representados em nosso caro congresso. O povo cheira mal e sua vontade, não é a de Deus. A vontade do povo é uma heresia, pois o povo, a massa ignara, é manipulável, corrupta, mesquinha, desprovida de qualquer possibilidade de nobreza ou autruísmo. Um ou outro indivíduo, espírito um tantinho à frente, pode se salvar. A manada toda, é lixo. Caminhamos céleres em direção ao abismo, porque decidimos seguir a vaca que tem o guizo. A vaca errada, mas quem se importa? Quem sabe ali tenha alguma boquinha? Algum esquema?
Não sei se teremos jeito.Os recados estão em todas as partes, mas preferimos não enxergá-los. E se os enxergamos, preferimos ignorá-los, como se pudéssemos nos dar o luxo de sermos soberbos. Caminhamos de forma desconexa, cada qual buscando um atalho, um jeito mais rápido de chegar. Onde? Quem saberá? Quantos mais serão imolados para satisfazer necessidades de luxo, lucro, luxúria? Isso realmente importa? Já nem sei mais. Minha revolta não é pontual. É constante e crescente. Impotente, sento-me a beira da estrada e lamento. E me recrimino por não fazer nada. Ou quase nada, pois este meu quase silencioso brado é um febril cântico de protesto. Às vezes tenho a estranha sensação de caminhar numa enorme metrópole vazia, destruída e em ruínas, como em Blade Runner, buscando por respostas, mas aí já será tarde demais. Encontrarei apenas restos de coisas e pedaços de gente. E ao olhar numa vitrine brilhante (talvez numa hipotética Quinta Avenida), me assustarei com o reflexo de mim, bombardeado por átomos nervosos, em atrito e em desunião. Esse pesadelo recorrente me assusta, me persegue e serve talvez, como um triste pressentimento do que está por vir.
Mas, o domingo está no fim. Eu ia lamentar a morte do piloto Gustavo Sondermann em Interlagos, na prova da Copa Montana hoje. Mas não vou. Ele estava fazendo o que gostava. Morrer assim, não deve ser tão ruim. Pior são as milhares de mortes anônimas, longe das lentes das televisões, das pessoas pequenas e inocentes, que estavam indo a um templo no Paquistão. Ou aquelas que eram das tribos erradas na Costa do Marfim. Ainda ontem, assistindo ao seriado (excelente, por sinal) Roma na HBO, pensei, como eram selvagens nossos antepassados. Hoje, eu refaço meu raciocínio: somos ainda mais selvagens, porque temos a lente de aumento da história para magnificar nossos erros, e ela de nada nos serviu! Caminha homem ambicioso e voraz. Caminha para o abismo!!!

2 comentários:

Fernanda de Aragão disse...

É, pra um domingo como esse, a morte é mesmo um alívio. Engraçado que eu continuo gostando da vida, mesmo assim, tao cansada...

Rui Amaral Jr disse...

Impotente, sento-me a beira da estrada e lamento. E me recrimino por não fazer nada...

Rui