domingo, 5 de setembro de 2010

A INSUSTENTÁVEL FRAGILIDADE DO SER

Espero que alguns tenham notado a minha ausência por cerca de duas semanas. Eventos inesperados me forçaram a isso, notadamente a falta de um computador com conexão. Isolei-me do mundo e em breve isto se repetirá. Há tempos meu corpo dava sinais de cansaço. As lidas do dia-a-dia, o estresse, as contrariedades que nos fazem pagar um alto preço e nos torna suscetíveis e vulneráveis.Tentando ser o Super Homem que jamais fui, protelei até os limites do absurdo a visita a um bom médico. E quando, finalmente, por insistência de minha boa esposa, Ana, consenti, a retífica se fez necessária.A minha via-crucis estava começando. Dores terríveis que me prostravam na cama por horas em agonia, mitigadas por medicamentos analgésicos, se repetiam em intervalos cada vez mais breves. Mas como deixar as rotinas massacrantes de trabalho, as responsabilidades de pequeno empresário? Á força. A única maneira plausível.Especialista que pede mil exames. A internação num grande hospital público na capital de São Paulo (sem plano de saúde, sem opções). A lenta agonia de perecer numa maca no corredor, durante 36 horas. Em jejum absoluto, de comida e água. De amor, de afeto. O espírito se retesa e busca forças onde nem sabia existirem.Os rostos queridos da filha e da esposa, a dar conforto, a dar sentido ao sofrimento. Os milhares de dramas muito maiores que os meus. A insignificância do ser. Me senti um tracinho estatístico qualquer. A alta inesperada, sem nenhuma solução. A decisão de voltar para casa (Ourinhos), onde pelo menos estaria perto da família. O risco de dirigir 400 km em dor. A espera num pronto socorro lotado e com dramas diversos. A internação. Pelo menos estou em casa. A via-crucis dos exames. A certeza da necessidade de cirurgia, mas em etapas burocráticas a serem cumpridas antes. Um bom quarto, com duas camas. Em oito dias, quatro companheiros diferentes, cada qual a seu modo vivendo sofrimentos maiores, muito maiores. O tédio terrível. O carinho das enfermeiras e dos enfermeiros. Brava classe! O tempo que se arrasta lentamente, pontilhado por leituras e reflexões. O espírito que oscila entre a aceitação e o pessimismo. A busca de forças mentais para superar cada etapa. A incerteza de tudo e a certeza de nossa relativa desimportância no grande drama da vida. Ainda falta um pouco. Teremos uma semana cheia pela frente, mais exames, mais testes, quiçá a tão esperada cirurgia reparadora. As visitas dos familiares e amigos. A comida insossa e o sono leve. A espera. A espera. Não quis dar um tom de pessimismo a este texto, e peço desculpas se falhei.Lá fora acontece tanta coisa. Sem TV perdi um Grande Prêmio pela primeira vez em quase vinte anos. Mas ganhei muito em outros aspectos: estou mais humano, mais humilde, mais paciente, mais amigo. Aliás, amigos, um abraço a todos vocês e espero, voltar em breve com força e de vez!

8 comentários:

Ron Groo disse...

Conte conosco Cézar, estaremos todos a teu lado, se não pessoalmente, em oração.

Francis Henrique Trennepohl disse...

FORÇA CEZAR!!!
Se não há bem eterno, não há mal que dure para sempre.
Força, fé em Deus e pé na tábua que logo você estará 101%!
Grande abraço 'empoeirado'

Mauricio Morais disse...

Cézar, estamos orando pelo seepronto restabelecimento, a blogosfera precisa de você, de sua sabedoria e conhecimento analítico profundos, além da destreza de sua pena, que é uma das melhores.
Cure-se rápido. Deus o abençoe.

Jean Corauci disse...

força ai meu amigo e nossas oraçõs para você também neste período

Rui Amaral Lemos Jr disse...

O Francis e o Mauricio falaram tudo Cezar,que Deus te acompanhe e abençoe.

Um abraço

Rui

Cezar Fittipaldi disse...

Poxa pessoal.....Agradeço de coração as manifestações de apoio e solidariedade. Nem imaginam o quanto isso é importante. Abraços grandes.

Paula disse...

Força Cezar! Fé em Deus! Rápidas melhoras,

Paula

Anne Bozon disse...

Coragem Cezar, que esse momento difícil passe logo e que você recupere sua saúde o mais rápido possível. Um grande abraço.