segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

MULHERES SÃO SEMPRE PERIGOSAS

Pobre Tiger Woods. Deu uma pequena derrapadinha e já ficaram pegando no pé do rapaz. Mas o que alguém que tem uma Ferrari dessas na garagem precisa sair para dar voltinhas em porsches, camaros e até fusquinhas? Sossega, rapaz.

O DILEMA DO FANTASMA QUE NÃO QUERIA TER MORRIDO


Olha....antes de começar a (re) escrever esta postagem: não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem! Escrevi duas vezes, na primeira, ao salvar, toquei algum botão invisível que simplesmente deletou tudo o que havia escrito. Na segunda, acabou a energia elétrica e novamente, tudo se perdeu. Talvez não devesse tentar a terceira vez, mas como dizem os ingleses : " third time luck!"
Vamos lá. Destino. Implacável, caprichoso, acho que é meio gay, pois age como as mulheres, é impulsivo, às vezes birrento, guarda mágoa. Mas quando decide premiar alguém, hummmm, sai de baixo, porque esta pessoa vai ter muita sorte na vida.
Um dia, no final da década de sessenta, nasceu na Alemanha um menino queixudinho. Quis o nosso amigo Destino, que este viesse parar justamente numa família de classe média germânica ( diferente da nossa classe média, mas aí já é tema para outra crônica) e que o pai dessa família tivesse como emprego ser zelador de um kartódromo municipal. O menino era persistente e sempre gostou de treinar, praticar, aperfeiçoar, como bom alemão. Começou a dar umas voltinhas nos karts dos garotos mais abastados, testando chassis, amaciando motores, "queimando" pneus. Meninos ricos geralmente são preguiçosos. Esse menino a quem o Destino resolvera premiar, começou a correr e a se destacar. Para os carros foi um pulinho e os resultados continuavam a ser bons, muito bons. Nosso amigo Destino, de novo, interfere e decide que uma famosa montadora, da estrela de três pontas, após muitas décadas afastada das pistas de competição, resolvesse criar um programa de apoio a jovens pilotos. Claro que nosso amigo queixudinho era um deles, mas havia outros de maior destaque, como Frentzen e Wendlinger.
Apareceu uma oportunidade de correr na Formula 1, novamente graças ao Senhor Destino, quando uma besta quadrada (e menino rico e filhinho de papai) chamado Bertrand Gachot, piloto da Jordan, resolveu dar uns sopapos num motorista de taxi em Londres. Preso, foi obrigado a perder uma corrida e a montadora da estrela de três pontas resolveu bancar uma corrida para seu protegido, para ver o que dava. Deu. Próxima etapa, compraram o lugar de um brasileirinho bom de braço e ruim de marketing, Roberto Moreno, na Benetton. Lá corria outro brasileiro bom de braço e ruim de marketing, mas com um currículo mágico, Nelson Piquet.
O queixudinho foi bem, e encontrou sua nêmesis, na figura do muito competente e pouco ético Flavio Briatore. Outro componente que reunia doses demais de talento e de menos de ética, Ross Brawn (olha o destino aí novamente) também estava lá.
O maior ídolo e ponto de referência era um terceiro brasileiro, bom de braço e de marketing, e quis o Destino, esse implacável senhor, que uma curva chamada Tamburello estivesse no meio do caminho, sinalizando o fim.
Carros mandrakeados, uma boa dose de malandragem (brasileira por osmose) e um tanto de desonestidade (manobra sobre Damon Hill) e nosso amigo queixudinho tornou-se bi-campeão mundial. Nesse interîm, a maior das equipes atravessava um período de vacas anoréxicas, e precisava de algum catalizador para levantar a moral e os resultados do time. Destino: nosso amigo. Alguns anos de muito treino e determinação, montando a equipe técnica de seus sonhos e nosso herói começou a demolir todos os recordes de seus antecessores. Permanecia um, do mais admirado e invejado, aquele brasileiro que parou na Tamburello: o de incríveis sessenta e cinco pole positions. O Destino ainda lhe colocou dois companheiros de equipe, adivinhem, brasileiros. O primeiro, um ser cordial e por demais dócil, foi fácil de domar. O segundo, inexperiente e promissor, seria o sucessor. Aposentou-se no auge, nosso amigo, com marcas incríveis: sete campeonatos mundiais, noventa e uma vitórias em Grandes Prêmios, pole positions, voltas mais rápidas, voltas na liderança, ele tem todos os recordes.
Outro dia uma revista inglesa publicou uma pesquisa realizada com um monte de ex pilotos de Formula 1, sobre quem seria na opinião deles, o maior. Quis o Destino que o eleito fosse aquele brasileiro que não foi batido, aquele que parou na curva que não deveria existir. Isso foi demais para nosso amigo. Ele tem tudo: a glória, os números, os fatos. Só que sendo tão escravo do Destino, e tão obcecado em ser o primeiro, que resolveu bater outro recorde: morrer no auge, como aquele outro piloto em cujo funeral milhões choraram.
Nosso amigo vai deixar uma confortabilissima aposentadoria, uma vida de príncipe para tentar forçar o Destino a lhe dar o lugar que é seu de direito. Quer ser o maior mártir da história. Assinar um contrato milionário com a marca da estrela de três pontas, num time dirigido por aquele mesmo Ross Brawn que esteve presente nos seus sete títulos, pode apenas ser coisa do.....Destino!

LOTUS (PARAGUAYA) ANUNCIA TRULLI E KOVALENTO


Sinal dos tempos. Antigamente, um piloto de um certo cartel, uma certa estatura, jamais consideraria arriscar sua reputaçao e sua carreira numa aventura. Correr na Formula 1 era o máximo, mas havia limites para isso. Me recordo de alguns pilotos bons, que ao ficarem sem opções para dar prosseguimento às respectivas carreiras, preferiram sair de forma digna. Alguns tentaram voltar, a lista é muito extensa, com diferentes graus de sucesso. Me lembro da "retirada" de Niki Lauda, que nem chegou a completar a temporada de 1979, e que ao voltar para a Mclaren em 1982, despertou muitas dúvidas. Respondeu com o título em 1984, e saiu fora no final de 1985 de novo, ainda competitivo. Alan Jones brigou com Carlos Reutemann e despediu-se no final de 1981, e voltou, gordo e desmotivado, numa Arrows em 1983. Desastre, foi para a Austrália beber cerveja. Retornou uma vez mais em 1986 com um bom projeto (no papel) a Lola de Carl Haas, bancada pela gigante Beatrice Foods e ao lado de Patrick Tambay. As coisas não correram a contento e reputações foram manchadas.
Agora os pilotos na ativa, perdem os lugares, caso de Trulli e Kovalainen e pulam em qualquer canoa furada. No ano passado, quando Rubens Barrichello e Jenson Button aceitaram fazer parte da nova equipe Brawn, era uma boa opção, pois a base da equipe ambos conheciam bem, sabiam que havia algum dinheiro da Honda e havia o Ross Brawn como aval de qualidade. Agora esse tal de Tony Fernandes, que misteriosamente conseguiu inscrever uma equipe onde outros falharam, com um projeto que ninguém viu, pessoal técnico idem, consegue atrair dois pilotos médios da ativa. Sei lá. Trulli sempre foi um piloto mediano, com momentos de extrema velocidade. Kova, é ruim de doer. Mesmo assim, ambos são pilotos que conseguem classificar um carro e levá-lo até o final, portanto, melhor que os tal de Fauzi qualquer-coisa. Eu acho que estou mesmo ficando velho. Adorava os velhos tempos e as incertezas que havia. Me lembro quando Jody Scheckter deixou a então grande Tyrrell e assinou com a novata Wolf, todos comentaram que ele teria cometido suicidio na carreira. Ganhou na estréia e quase papou o título. Nem Trulli e muito menos Kova são do quilate do Jody. Não espero milagres, mas pelo jeito, correr na Formula 1 hoje é tão fundamental, que até um senhor queixudo que já ganhou sete títulos e noventa e uma corridas, quer voltar. Será que ele ainda tem algo a provar?

sábado, 12 de dezembro de 2009

O CARA: SIMPLY THE BEST. THE REAL THING



Eu tinha talvez uns sete anos de idade e morria de medo de meu avô paterno, Raphael. Ele era um homem grande, imponente, forte, "self made man" por excelência, e as histórias a seu respeito o precediam sempre. Ele se sentava na varanda de sua grande casa, na rua Paraná em Ourinhos, onde hoje funciona uma empresa de eventos, e ficava olhando os transeuntes e lendo o seu jornal. Assinava o "Folha da Noite", precursor da Folha de São Paulo e com seus óculos grossos, percorria cada página em busca de informações e novidades. Naquele dia, eu cheguei como sempre, com um adulto, e fui lhe pedir a benção. Ele me chamou para sentar ao seu lado, eu hesitei, porque o delicioso cheiro de sonhos e outros quitutes que vinha de dentro do casarão era como um imã me atraindo. Pegou a folha de esportes do jornal, dobrou e me mostrou uma manchete e uma foto: aparecia um jovem taciturno, ao lado de um carro de corridas, acho que era um Karman Guia, me lembro do patrocínio da Bardhal, e disse: esse rapaz aqui é seu primo. O nome dele é Emerson. Olha uma coisa que você deveria fazer quando crescer: ser pilotos de corrida.
Não creio que entendi a dimensão daquela frase naquele momento. Jamais antes, ou depois, tive um momento desses com meu avô. Ele era fechado, formal, majestoso. Mas naquele momento, por alguma razão, me deu atenção. Eu era o neto homem mais velho, mas nem por isso tinha algum tipo de privilégio, ou coisa assim. Dois anos depois, meu avô estava morto, em fevereiro de 1969, e jamais viu o sucesso daquele rapaz de mãos no bolso, que carregava um sobrenome em comum, com o orgulhoso Rapahel Fittipaldi.
Meu pai já comprava revistas "Quatro Rodas" e "Autosporte" - coleção que em boa parte, intacta, está em meu poder ainda hoje. Os meninos de minha sala de 4ª série zombavam de minha obcessão em desenhar carros de corrida (charutinhos) em meus cadernos. O ano de setenta foi todo dedicado ao futebol. A copa do tri, no país dos militares e do oba-oba só tinha espaço para Pelé, Gerson, Tostão e Jairzinho. Ganhei de meu outro avô, materno, Bernardo Navas - um espanhol corintiano, de quem, quase trinta anos após sua morte, tenho muitas saudades, uma bicicleta Monark "Olé 70". Eu a imaginava uma Lotus 49C! No final daquele ano, Emerson, já na Formula 1 ganhou o Grande Prêmio dos EUA em Watkins Glenn, mas a repercussão aqui foi mínima. Setenta e um foi difícil para ele, pois sofreu um acidente numa estrada, e isso prejudicou sua temporada. Wilsinho e Moco se preparavam para ir para a Formula 1. No começo de setenta e dois, houve a corrida extra-campeonato em Interlagos, e eu com 12 anos queria muito ter ido, mas não consegui. Morria de inveja de quem estava lá, eu conhecia o grid todo de cor e salteado.
A partir do GP de Mônaco, a TV Globo passou a mostrar todas as corridas ao vivo, e isso fez do esporte uma coisa de massa. Emerson dominou o campeonato com aquela linda Lotus negra e se tornou um nome conhecidíssimo. Na escola, as gozações com todos os primos Fittipaldi era inevitável, e a gente levava numa boa. Tínhamos orgulho do sucesso daquele primo distante, a quem nem sonhávamos conhecer pessoalmente.
Fui vê-lo pessoalmente pela primeira vez durante o Salão do Automóvel em setenta e quatro, em Sâo Paulo. Eu, um tímido estudante do interior, prestes a completar 15 anos de idade, que conhecia tudo sobre o ídolo, que quis o destino dividia o mesmo sobrenome, estava na fila de autógrafos, e na falta de coisa melhor, coloquei na mão da moça, minha carteirinha de estudande do "Horácio Soares". No meio daquele monte de papéis e caderninhos em que ele rabiscava seu nome, Emerson levantou os olhos a procurar quem seria aquele garoto e nossos olhos se encontraram. Ele sorriu, acenou e me fez um sinal de positivo. O que aquele gesto significou para mim, foi além do que poderia descrever em palavras. Há muito havia decidido que queria ser um piloto também, e aquilo foi como um incentivo.
Alguns anos depois, ás vésperas de embarcar para a Inglaterra em busca de meu sonho, através de meu querido tio Aldo, recentemente falecido, tive a oportunidade de ir conhecer em pessoa, o meu ídolo. Fomos ao seu escritório na Avenida Faria Lima em São Paulo, e me lembro de seu carisma, suas roupas elegantes, seu perfume importado. Foi super atencioso, e me deu uma carta de recomendação, que aliás já postei aqui, endereçada ao Jim Russell. Na época, 1980, já pensava em aposentar-se como piloto, e a equipe Fittipaldi passava por dificuldades.
Na Inglaterra fui conquistando meu pequeno espaço. Ralava muito, juntava dinheiro e fui fazer a escola de pilotagem. De vez em quando ligava para a fábrica da Fittipaldi em Reading, e Emerson, gentilmente, sempre retornava minhas ligações. Me lembro de uma vez, que me convidou a visitá-lo num sábado, peguei o trem e como combinado, ele mandou alguém para me apanhar na estação. Eu só não esperava, que esse "alguém" fosse o Keke Rosberg, numa incrível Mercedes AMG, que aliás foi super simpático. Naquele dia, na fábrica estavam, além de Emerson, Keke, Chico Serra, piloto da equipe, o Alex Dia Ribeiro, a quem sempre admirei.
Em outra ocasião, Emerson me apresentou ao George Harrison, e eu nem para tirar uma foto ao lado daquele monstro sagrado! Me encontrei com o Emerson durante os testes coletivos da Formula 1 em Jacarepaguá (ainda não me conformo em terem destruído aquele autódromo) em começo de oitenta e quatro, onde também testava o Ayrton Senna. Emerson, naquele dia me apresentou a Tereza, sua nova esposa. Os anos passaram, Emerson virou Emmo, caiu, faliu, levantou-se e sempre mostrou um exemplo de caráter e determinação, de quem é predestinado. Se eu tive um ídolo na vida (e não gosto da idéia de ídolos, afinal somos todos humanos e falíveis ao extremos) este tem um nome: Emerson Fittipaldi. Quero deixar um grande abraço a ele no dia de hoje, em que completa 63 anos de vida vitoriosa, e uma pequena homenagem áquele garotinho de sete anos, que sente saudades de seu avô, que sabia das coisas. A vida é feita de fatos e pessoas. Temos que saber admirar quem tem valor, e através de seus exemplos, ampliar nossas dimensões de viver. Parabéns EMMO!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

COMENTÃRIOS CURTOS E TODAVIA OPORTUNOS SOBRE A OFF SEASON


Movimentada esta época do ano. Muitas definições por acontecer no que diz respeito à composição das equipes, a valsa mal ensaiada entre Silverstone e Donnington, finalmente e felizmente decidida a favor da primeira, a mudança no sistema de pontuação. Ufa!
Começando com os pontos. Cada um tem uma opinião a respeito. Eu particularmente, sendo chato e tradicionalista, me acostumei com o velho 9-6-4-3-2-1, ou seja, do primeiro ao sexto. Correram por este sistema, Wilsinho Fittipaldi, Moco, Alex, Ingo, Serra, Boesel, para ficar só nos brasileiros. A média do Emerson por exemplo, é de 1.95 pontos por GP, isso depois dos desastrosos anos da Copersucar (em termos de resultados, nada a ver com a dimensão do que foi feito, para lá de respeitável). Hoje em dia, um Nakajima ou Alex Yoong qualquer, ao chegar em décimo lugar (não tão glorioso assim, convenhamos) será um "point scorer" na Formula 1. A meu ver, desmerece um pouco a história da categoria e banaliza certas conquistas. Como se para a Copa do Mundo de Futebol, pudessem ser classificadas umas oitenta seleções, ao invés das 32 atuais (que já foram 16 nos tempos de outrora). Sei lá. Vejamos.
O caso de Lucas di Grassi. Como torcedor e brasileiro, fico feliz por ele ter alcançado o tão sonhado patamar. Acompanhei de perto a carreira de quase todos os brasileiros pós-Emerson que chegaram ao "topo do Everest" do automobilismo, a Formula 1. Espantei-me com a rápida ascenção de Boesel, eu que o conhecia pessoalmente dos circuitos ingleses, achava (e ainda acho) o Moreno muito mais piloto, mas o Raul teve seus méritos. Vi o Alex, o Chico Serra, o Ingo Hoffman (que merecia ter tido mais oportunidades) , vi o Moco chegar lá. Me lembro de torcer como um louco para o Wilsinho se firmar na Formula 1, pois conhecia suas qualidades, mas o destino não quis. Num vídeo do primeiro Grande Prêmio do Brasil de Formula 1, que andou circulando pelos blogs na semana passada, podemos ver o "Tigrão" pulando na liderança e a mantendo por duas voltas, num velho Brabham Bt34, liderando seu irmão Emerson, o argentino Reutemann e Ronnie Peterson. Tudo bem que a prova não era válida para o mundial e havia apenas 12 carros no grid, mas ele mostrou que tinha garra e atitude. Lamentavelmente sua carreira nunca realmente decolou. Mas o fato de ser um piloto de Formula 1 era uma credencial em si mesma. Depois, vi outros brasileiros chegando lá: Zonta, Rosset, Bernoldi, Burti, Pizzonia. Confesso que esperava mais de Zonta, de Bernoldi e de Pizzonia.
Por que dar tantas voltas? Bom, quando Massa chegou à Formula 1, não dava um tostão furado por ele ou por seu futuro na categoria. Estava (felizmente) enganadissimo. Seu currículo anterior era bem mais fraco que o de Bernoldi ou de Pizzonia, por exemplo. Senti muito quando Christian Fittipaldi resolveu largar um futuro auspicioso na categoria para ir para os EUA. Outro piloto, a exemplo do pai, que não teve sua merecida oportunidade. Quanto ao Di Grassi, vou ser sincero, e espero estar tão errado quanto estava em relação ao Massa: não acho que vá ser um dos grandes. Já rodou muito, tem bons resultados, mas me parece, sem conhece-lo pessoalmente, um tanto arrogante. Assim como Nelsinho Piquet (que agora, desempregado, parece ser mais humilde, pero no mucho). Humildade e arrogância não têm muito a ver com talento, mas eu ainda prefiro os pilotos estupidamente talentosos e humildes. Simplesmente acho que Di Grassi não é melhor que Piquet, Grosjean e outros do mesmo naipe. Espero sinceramente estar enganado e lhe desejo toda a sorte do mundo.

E LA VAMOS NÓS: MAIS UMA LISTA DO MELHOR


Final de ano é assim mesmo. Eu decidi fazer uma lista do melhor gari que já conheci, do melhor inspetor de alunos, do melhor síndico de prédio, do melhor zelador, da melhor manicure, do melhor guarda de trânsito. Sem demérito algum a estes profissionais. Agora foi a vez da Autosport inglesa, respeitadissima bíblia dos amantes do automobilismo que fez uma pesquisa com mais de duzentos pilotos e ex-pilotos de Formula 1, submento-os a um questionário e a resposta foi: Ayrton Senna. A lista tem no total 40 nomes, e é claro que difere da minha, e da sua, e do Zé Tortinho. Mas é uma lista válida demais, até porque quem respondeu o questionário esteve lá dentro.

1- Ayrton Senna - Brasil
2- Michael Schumacher - Alemanha
3 Juan Manuel Fangio - Argentina
4- Alain Prost - França
5- Jim Clark - Escócia
6- Jackie Stewart - Escócia
7- Niki Lauda - Áustria
8- Stirling Moss - Inglaterra
9-Fernando Alonso - Espanha
10- Gilles Villeneuve -Canadá
11- Nigel Mansell - Inglaterra
12- Emerson Fittipaldi- Brasil
13- Nelson Piquet - Brasil
14- Jochen Rindt - Austria
15-Mika Hakkinen - Finlândia
16- Alberto Ascari - Itália
17-Lewis Hamilton - Inglaterra
18-Jack Brabham - Australia
19-Ronnie Peterson - Suécia
20-Mário Andretti - EUA

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

DIA DO PALHAÇO


Sou um eterno e incorrigível otimista. Levo pancadas, vejo coisas, abano a cabeça, sacudo os ombros e sigo em frente. Sou do interior e tinha medo de circos. Mais especificamente, tinha muito medo dos palhaços. Por que? Não sei dizer, vai perguntar ao molequinho de 6 ou 7 anos que eu era, aliás, aquele molequinho era muito mais sábio que o homem de 50, apesar de que algumas características permanecerem as mesmas. Mas o homem desaprendeu um monte de coisas, as naturais, as mais sábias. Acha que aprendeu um monte de trecos sofisticados, escrever com floreios, tomar vinho, portar-se bem socialmente, discutir temas "relevantes" sem passar vergonha, degustar uns lances que nunca fizeram falta ao molequinho. E vai se iludindo, achando que sabe mais, que é mais esperto, que tem " visão holística". Visão holística o escambau. E para rimar, escambau com Cabral, desde o tempo deste último, que nossa Terra de Santa Cruz é um espaço lindo e cruelmente desigual. Aquelas promessas todas de que aqui " em se plantando tudo dá...." (eita milongueiro esse Caminha) continuam a ser verdadeiras, mas apenas para os capitães das Capitanias, que cada vez mais são hereditárias. Se vocè trabalha, é classe média, paga impostos, não pertence a um sindicato qualquer (em minúsculo mesmo), não formou ou se juntou a uma "panelinha", então você, meu amigo, pertence ao grupo dos Palhaços, assim como eu. Mensalões? Dólares nas cuecas? Nomeaçoes de parentes e apaniguados para os melhores cargos? Filho de ex-ministro das Minas e Energia que se torna multimilionário com informações sobre jazidas que deveriam ser secretas? Ora, se este não é seu caso, junte-se a nós e vamos comemorar nosso dia, hoje e nos outros 364 dias do ano. Impostos escorchantes? Taxas de condomínio altas? Paga impostos em dia, mas precisa ter um bom Plano de Saúde para ser dignamente atendido numa hora de necessidade? Paga impostos, mas precisa pagar escola particular para os filhos, para que estes continuem na ilusão de obter melhores oportunidades? Paga impostos, mas precisa também pagar pedágios caríssimos para circular nas estradas que seus impostos construíram? Opa....carteirinha de brasileiro pro'Cê! E de brinde, a de Palhaço Brasileiro! Bem vindo ao meu clube. Comemoremos juntos!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A VOLTA DOS CUCARACHOS



Eita mundinho este que vivemos. Na década de 50, com o advento das comunicações em massa, e o surgimento da Formula 1, alguns governantes resolveram investir em pilotos de seus países para divulgar os mesmos no exterior. Casos notórios o de Juan Manuel Fangio, que foi bancado pelo caudilho Peron, que entre os muitos milhões que roubou, fez este bom investimento. O governo brasileiro do não menos caudilho Vargas, ensaiou um apoio ao Chico Landi, mas acho que não foi tão eficaz, apesar da habilidade do piloto. Ao longo da história da Formula 1 muitos pilotos foram bancados por governos, ou mesmo por "sponsors" particulares, como o caso de James Hunt, que era financiado pelo Lord Hesketh. Raul "Bozó" Boesel, teve o beneplácito do Presidente Figueiredo, e graças aos bons contatos pulou umas boas etapas para chegar à Formula 1 em 1982 na equipe March, com dinheiro da Embratur e do Café do Brasil. Agora o argentino José Maria Lopez, que é bi campeão da TC 2000 (categoria de turismo argentina) parece estar com o passaporte comprado para o mágico mundo dos grandes prêmios, graças ao governo Kirchner. Segundo o site www.grandepremio.com.br, é 98% certeza que ele será um dos pilotos da gloriosa USF1, equipe do raposão Peter Windsor. Este e seu sócio Ken Anderson devem desembarcar em Buenos Aires ainda esta semana para ter um encontro com a Presidente Cristina Kirchner na Casa Rosada. Quanta prioridade! O próximo talvez seja o tal Pastor Maldonado, piloto aloprado e que é protegido do homem que está destruindo a Venezuela, o caudilhote Chaves. E la nave, vá.

O DIREITO DE OPINIÃO E AS RESPONSABILIDADES DELE


É interessante o poder dos blogs. Todos podemos escrever o que bem entendemos, sem nos lixarmos para um mínimo de coerência sequer. Posso afirmar por exemplo, que vi um disco voador, ou a nova chegada do Messias, ou mesmo que Lula é honesto. Mesmo se contestado, com a parca audiência de meu humilde espaço, as repercussões serão insignificantes
Leio diariamente o blog do Flavio Gomes, que tem um texto primoroso. Quase sempre discordo de suas opiniões não-automobilísticas. Costumava escrever nos comentários, mas parei. Quando ele escreve sobre corridas, carros antigos e coisas assim, dá gosto ler. Quando escreve sobre outros assuntos, política e futebol, eu discordo. É um direito meu. O problema é que o rapaz tem um temperamento meio raivoso, não aceita críticas que os leitores fazem, ou ponderações em contrário. Direito dele, claro. O duro é que ele é incoerente. Hoje ataca os governos do Estado e da cidade de São Paulo. Manda bala. Eu não sou advogado do Serra e muito menos do Kassab, haja vista que nunca morei em São Paulo, capital. Concordo com muito do que escreveu. O duro é que ele usa dois pesos e duas medidas, e não me lembro de ter lido algo a respeito do mensalão petista, uma única linha. Que os Arrudas da vida apodreçam nas prisões e suas almas penem no inferno por toda a eternidade. Agora, que os petistas também paguem e sejam igualmente criticados. Os problemas de São Paulo, mesmo eu não sendo um especialista, existem há muito tempo e boa parte da responsabilidade é da população mal-educada que joga lixo em qualquer lugar. Que os governantes têm responsabilidade, é óbvio. Agora, quando nas mãos do PT, o que houve foi um aparelhamento terrível, assim como hoje acontece nas estatais e nos (inúteis) ministérios e secretarias criados à mancheia pela besta barbuda. Repito, se em meu humilde espaço eu escrever uma barbaridade qualquer, vai gerar no máximo uns quatro ou cinco comentários. Nada. Mas um jornalista com a audiência do Flávio Gomes, precisa ter mais coerência. Ou não.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

CURTINHA: SILVERSTONE GARANTE O GP DA INGLATERRA POR MAIS 17 ANOS



Essa certamente é uma boa notícia para os amantes da velocidade e da tradição: o circuito onde tudo começou, onde se realizou a primeira prova válida para um campeonato mundial de Formula 1, no longíquo 1950, Silverstone, acaba de segurar um acordo com Bernie Ecclestone para continuar a sediar a prova por mais 17 anos. Donnington Park havia feito fortes ataques á posição de Silverstone, e num determinado momento parecia certo que a prova seria transferida para lá. Mas os problemas financeiros, devido ás altas somas exigidas pela FOCA inviabilizaram a transferência de circuito. Na Inglaterra, ao contrário da maioria dos países, a prova é realizada exclusivamente pela iniciativa privada, sem ajuda do Estado. Ponto para Damon Hill, presidente do BRDC e ex-campeão mundial de Formula 1, que sempre manteve a calma e continuou trabalhando em prol da realização da corrida em Silverstone.