sábado, 26 de março de 2011

QUESTÕES DE SEMIÓTICA. SEMIÓTICA PURA OU FALE O QUE LHE DER NA TELHA.


Segundo o bom e velho Michaelis, semiótica é: doutrina filosófica geral dos sinais e símbolos. Na realidade eu a vejo como a aparência externa e muitas vezes "pré-fabricada" de conceitos e imagens que queremos difundir. Muito utilizada, claro, na indústria da propaganda. O cerne da questão aqui, no entanto, é outro: quero falar de dois episódios recentes, não importantes, mas que chamaram a minha atenção. Se estão ligados ou não, cabe ao caro leitor (no singular mesmo, já que minha posterior leitura por obrigação de revisar o que escrevo, não conta....rs).
Desde sempre sou fascinado pela figura, vida e carreira de escritores. Estes indivíduos estão alçados em meu panteãozinho particular na categoria de semi-deuses. Besteira minha, eu sei, muitos são seres desprezíveis e vis. Bebem, batem nas mulheres, não pagam as contas. Mas fica aquela imagem mágica, mítica: o cara (ou a cara) escreve! Pode tudo! Estes dias eu me desencantei um pouco mais com esse paradigma bobo meu: vi uma tal de Clara Aberbuck, de quem tenho ouvido falar com constância (ela é midiática ao extremo- o que não condeno) participando de um programa de TV, o "Troca de família". A participação da dita cuja, ainda que pífia, pode ser excusada. O problema foi o que veio depois: ela tomou um belo par de chifres do marido e veio a público lavar a roupa suja. A mulher botou a boca no trombone em blog e em vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=tfcmoknbF_M) . Além de tudo, a tiazinha escreve mal para burro. Na época em que estamos vivendo, o conceito de privacidade já parece extinto para algumas pessoas. E eu, como um garotinho que admirava escritores, fico triste em ver a demolição do conceito (ou paradigma) de que escritores eram seres dotados de mais sabedoria, sensibilidade, capacidade de viver sem pequenos atritos do dia a dia. Decepção.
O outro evento, também tem a ver com uma mulher. A pilota Suzane Carvalho, ex-atriz, dublê de escritora e dona de escola de pilotagem, deu uma entrevista para a revista Warm Up (virtual) e entre outras pérolas, afirma que "chegou" a Formula 1 e só não correu na categoria porque não conseguiu levantar os 15 milhões de dólares necessários. Calma aí com o andor, tia. Com 15 milhões de dólares no começo ou meados dos anos 90 eu colocaria o Tony Kanaan, o Hélio Castro Neves, o Gil de Ferran, manteria o Christian Fittipaldi, colocaria os irmãos Sperafico e ainda sobrava troco. Ela se diz a campeã sul-americana de Formula 3 de 1992. Só esquece de mencionar que foi na Classe B, onde competia-se com carros mais antigos e contra meia dúzia de gatos pingados. Não estou querendo desacreditá-la, mas os fatos são os fatos. Enche a própria bola esquecendo-se que hoje existe o google de fácil acesso e cruel realismo. Naquele ano o campeão da categoria principal foi o paraense Marcos Gueiros, que posteriormente fez carreira razoável na Europa, e eu nunca o vi clamar que "chegou" à Formula 1. Nem os muitos subsequentes campeões da Classe B ou "light" do campeonato sul americano de Formula 3.
Voltamos ao princípio da semiótica: vale mais o símbolo, a imagem, do que o conteúdo. Cazuza foi mestre em cantar e escrever sobre coisas das quais se apossava, sem tê-las realmente vivido. Por isso nunca gostei do gajo. Toda a sua arte é baseada numa mentira. Gabriel o pensador segue a mesma linha. Sei, sou chato, repetidas vezes criticado por meus amigos pelos meus parâmetros de fidelidade e autenticidade. Mas continuo a achar que a  imagem pública que projetamos, deve ser no mínimo, coerente com a realidade que vivemos. Abrazos, muchachos!

3 comentários:

Rui Amaral Jr disse...

E eu meu amigo como aprendiz de feiticeiro tive vontade de roubar seu texto. Impecavel!
Apesar de não acompanhar esses eventos a que vc se refere sei de toda baixeza deles. A internet é um instrumento maravilhoso quando segue junto com a verdade, pode ser apenas nossa verdade mas a verdade.
Hoje as pessoas expõe coisas que são muito pessoais apenas para ficar em evidencia, é o lixo do bbb que se transformou em cotidiano.

Rui

Um abraço

PS: Ainda penso em me apropriar de seu texto

Cezar Fittipaldi disse...

Rui, aproprie-se. fico lisonjeado que tenha gostado, pela consideração que tenho por você. Abraço, amigo.

Fernanda de Aragão disse...

Pois é... e eu aqui, nesse nada com nada... rsrsrsrs