
sábado, 9 de maio de 2009
SÁBADO: UMA CLASSIFICAÇÃO E UMA CORRIDINHA.

sexta-feira, 8 de maio de 2009
VELHA INFÂNCIA
Velha Infância
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor
Pra gente cantar
E a gente dançar
E a gente não se cansa
De ser criança
Da gente brincar
Da nossa velha infância
Era uma vez a história de dois meninos. Um, negrinho e magrinho, lépido e feliz, pobre de dar dó, mas isso não lhe importava, pois na favela em que vivia havia um enorme campo de terra, onde todas as tardes ele era o rei. Jogava com os da sua idade, com os mais velhos, com os adultos e sua alegria era proporcional à sua habilidade com a bola nos pés. Muitos vaticinavam um futuro para ele como jogador de futebol profissional, mas sua sábia mãe sempre lhe dizia: um homem tem que ter profissão, e sem saber, parafraseava o grande Fernando Pessoa: eu sou da altura do que sonho. Paulo hoje vive em em Brasília, é soldado do corpo de bombeiros, casado, feliz, pai de um casal. Quando lhe perguntam se não se arrepende de não ter tentado a vida no futebol, responde rápido: não era para ser e sei que estou melhor assim. Sua infância foi feliz e sincera, sua vida é normal e saudável e ele nem de longe, desconfia da sábia decisão que tomou.
Outro menino chama-se Nelson e nunca teve opção. Filho de esportista multi-milionário, famoso e exigente, foi o escolhido entre outros seis irmãos para carregar o nome (pesado) do seu pai, e quiçá, repetir e superar seu destino vitorioso nas pistas de corrida da vida. Nunca teve uma infância propriamente dita, pois precisava comer pouco, manter-se em forma, treinar e correr de kart, viajar, sempre tendo em perspectiva quem ele era, e principalmente o que ele era! Sempre cercado de puxa-sacos, assessores, massagistas, pessoas lhe dizendo o que fazer e o que falar, sua biografia não poderia ser mais diferente da de seu pai, que sujou as mãos de graxa, dirigiu Kombis caindo aos pedaços pelas estradas esburacadas do Brasil, morou dentro de um velho caminhão na Europa para economizar e investir o pouco dinheiro de patrocínio na melhoria de seu carro de Formula 3. Ele, mal entrou na Formula 1 pela porta da frente de uma equipe grande, ganhou de presente um jatinho particular, mimo de seu orgulhoso pai.
O menino pobre curtiu sua dura infância. O menino rico, espera um dia poder desfrutar de uma, alguma infância. Por enquanto, arrasta-se de autódromo em autódromo como que para abreviar seu sofrimento, e a exemplo de outro menino, este o Jesus, no famoso poema do gênio Fernando Pessoa, “ fugiu do céu para brincar com ele:
“Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se longe.”
Infância, velha ou nova, é tudo.
EFEMÉRIDES: 27 ANOS DA PARTIDA DE UM PILOTO
O REI DA SEXTA FEIRA, AS POSTURAS DIFERENTES,AS INTERPRETAÇÕES SUBJETIVAS DEMAIS E ETC: BABOSEIRAS PRÉ-O-QUE-INTERESSA!
CURTINHA (DE VERDADE): A ENTREVISTA DE NELSINHO PIQUET Á AUTOSPORT
quinta-feira, 7 de maio de 2009
SORTIDAS, ENSAIO PSICO-FILOSÓFICO SOBRE RUBENS BARRICHELLO.
CURTAS
quarta-feira, 6 de maio de 2009
PETIT PROBLEM - SMALL PROBLEMS - PEQUENOS PROBLEMAS
sábado, 2 de maio de 2009
15 ANOS SEM SENNA: A CONSOLIDAÇÃO DO MITO

o automobilismo para construir sua empresa aérea e depois retornou à bordo da Mclaren, Alain Prost, velocíssimo francês mas àquela altura ainda sem títulos, Keke Rosberg, rápido, marketeiro e já campeão em 82, e num plano um pouco inferior, Nigel Mansell (que á rigor não era levado muito a sério naquela altura como piloto postulante a um título mundial), Elio de Angelis, Rene Arnoux, Jacques Lafitte. Uma mescla de velha e nova gerações, e a chegada de Senna numa equipe média/pequena lhe oferecia a oportunidade ideal de aprender a lidar com as
características da categoria sem muitas pressões. Senna passou direto das corridas de Formula 3, cujos carros tinham em média 165 hp, com corridas de no máximo 30 minutos de duração, para bólidos com mais de 500 hp, e corridas que beiravam as duas horas de duração.O companheiro de Senna era o simpático venezuelano, ex-campeão mundial de motociclismo, Johnny Ceccoto, que não lhe faria frente, mas tinha já um ano de Formula 1. Senna testou um pouco no inverno europeu, e quando as equipes (a maioria delas) vieram ao Rio de Janeiro em janeiro para testar, Senna atraiu grande curiosidade da mídia nacional, mesmo com Emerson Fittipaldi testando um carro da fraquíssima equipe Spirit - que não resultou em nada. Eu estive com amigos no autódromo de Jacarepaguá para assistir aos testes, e fui com dois amigos cariocas. Eles se impressionaram a princípio com o fato de que ao apresentar minha carteira inglesa de piloto, nos foi permitido entrar no paddock. A admiração deles por mim aumentou, quando ao passarmos defronte aos boxes da Toleman, alguém gritou meu nome, e ao virar-me, era o próprio Ayrton, de macacões arriados, suado e tomando um pouco de água. Me dirigi a ele, pulando uma cordinha e apresentando-o aos meus amigos, que não se cansavam de repetir a "experiência" horas depois para outros amigos. Batemos um papo rápido e me lembro de desejar-lhe boa sorte e cheio de confiança afirmar: dentro de alguns anos estarei aqui também. Não era para ser, mas Ayrton estava prestes a escrever páginas inesquecíveis da história da Formula 1 e do automobilismo brasileiro.
O resto, como dizem, é história. Em seu primeiro ano ele já se destacou como um piloto acima da média, inclusive com aquele histórico segundo lugar em Mônaco. No ano seguinte transferiu-se para a equipe Lotus, ao lado de Elio de Angelis, pilotando em minha opinião o carro mais lindo de toda a história da Formula 1, aquela Lotus Renaut negra e dourada, contrastando bem com seu característico capacete amarelo. Lembro-me de uma corrida em Brands Hatch, em 85, eu competia na Formula Ford, o campeonato era patrocinado pela John Player, a mesma tabacaria que patrocinava a equipe Lotus, e além de diversas provas de categorias diferentes, a atração do evento seria uma tentativa de quebra do recorde do circuito Indy de Brands Hatch por Senna e sua Lotus dourada. Lembro-me dele ter vindo, cercado de jornalistas e puxa sacos, colocado o macacão, dado umas duas ou três voltas de aquecimento, o autódromo lotado, parou nos boxes (onde eu me encontrava também, na condição de competidor) ajustado algumas coisas no carro e ao voltar a pista, o locutor oficial de Brands, Brian Jones narrava entusiasticamente a volta da solitária Lotus negra fazendo aquele ballet bonito na aproximação das curvas. Logo na segunda volta ele pulverizou o recorde anterior levando a platéia à loucura. Foi realmente de arrepiar. Depois ele recolheu o carro aos boxes, deu algumas entrevistas e ao despedir-se me avistou ali no meio do bolo e veio me dar um aperto de mãos. Aquela foi a última vez que nos vimos pessoalmente, e ele ainda estava por estabelecer todos os seus recordes.
Ayrton tinha uma obcessão por velocidade, por atingir limites que mesmo em níveis costumeiramente elevados impressionavam. Eu vi muitos pilotos e me admirei com a qualidade técnica de vários. Mas em uma única volta lançada, aquela volta em Brands Hatch, há muitos e muitos anos atrás permanece em minha memória como a volta mais perfeita que tive a oportunidade de ver. Grande Ayrton!
sexta-feira, 1 de maio de 2009
15 ANOS SEM SENNA: 1983 O ANO DA PRÉ-CONSTRUÇÃO DO MITO.


Os radares do escritório da Rede Globo em Londres, capitaneada por Jaime Brito, haviam detectado os resultados de um jovem piloto paulista nas categorias de base. Outros brasileiros já na Formula 1, Chico Serra e Raul Boesel não despertavam muito o entusiasmo da emissora, apesar de Boesel bem patrocinado por empresas estatais (Embratur e Café do Brasil) ter boas conexões pessoais com o doutor Roberto Marinho - por ter sido ginete de sucesso.
Senna assinou contrato para disputar o campeonato britânico de Formula 3 pela melhor equipe da época, West Surrey Racing, comandada por Dick Bennets, um neozelandês taciturno e objetivo. Sua concorrência era pífia (claro que ele nada tinha a ver com isso, o problema era o alto custo da temporada e o surgimento de campeonatos alternativos de Formula 3 bem mais econômicos, como o europeu, o italiano e o alemão). O único piloto que poderia lhe fazer frente no papel e subsequente nas pistas era o britânico Martin Brundle, que jamais havia passado pelo kartismo, tendo começado a competir em algo parecido com o rally cross, depois com carros de turismo (foi companheiro de Sir Stirling Moss e muito elogiado por este em 80).
Pois bem, pela primeira vez tendo tempo hábil para se preparar, Senna não decepcionou, longe disso: venceu as primeiras provas da temporada, disparando na classificação. A bem da verdade ele fez a sua parte, mas o campeonato em si era bem fraco, com a excessão de Brundle e do canadense Allen Berg (com passagem discretissima pela Formula 1 pela Osella anos mais tarde). Eu havia dado uma entrevista ao programa Esporte Espetacular (estava iniciando minha carreira na Formula Ford) para o Luiz Fernando da Silva Pinto, e desenvolvi uma amizade com o pessoal da Globo em Londres. Um belo dia em julho, senão me engano, recebo um telefonema do Reginaldo Leme me perguntando se poderia fazer-lhe um favor. Eles estavam temporariamente sem motorista e precisavam ir a Silverstone entrevistar o Senna. Claro que concordei e no outro dia logo de manhã, peguei a Van da emissora e fomos, Reginaldo, Galvão Bueno (de quem eu jamais havia ouvido falar, pois já estava fora do Brasil há três anos) o cinegrafista e o "cable-man" meu camarada Silvio Motta. A conversa foi legal - claro que quem mais falou, adivinhem, foi o papagaio Galvão.
Chegamos a Silverstone, era um sábado se não me falha a memória, e o Senna já estava treinando com o Ralt branquinho da West Surrey. Quando ele fez uma pausa, veio simpático falar com a gente, e eu fiquei no fundo, batendo papo com o Maurício Gugemin, enquanto Senna era entrevistado. Àquela época não havia internet, as comunicações eram muito difíceis e o Reginaldo sugeriu que eu ficasse ali atrás como "papagaio de pirata" para que meus familiares no Brasil pudessem matar um pouco as saudades.
No final daquele ano Senna foi convidado a testar um carro da Willians e reza a lenda que ele foi mais rápido que ambos, Rosberg e Laffite os pilotos titulares da época. Sei que ele negociou com outras equipes, houve a polêmica do suposto veto de Piquet na Brabham e a eventual assinatura de contrato com a equipe Toleman. A Rede Globo estava feliz, porque apesar de Nelson Piquet ter conquistado o bi campeonato com a Brabham, as apostas da emissora do Jardim Botânico eram todas naquele rapaz tímido e chamado já naquela época pelos ingleses com "magic Senna".