quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Resenha básica sobre o filme Formula 1

 


Ainda sobre o filme F1
 

Às vezes uma simples frase que proferimos, apesar de bem embasada por reflexão e experiencia de vida, nos remete a mais reflexões e aprofundamento da questão. Estou me referindo à minha postagem de outro dia, no Facebook, onde afirmei que o filme F1, com o aclamado Brad Pitt é uma porcaria. Isto, obviamente, não caiu bem com parte dos meus seguidores na rede social, enquanto encontrou eco na outra parte, os mais velhos.

Costumo dizer que sou um purista. E costumo dizer também que vejo, diuturnamente, a diminuição da capacidade cognitiva e intelectual das pessoas ao interpretar fatos, narrativas, filmes, séries, obras de arte em geral. No caso do filme Formula 1, optou-se por uma narrativa rasa, desconectada dos fatos, de forma a servir como veículo para o ator-galã Brad Pitt, do qual ressalvo, sou admirador, em uma de suas atuações mais desastrosas. O grau de canastrice do mesmo só não é pior que o enredo do filme, que a rigor, não existe.

Não é preciso ser expert ou mesmo fã do esporte para saber das incoerências do enredo: a Fórmula 1 é o ápice do esporte a motor e, nos dias de hoje, demanda altíssimo grau de preparo físico e mental. Para exemplificar melhor: há alguns anos (vá lá, muitos anos atrás, rs), o grande Niki Lauda, já aposentado do esporte havia mais de uma década era o chefe da então equipe Jaguar. Insatisfeito com o rendimento de seus pilotos titulares (se não me falha a memória, Irvine e Webber), resolveu dar umas voltas no bólido para mostrar como se faz.  Foi lento, errou, rodou e percebeu que os anos longe do volante não perdoam, mesmo um tricampeão talentoso como ele.

Estamos falando de Niki Lauda, vencedor de nada menos que três campeonatos mundiais, vinte e cinco grandes prêmios e, sobretudo, aquele que abeira da morte após o pavoroso acidente em Nurburgring, recebeu a extrema-unção, quando liderava o campeonato com folga e voltou a correr apenas cerca de 40 dias depois, encharcando sua balaclava de sangue. Sim, um herói real e não de plástico, como tantos que há por aí hoje.

No filme, Sonny Hayes, interpretado por nosso herói das telas, Brad, não pilota um Fórmula 1 há mais de trinta anos, após pavoroso acidente onde ficou jogado no meio da pista. Por curiosidade, o tal acidente aconteceu de verdade com o irlandês Martin Donnely, a bordo de uma Lotus. Pois bem, seu antigo adversário e desafeto, Ruben Cervantes, interpretado pelo ótimo Javier Barden, dono de uma equipe pequena prestes a ser liquidada, o convida a retornar à máxima. Não apenas ele aceita, como mostra o caminho das pedras para o seu jovem e promissor companheiro.

Gente, eu juro que gosto de filmes com reviravoltas, com segundas chances, com redenções e resgate de biografias. Mas, nem forçando muito a amizade, o filme passa qualquer recibo de credibilidade. Fiquei constrangido ao ver pilotos de verdade, ainda que de relance, como lewis Hamilton (aliás, um dos coprodutores da porcaria), Max Verstappen, Fernando Alonso et all.

Além da absoluta falta de credibilidade, as cenas de corrida são toscas, os efeitos especiais pobres e fico a me perguntar onde o diretor Joseph Kosinski investiu os tão propalados milhões de dólares de orçamento. De qualquer maneira o filme foi um sucesso devido a uma bem realizada campanha de marketing e os não fãs devem ter ficado satisfeitos. Eu não gostei da não-história, dos efeitos especiais, da canastrice do Brad Pitt, das muitas imprecisões e aceito opiniões contrárias. Afinal, já estão falando em uma sequência e talvez até, de uma franquia com o tema. Ainda bem que eu já não deverei estar por aqui quando isso acontecer.

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