sábado, 4 de abril de 2009

MINHAS REMINISCÊNCIAS PESSOAIS (4)


Estávamos portanto em fins de 1977. Grandes categorias, grids cheios, o velho e glorioso Interlagos era uma festa. Alguns anos antes tivemos categorias de esporte-protótipos, com a classe mais rápida, acho que Divisão 3, com os enormes Avallone (lembro-me bem de Arthur Bragantini, um verdadeiro bota) e na Divisão até 2 litros, os Polar, Manta, Heve. Vários pilotos bons corriam nessa época, alguns tinham até fã-clubes, os torcedores conheciam os detalhes técnicos e olha, que a Rede Globo nem sabia que havia automobilismo doméstico por aqui.
Começo de 1978, minha vidinha continuava a mesma: estudava, trabalhava esporadicamente, e vivia sonhando dia e noite com automobilismo. Eu vivia na cidade em que nasci, Ourinhos, a quase 400 km de São Paulo, longe de tudo e de todos, ás vezes o pessoal organizava uma corridinha de Kart por lá, não tínhamos grana para participar, meus amigos e eu, mas seguíamos toda a movimentação.
Naquele ano a Formula 1 iria realizar a sua etapa brasileira no novo autódromo de Jacarepaguá no Rio de Janeiro, mais distante ainda. Apesar de ter ido várias vezes a Interlagos assistir provas domésticas, eu ainda não tinha tido a oportunidade de ver um carro de Formula 1 em ação, na pista. Havia visto, claro, em salões do Automóvel, exposições, etc, mas não na pista. Combinei com meu amigo Mané português, que era ponta firme e não me deixava na mão, meses antes. Economizamos tudo o que podíamos e na terça feira antes da corrida, saímos de Ourinhos de carona de um velho caminhão FNM, cuja velocidade de cruzeiro raramente excedia 50 km por hora. Mas em cavalo dado, não se olha o dente, portanto....
Após mais de dez horas de viagem, o motorista nos despejou em algum lugar perto do centro, rumamos então para a rodoviária da Luz e tomamos um ônibus para o Rio. Ambos com cerca de 18 anos (Mané um pouco mais velho, mas continua a ter 18 anos hoje, rs), cansados, com fome, vontade de tomar um banho, enfim....Ao chegar a rodoviária do Rio, bem cedinho, fomo á uma lanchonete e pedimos uma média, coisa de paulista. Puxei conversa com uma mulher muito simpática que nos explicou como fazer para chegar ao autódromo, na realidade muito longe dali.
Depois de mil peripécias, trocas de ônibus, informações erradas e etc, finalmente chegamos ás cercanias do autódromo, naquela época um lugar deserto e muito longe da zona sul. Caminhamos com nossas desajeitadas mochilas em direção ao muro do autódromo quando de repente, eu jamais vou me esquecer daquele instante, eu ouvi o ronco de um motor de Formula 1 pela primeira vez. Era um zumbido, que vinha num crescendo e a mim parecia a mais linda das melodias executada pela orquestra mais competente do mundo! Corri feito um doido, daquelas cenas de filme, e ao chegar perto da muralha, não hesitamos, apoiando-nos um no outro, pulamos para dentro do autódromo, que portão que nada! O carro solitário que fazia algum ajuste naquele começo de manhã era o Surtees branco e laranja de um de meus ídolos Vittoria Brambilla, com o patrocínio costumeiro da Beta. O Carro vinha falhando na reta, ele reduzia, e nós dois, intrépidos caipiras, com mochilas cheias de tranqueirias e mantimentos, nem ao menos portávamos uma máquina de fotografia. Nos aproximamos bastante, e de repente, outro trovão: uma linda Ligier Matra azul rasgando a reta, sem falhar e com aquele zumbido característico que encantava a todos. Depois disso, foi festa, mas eu ansiava em ver o Copersucar amarelo de meu ídolo-mor, Emerson, e não demorou para que meu desejo fosse atendido. Fomos caminhando ao lado da pista como quem não quer nada e se me recordo bem, naquela noite dormimos os dois no autódromo mesmo, nas arquibancadas. Me lembro que no dia seguinte, imundos, com fome, decidimos procurar um hotel, mas não queríamos ir muito longe, portanto chegamos os dois caipiras, a pé num motelzinho de terceira classe. O preço era razoável, e quando falamos para o atendente que sim, queríamos o quarto, ele nos olhou de alto a baixo, avaliando talvez quais papéis iríamos desempenhar respectivamente naquele noite.....rs.....foi divertido, mas o "maledeto" do portuga ronca demais. A viagem foi tão excitante, vimos tantas coisas magníficas, passeamos pelos boxes, pedimos autógrafos, de repente estávamos a dois passos de Carlos Reutemann, de Niki Lauda, de James Hunt (outro piloto que eu sempre gostei), do próprio Emerson, sempre muito assediado, que decidimos voltar para casa no sábado mesmo, antes da prova. Já tínhamos atingido nosso objetivo de ver os carros e os pilotos de perto, e a prova seria melhor vista pela TV mesmo. No dia da corrida Emerson chegou num memorável segundo lugar atrás da Ferrari de Reutemann, o melhor resultado da história da equipe. Eu não estava lá, mas poderia ter estado, optei por voltar. Não gastei um centavo com ingressos, e me diverti muito!

Diego Nunes vence GP2 em Sepang





Notinha pouco divulgada, pelo que vi pelos sites brasileiros: Diego Nunes da Piquet Sports conseguiu uma boa vitória na prova de GP2 em Sepang na Malasia, assistido pelos dois Nelson Piquets, pai e pimpolho.
Resultado da prova:

1.  Diego Nunes           Piquet      1h00:46.668  2.  Kamui Kobayashi       DAMS         +    8.361  3.  James Jakes           Super Nova   +    9.150  4.  Roldan Rodriguez      Piquet       +   13.874  5.  Yelmer Buurman        Ocean        +   16.805  6.  Vitaly Petrov         Campos       +   41.457  7.  Pastor Maldonado      ART          +   42.007  8.  Davide Valsecchi      Durango      +   42.381  9.  Hamad Al Fardan       iSport       +   51.152 10.  Rodolfo Gonzalez      Fisichella   +   53.240 11.  Alvaro Parente        Meritus      +   54.435 12.  Sakon Yamamoto        ART          +   59.958 13.  Michael Herck         DPR          + 1:01.473 14.  Giedo van der Garde   iSport       + 1:02.518 15.  Fabrizio Crestani     Ocean        + 1:11.958 16.  Giacomo Ricci         DPR          + 1:34.318 17.  Ricardo Teixeira      Trident      + 1:50.428 18.  Michael Dalle Stelle  Durango      + 1:51.455 19.  Javier Villa          Super Nova   +    1 lap 20.  Kevin Chen            Fisichella   +    1 lap 

Vamos acompanhar isso com atenção. Não sei de onde surgem tantos pilotos bons nesse Brasil em que os dirigentes teimam em ser tão ruins.

RÁPIDAS E RASAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O GRID PARA O GP DA MALÁSIA



Bom, assisti pingando de sono na SportTV o treino para o Grande Premio da Malasia, mas o que me lembro bem mesmo, foi a entrevista coletiva dos três primeiros classificados.  A primeira coisa que me chama a atenção é o enésimo erro da Ferrari em relação à estratégia de Felipe Massa. Vão abusar de errar assim lá longe, sô! Ele vai ter que se esforçar bastante para tirar algum proveito real do final de semana, e como não marcou pontos na abertura do campeonato (assim como seu companheiro Kimi) , se não pontuar amanhã, a pressão começa a subir. 
Eu particularmente gosto do atual sistema de classificação da Formula-1, acho bem emocionante. Os mais lentos vão sendo eliminados e os verdadeiros botas ficam para o final para decidir quase no mano-a-mano quem realmente tem velocidade, além da estratégia de corrida correta. Mas na primeira parte, onde ficam os calouros, ficarmos sem dois dos très brasileiros, foi um pouco demais. Nâo sei o que está acontecendo com o Nelsinho, mas certamente ele não está em seu elemento na Formula 1 e tampouco na equipe Renault. Sempre tive os dois pés atrás em relação à pilotos fabricados (apesar do Hamilton) e acho que  a pressão por aqueles lados logo será insuportável. Parece que ele está pagando a língua comprida do pai, o coitado. Quanto ao Rubinho fez um treino razoável e com a punição por ter trocado o câmbio, vai sair mais atrás do que deveria, mas acho que recupera essas posições com facilidade. O que ele não pode e não deve é deixar o Button gostar de ganhar corridas...
Vettel dispensa comentários, dele tudo já se falou e disse, e eu acrescento, sou seu fã, pois ele me lembra algo de pilotos que eu gostava muito dos anos 70. Foi punido, vai largar mais atrás, mas vai dar trabalho na corrida. As duas Toyotas estão bem e seus pilotos idem, ponto para Glock a quem eu não dava um tostão furado. Gostei de ver o Bordais (a quem ainda reputo como um dos melhores da atual safra) colocando tempo no furacão Sheik Buemi, Webber, leãozinho bocudo de treinos ali pelo meio, Rosberg mostrando alguma esperança para a Willians, e o resto, só saberemos quando as luzes se apagarem! Boa corrida á todos, em especial aos brasileiros.

OSDRIVERNATIONALITYENTRANTTIME1.Jenson ButtonBritainBrawn GP-Mercedes1:35.1812.Jarno TrulliItalyToyota1:35.2733.Sebastian VettelGermanyRed Bull-Renault1:35.5184.Rubens BarrichelloBrazilBrawn GP-Mercedes1:35.6515.Timo GlockGermanyToyota1:35.6906.Nico RosbergGermanyWilliams-Toyota1:35.7507.Mark WebberAustraliaRed Bull-Renault1:35.7978.Robert KubicaPolandBMW Sauber1:36.1069.Kimi RaikkonenFinlandFerrari1:36.17010.Fernando AlonsoSpainRenault1:37.65911.Nick HeidfeldGermanyBMW Sauber1:34.76912.Kazuki NakajimaJapanWilliams-Toyota1:34.78813.Lewis HamiltonBritainMcLaren-Mercedes1:34.90514.Heikki KovalainenFinlandMcLaren-Mercedes1:34.92415.Sebastien BourdaisFranceToro Rosso-Ferrari1:35.43116.Felipe MassaBrazilFerrari1:35.64217.Nelson PiquetBrazilRenault1:35.70818.Giancarlo FisichellaItalyForce India-Mercedes1:35.90819.Adrian SutilGermanyForce India-Mercedes1:35.95120.Sebastien BuemiSwitzerland
Toro Rosso-Ferrari
Ah, o bolão: desculpe, Bruno não entrei no seu, mas vou arriscar aqui  alguns palpites:
1- Button
2- Rubinho
3- Alonso
4- Rosberg
5- Trulli
6- Kimi
7- Massa
8- Nelsinho.
1:36.107

Só para não deixar passar em branco!!!

Esses dois veneráveis senhores, na ilustre companhia de dois outros senhores que já não estão mais nesse plano, fizeram a minha vida ser um pouquinho melhor com certeza. Thanks a lot, guys!

MINHAS REMINISCÊNCIAS PESSOAIS (3)

Nelson Piquet e Ricardo Achcar


Estou cansando meus poucos leitores, mas prometo que acabo logo com essa tortura e vou me concentrar em assuntos mais profícuos para o blog. Deixem-me no entanto, tal qual garotinho a curtir um novo brinquedo (meu blog) a saborear momentos de nostalgia pessoal.
Entre 1975 e 1976, estive algumas vezes em Interlagos assistindo provas de monopostos, turismo, marcas, etc. Lembro-de de uma prova de Divisão 1, vencida pelo Atila Sipos em que ele veio pela reta dos boxes acendendo e apagando os faróis de seu Passat, eu vibrava e sonhava um dia estar dentro de uma pista. Filho de família de classe média do interior, minhas perspectivas reais eram próximas do zero, mas eu sonhava acordado e adorava aquele ambiente cheirando a gasolina e óleo. Entre os pilotos de Formula Super Ve, sempre gostei de um tal de Nelson Piquet (antes Piket) e nem sonhava no que ele viria a se tornar. Admirava o Chiquinho Lameirão, o Marcos Troncon, o Ingo Hoffman (outro que também eu jamais imaginei se tornaria um ícone), o Júlio Caio de Azevedo Marques, Luiz Moura Brito. Uma vez num salão do automóvel, moleque atrevido que era, com meus 15 ou 16 anos, fiquei chavecando a linda recepcionista do estande dos Escapamentos Norma, uma morena escultural, que anos depois, se tornaria Miss Chico Anísio, Alcione Mazzeo. Simpática e linda, ela deve ter aguentado muitos moleques do interior sem assunto e "muito" interessados nos detalhes técnicos constantes dos folders dos escapamentos...
Nesse mesmo salão, fui muito gentilmente atendido no pedido de um autógrafo pelo José Pedro Chateaubriand, um bota que infelizmente, segundo consta, faleceu em circunstâncias meio obscuras.


Naquela época o Brasil tinha bons campeonatos nacionais e alguns regionais de bastante significancia. No turismo, tinhamos Reinaldo Campelo, Edgar de Mello Filho (hoje jornalista e meio mala, mas um bota e tanto), Luizinho, Marivaldo Fernandes, Atila Sipos, Luiz Otavio Partenostro, Amandio Ferreira o gigante, Edson Yokishuma, Bob Sharp, Paulão Gomes, mais um monte de gente boa.
Nas formulas tinhamos os astros Piquet, Alfredo Guaraná Menezes, um certo Fernando Jorge, de meteórica carreira e que sumiu, Mario Patti, o Keko, a quem conheci muitos anos mais tarde em Londrina, em visita a meu amigo Thales Polis, Pedro Muffato, Mauricio Chulam, Antonio Castro Prado (grande piloto que faleceu tragicamente em treinos) Ronaldo Ely, são tantos os nomes que acabo me perdendo aqui e sinto falta de minhas revistas.
Em 1977 um certo General decidiu proibir as corridas de automóveis e motocicletas no Brasil de vido a uma das crises internacionais de petróleo, e os dirigentes e preparadores, unidos, acharam uma solução criativa: adotar o alcool como combustível o que salvou seus empregos e desenvolveu o programa do governo em vários anos.
Lá fora, Emerson já bi campeão mundial pela Mclaren em 1974, vice em 1975, decidiu tentar uma cartada arriscada: pilotar o carro de sua família, o Copersucar (denominado por seu patrocinador) que Wilsinho valentemente toreou pelas pistas do circuito mundial durante 1975, sem sucesso. Quando o carro foi lançado em fins de 1974, no salão negro do Congresso Nacional em Brasília, causou estupor, pois o projeto do grande Ricardo Divilla era nada menos que revolucionário, linhas aerodinâmicas muito limpas e belíssimo, inclusive em sua pintura. Na estréia na Argentina, Wilsinho bateu no começo da prova e o carro incendiou-se, fazendo com que Emerson, que viria a ser o vencedor do Grande Prêmio, chegasse a pensar em parar e ver como estava o irmão. No Brasil, o carro sofreu algumas modificações, especialmente na traseira e durante o ano sofreu de uma crônica falta de potência de seus motores Cosworth, muitos inclusive acreditavam em boicote ( eu me incluia entre eles, hoje não estou bem certo).
Pace já na Brabham tinha um ritmo de corrida invejável, mas padecia de falta de preparo físico e após vencer numa gloriosa tarde o Grande Premio do Brasil de 1975 em Interlagos, no autódromo que depois merecidamente teria o seu nome, não encontrava consistência para duelar pelo título. Em 1976 a Brabham do folclórico Bernie Ecclestone resolveu usar motores Alfa Romeo, muito potentes, mas pesados e beberrões e o ano foi perdido, a ponto de Reutemann abandonar a equipe e ir para a Ferrari após o quase fatal acidente de Niki Lauda em Nurburgring. Em 1977 Pace começou a temporada de forma auspiciosa, liderando na Argentina e finalmente chegando em segundo lugar, só perdendo a ponta por problemas de condicionamento físico. Mas infelizmente, após liderar o GP do Brasil, ele veio a falecer num triste acidente de avião com o amigo e também piloto Marivaldo Fernandes.
Nessa época tinhamos uma legião de pilotos brasileiros correndo na Europa, os destaques da mídia eram todos para Chico Serra fazendo uma boa campanha na Formula Ford inglesa - com uma invejável assessoria de imprensa ele ofuscava os bons resultados de Nelson Piquet na Formula 3 européia, o que fez com que este, resolvesse ir correr na Inglaterra na temporada de 1978 e enfrentar o prodígio Serra de igual para igual. Mas aí é outra história. Eu lia sobre os "outros " brasileiros, Mario Ferraris, Carlos Abdalla, Aryon Cornelsen Filho, Bolivar de Sordi, gente com menos exposição na mídia, mas que estavam batalhando um espaço no velho continente. Como eu percebia que jamais teria chance de correr aqui no Brasil, mesmo em karts, devido à minha falta de grana, sabia que a alternativa, por mais maluca que parecesse, seria ir para a Inglaterra, e por isso saboreava as narrativas da revista Autoesporte sobre os brasileiros que tinham menos evidência, mas que competiam nos vários campeonatos de Formula-Ford por lá. Mal sabia eu, minha hora de juntar-me áquela verdadeira legião de abnegados estava chegando...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

MINHAS REMINISCÊNCIAS PESSOAIS (2)















Bom, estávamos em 1972, espero não aborrece-los com isso. Em 1973 Emerson começou o campeonato de forma demolidora, ganhou na Argentina (muitos consideram essa a sua melhor prova); e nós leitores da revista 4Rodas, tínhamos o privilégio de ler suas narrativas das provas, que saboreávamos, mesmo com um mês de atraso. Voltando um pouquinho atrás, a narrativa dele em primeira pessoa da prova em que venceu o GP da Belgica em Nivelles em 72, é um clássico, vou tentar resgatar a revista (que ainda tenho) e transcrever algumas passagens. Ele observava Regazzoni e a Ferrari á sua frente e fazia tentativas de ultrapassagem em lugares em que sabia não ia ser possível, deixando o suiço alerta. No único ponto da pista onde ele achava que poderia ultrapassar, ele não tentava, até que na 32ª volta, senão me engano (lá se vão mais de 35 anos, perdoem-me as ocasionais falhas de memória) ele percebeu que Rega deixou uma brechinha maior e deu o bote! Eu lia e relia, podia me sentir dentro dos carros junto com os pilotos. Quando a revista chegava na cidade, corríamos á banca e comprávamos na hora, deliciando-nos com as narrativas. A Autoesporte também era ansiosamente aguardada, mas passou por umas fases meio ruins nessa época, até um pouco mais tarde quando o Zamponi e o Lito Cavalcanti darem uma melhorada na bagaça.
Bom, como eu ia dizendo 1973 foi um ano que começou bem para nós brasileiros, mas não terminou tão bem assim, Emerson tendo sido derrotado por Stewart, sendo que sua equipe a Lotus pareceu privilegiar o sueco Peterson na segunda metado do campeonato. Pace, correndo pela Surtees (equipe aliás, a qual eu nutria enorme simpatia, e muitos anos mais tarde tive a oportunidade de bater um longo papo com sir John Surtees, mas isso é outra história) fazia o que podia, mostrando flashes de brilho, mas o carro era muito frágil. E claro, havia Wilsinho na 13ª Brabham ( to brincando, ele era o segundo piloto do Reutemann, mas havia tamanha diferença de tratamento que parecia outra categoria, um abismo mesmo) para quem eu nutria e nutro uma predileção especial: poxa, o cara chegou a ser considerado o piloto numero 1 do Brasil, nos anos 60, de repente um irmãozinho menor, um tal de Rato vem e toma conta de tudo! Deve ser frustrante e muito difícil manter a motivação, mas o Tigrão sempre se mostrou um cara de um caráter impecável!
Enfim, termina 1973 com o Emerson como vice-campeão, o que cá entre nós não era nada mal, mas estávamos insatisfeitos, e foi com enorme alegria que soubemos que ele estava se transferindo para a equipe McLaren, trazendo junto o cash da Marlboro, que até então patrocinava a equipe BRM com seus cinco ou seis carros. Ele ocupava o lugar de Peter Revson ao lado do Denny Hulme, que áquela altura da vida só queria mesmo sombra e água fresca, saudoso urso! Para a vaga de Emerson na Lotus, ao lado de Peterson, foi contratado outro piloto que eu gostava muito, o belga Jacky Ickx, mas essa não seria uma parceria produtiva. Pace continuava na Surtees e Wilsinho começou a desenvolver o projeto do Formula 1 brasileiro, afastando-se temporariamente das pistas. Interessante foi que naquela época a Folha de São Paulo dava notícias quase diárias do desenvolvimento do projeto, cobrindo os primeiros testes de pista, com excelentes reportagens, que eu recortava e guardava numa pasta, e que recentemente, numa de minhas mudanças de casa, se perderam.
Meus amigos e eu continuávamos a seguir ávidamente as provas e nessa época comecei a ir a São Paulo, Interlagos, assistir "in loco" as provas de Formula Super V, Divisão 3, Turismo. Eu nunca pagava ingressos em Interlagos, bastava um pouco de lábia para entrarmos de graça, e íamos até os boxes onde nos mesclávamos com os mecânicos, pilotos etc. Bons tempos, sem dúvida.


GP DA MALÁSIA, SEPANG: PRIMEIRAS IMPRESSÕES.



Confesso envergonhado, ter sido vencido por Morfeu, o deus do sono e me entreguei, não sem alguma relutância, aos seus braços envolventes  na noite passada, privando-me do prazer de ver as máquinas em contato com a pista pela primeira vez. Portanto tudo o que sei é o que li e isso, para um chato sem galochas como eu, nem sempre é o suficiente.
Barrichello deve perder 5 posições no grid por precisar trocar a caixa de câmbio, normal. As Ferraris mostrando velocidade inicial, normal, afinal elas têm dominado nos últimos anos em Sepang. Mclarens esboçando alguma reação com o 9º tempo de Kovalainen e o 11º do pinochio Hamilton. Trulli um pouquinho atrás com a Toyota. Nelsinho, uma vez na vida um pouco mais rápido que seu companheiro Alonso. 
De tudo e tudo, pouco conclusivo eu diria, e aposto em mudanças radicais na configuração do grid para os treinos decisivos da madrugada. Esperemos.

Friday Practice Session 2
POSDRIVERNATIONALITYENTRANTTIME
1.Kimi RaikkonenFinlandFerrari1:35.707
2.Felipe MassaBrazilFerrari1:35.832
3.Sebastian VettelGermanyRed Bull-Renault1:35.954
4.Nico RosbergGermanyWilliams-Toyota1:36.015
5.Mark WebberAustraliaRed Bull-Renault1:36.026
6.Rubens BarrichelloBrazilBrawn GP-Mercedes1:36.161
7.Jenson ButtonBritainBrawn GP-Mercedes1:36.254
8.Kazuki NakajimaJapanWilliams-Toyota1:36.290
9.Heikki KovalainenFinlandMcLaren-Mercedes1:36.397
10.Nelson PiquetBrazilRenault1:36.401
11.Lewis HamiltonBritainMcLaren-Mercedes1:36.515
12.Jarno TrulliItalyToyota1:36.516
13.Sebastien BuemiSwitzerlandToro Rosso-Ferrari1:36.628
14.Timo GlockGermanyToyota1:36.639
15.Fernando AlonsoSpainRenault1:36.640
16.Adrian SutilGermanyForce India-Mercedes1:36.875
17.Robert KubicaPolandBMW Sauber1:37.267
18.Sebastien BourdaisFranceToro Rosso-Ferrari1:37.278
19.Giancarlo FisichellaItalyForce India-Mercedes1:37.432
20.Nick HeidfeldGermanyBMW Sauber1:37.930


quinta-feira, 2 de abril de 2009

DO FUNDO DO BAÚ REMINISCÊNCIAS PESSOAIS (1)



Sem nenhuma razão em especial, resolvi republicar aqui alguns posts antigos, como que para justificar meu blog. Vou colocar como foi ao ar, sem corrigir, e já detectei falhas....rs....só para ir lembrando!


Acredito que todos nós vivemos um determinado momento em nossas respectivas vidas em que algo nos chama a atenção e fulmina como uma paixão, que nem sempre sabemos áquele instante, será eterna. Minha quase fixação pelo automobilismo começou há muito, muito tempo atrás, e vou tentar descrever os fatos da melhor e mais objetiva maneira possível. Para um sagitariano, mistura de sangues espanhol e italiano, ser objetivo é um desafio e tanto....
Meu pai tinha uma pequena oficina de lambretas, vespas e assemelhados, e eu adorava flanar (essa palavra é ótima também.....hehe) por ali. Entre outras coisas eles preparavam algumas magrelas para competições em cidades do interior do estado de São Paulo, não me recordo de ter assistido a nenhuma ao vivo, mas adorava o cheiro de gasolina, de graxa, e principalmente, as conversas derivadas das corridas. Além disso, havia a pilha de revistas "Mecânica Popular", Quatro Rodas, Autoesporte e outras em casa, que eu escondido, fuçava e conhecia de cor. Na verdade, ainda possuo a maior parte dessas revistas, e o simples folhear em um exemplar me trás recordações preciosas. Vagamente sabia da existência de algum primo distante que corria de carros e parece, era bom no que fazia, de nome Wilson. Meu avô paterno, Raphael, um homem grande e grave, com óculos incrívelmente grossos e uma postura que me dava muito medo, um dia me chamou e mostrou uma matéria no jornal Folha da Manhã (precursora da Folha de São Paulo) onde os irmãos Fittipaldi apareciam ao lado de um fusquinha de corrida, com o número 7.
Alguns anos depois, aquele cara, magrinho e com nariz típico de nossa família foi para a Europa e o resto é história. Acompanhei pelo rádio a sua primeira vitória na Formula 1 em 1979, no GP dos Estados Unidos em Watkins Glen, e vivia pintando carros de corrida nos meus cadernos escolares. Eu era um tipo e tanto: magrelo, pouco sociável, metido a intelectual. leitor ávido de jornais e revistas, destoava dos outros garotos por não ligara tanto para futebol e sim, por um esporte que poucos conheciam naquela época, principalmente no interior.
Com o sucesso de Emerson, a Formula 1 começou a ser transmitida pela televisão brasileira, me lembro do primeiro Grande Premio do Brasil em Interlagos, em 1972, não valia para o campeonato, Emerson dominou com sua linda Lotus preta e dourada, apenas para quebrar próximo ao final, dando a vitória de bandeja para o argentino Carlos Reutemann, da Brabham . Pelo menos Wilsinho, com outra Brabham, chegou em terceiro. (Estou escrevendo isso sem consultar nenhuma revista ou site, portanto, perdoem- me por alguma provável imprecisão.
Acredito que a flecha fatal tenha sido disparada por essa época, mas eu sentia uma espécie de cíumes de outros também gostarem daquele esporte exótico que eu havia descoberto primeiro, e tinha pouquíssima paciência para as opiniões de leigos (assim eu os via) no que se referia a pilotos, carros e corridas.


O ano de 1972 foi fantástico para nós brasileiros, fans de automobilismo: Emerson venceu cinco vezes, derrotou o bambambam da época Jackie Stewart, outros grandes como Jack Ickx, Denny Hulme, Clay Regazzoni etc e sagrou-se o mais jovem campeão mundial da história (honraria esta que só viria a ser superada por Fernando Alonso em 2005, ou seja, mais de 30 anos depois). A grande imprensa descobriu a Formula 1 e o automobilismo em geral. Torneios internacionais se realizavam aqui no Brasil, outros grandes pilotos nacionais mediam forças com os melhores estrangeiros. Luiz Pereira Bueno, Carlos Pace, Lian Duarte, Fritz Jordan, Wilsinho Fittipaldi e tantos outros que fizeram parte do imaginário de minha infância. Dos estrangeiros me lembro sempre com carinho do Ronnie Peterson e sua incrível habilidade nas curvas. Gostava do Tim Schenken, um australiano quietão que ficou no caminho das promessas ( quero voltar ao tema: aqueles que não vingaram no caminho da glória e os motivos), gostava dos franceses, Cevert "o homem mais belo do mundo", gostava de Beltoise, de Depailler. Torcia pelo pequenino grande Arturo Merzario, admirava o Mario Andretti.
O texto está ficando meio longo, quero voltar a ele oportunamente. Por enquanto me desculpem aqueles que esperavam algo mais...digamos, profissional, mas essas reminiscências afloram de forma espontânea e meio sem nexo.

EXTENSÃO DO PRIMEIRO DE ABRIL:DIA DA MENTIRA NO DIA 2 TAMBÉM!!!!








Caraca! Quem diria, hein?  Tantas coisas para comentar no quesito mentira (s). A começar pela patuscada da equipe McLaren e seu pimpolho "world champion" Hamilton. Feio. Feio sim, para uma equipe campeã, com uma imagem já maculada pelos casos de espionagem de dois anos atrás, fazer o que fez no GP da Austrália. Isso não significa dizer que o Lewis Hamilton não seja um grande piloto, mas coloca uma pitada de dúvida em relação a seu caráter. Oportunamente podemos criar uma coluna dos "Pilotos-canalhas" e o nosso amigo alemón Schummi me vem logo a mente como pole-position nesse quesito também....vai gostar de ser o primeiro assim lá na....Alemanha!
Quanto ao Hamilton, debaixo de mil lupas poderosíssimas, uma escorregadela no sentido técnico (como Prost fez num memorável GP de Sâo Marino em que rodou na volta de apresentação, ou mesmo o nosso Massa em sua atrapalhada corrida no GP da Inglaterra do ano passado) passa e todos relevamos. Gostamos de dizer que pilotos são humanos, podem falhar, essas coisas. Agora, quanto ao caráter....ele está mais para Maradona = ixe....desse eu falo já, já, do que para qualquer outro. Um homem, um esportista, tem que ter em mente que é sempre melhor falar a verdade, e ter gestos nobres, do que tentar ludibriar a todos em prol de seu único objetivo de ser o melhor. Estamos ainda no primeiro Grande Premio do ano, há tempo bastante para se recuperar e isso me faz lembrar do incidente (?) com Glock em Interlagos, no ano passado e sim, suspeitar da lisura da ultrapassagem de Hamilton sobre o tedesco da Toyota nos últimos metros daquela inesqueciível  corrida em Interlagos. Outros já abordaram esse assunto e, apesar de reconhecer o talento do prodígio inglês, não nutro muita simpatia pela equipe McLaren e tampouco por Ron Dennis. Fico feliz pelo Trulli que fez realmente uma bela prova e torço para que a equipe Toyota alcance finalmente sua primeira vitória na Formula 1.


Quanto ao nosso amigo Maradona, o que dizer da acachapante vitória do time boliviano sobre a seleção de "el pibe" por 6 a 1, ontem nos pícaros de La Paz? (adoro a palavra acachapante e ansiava por usa-la...rs) A empáfia característica de nossos (nossos não, que eu não tenho nada a ver com esse povo do sul - vostros) hermanos deve ter tomado um duro baque ontem, e eu gostei ....porque ainda tenho engasgado a Copa do Mundo de 1978, roubada descaradamente por eles, e aquela história do Helio Castro Neves na final do campeonato Sul Americano de Formula 3 em 1993, quando dois ou tres pilotos argentinos simplesmente "pararam" seus carros na pista, para que um compatriota deles chegasse em terceiro na pista e conquistasse o título do ano. Lembro-me que a FIA puniu as equipes, os organizadores, mas o que mais me chamou a atenção na época, foi a naturalidade com que a imprensa argentina aceitava a total falta de ética, como natural para obter-se resultados. Mais uma portanto, em homenagem ao dia da mentira. Agora, olhar na internet e ver, logo no dia primeiro de abril a seguinte manchete " Bolívia goleia seleção da Argentina por 6 a 1" me pareceu mentira mesmo!
Outra grande mentira foi dita pelo presidente norte-americano e ainda "darling da mídia" Barack Obama. Segundo ele,  "Lula é o cara", e com isso eu nunca vou concordar, a menos que estivesse se referindo em conotação com o dia da mentira e nosso pinóquio presidente. Aquele mesmo que nada viu e nada soube em relação ao mensalão, aos dólares na cueca, às marolinhas da crise..... Bem explicado ficou a negativa do senhor Paulo Maluf sobre jamais ter tido contas em bancos do exterior. Ontem foram devolvidos ao Brasil 5 milhões de dólares de um banco na Suiça, frutos da corrupção do senhor Maluf  "et caterva". Eu acho que vou assumir a titulariedade dessa conta, processar o banco suiço e ficar com a grana, sempre em concordância com a onda de mentiras que assola o planeta. Ufa....que chegue maio!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

DIA DA MENTIRA: SÓ HOJE?



Legal isso de escolhermos um dia específico para chamarmos de "dia da mentira".  Pelo que deduzo de minha experiência cá no planetinha, quase cinco décadas embarcado, dia da mentira é todo dia. Mentimos todos, aos poucos, aos montes, atacado e a granel. Enquanto ficamos no plano privado e particular de pequenas mentiras (não posso agora, estou ocupado; estou com dor de cabeça; eu ia te ligar agora mesmo....e por aí vai) tudo bem. Duro mesmo é aceitar e de certa forma compactuar com as grandes mentiras, que ao serem repetidas indefinidamente acabam assumindo ares de verdade. 
Nosso tempo, talvez devido ao grande progresso das comunicações, é pródigo em grandes mentiras. O Bush era Phd nisso. Nosso caro presidente mestre dos mestres. Livros de história, autoridades, diplomatas, todos mentem. Sinto que vou perdendo a referência da verdade, ando em círculos, meio zonzo, buscando a luz no final do túnel de tanta mentira e enganação. Qualquer pronunciamento de uma autoridade, por mais mequetrefe que esta seja, conterá doses cavalares de mentira a cobrir o assunto em pauta, tornando dificil e enigmático decifrar as fronteiras entre o que é vero e o que é falso.
O que devemos fazer? Digo sempre aos meus alunos que desenvolvam um "senso crítico" uma síndrome de São Tomé, ou coisa que o valha, pois se aceitarmos tudo que nos dizem pelo valor de face vamos nos perdendo cada vez mais nessa espiral (para baixo) que nos suga e aniquila.
Chaves falando em democracia com aquela cara de pau que lhe é característica me lembra muito o patético Idi Amin, ditadoreco de Uganda nos idos dos anos 70 do século passado. A Rede Globo tentando empurrar pseudo celebridades instantâneas fabricadass "a la moda BBB" por nossas goelas abaixo é de amargar. Intelectuais meia pataca brasileiros, entupidos de charutos e mimos  de Cuba, ao voltar da diabólica ilhota, dizendo mil maravilhas do "regime" e dos irmãos Castro, me dão asco.
Uma das grandes invenções contra a mentira, depois de nossa bússola interna, é o controle remoto da TV, que aliás uso e muito, obrigado.
Então, apontar um dia da mentira no ano, me parece muito pouco, se pelo menos nessa data simbólica fosse proibido faltar com a verdade, aí sim, teríamos algum proveito dela. Vou correndo em busca de meu travesseiro, pois ele sim, ouve minhas mais recônditas verdades, e a ele me sinto constrangido em mentir. Hasta!