Ainda sobre o filme F1
Às vezes uma simples frase que proferimos, apesar de bem embasada
por reflexão e experiencia de vida, nos remete a mais reflexões e aprofundamento
da questão. Estou me referindo à minha postagem de outro dia, no Facebook, onde
afirmei que o filme F1, com o aclamado Brad Pitt é uma porcaria. Isto,
obviamente, não caiu bem com parte dos meus seguidores na rede social, enquanto
encontrou eco na outra parte, os mais velhos.
Costumo dizer que sou um purista. E costumo dizer também que
vejo, diuturnamente, a diminuição da capacidade cognitiva e intelectual das
pessoas ao interpretar fatos, narrativas, filmes, séries, obras de arte em
geral. No caso do filme Formula 1, optou-se por uma narrativa rasa,
desconectada dos fatos, de forma a servir como veículo para o ator-galã Brad
Pitt, do qual ressalvo, sou admirador, em uma de suas atuações mais
desastrosas. O grau de canastrice do mesmo só não é pior que o enredo do filme,
que a rigor, não existe.
Não é preciso ser expert ou mesmo fã do esporte para saber
das incoerências do enredo: a Fórmula 1 é o ápice do esporte a motor e, nos
dias de hoje, demanda altíssimo grau de preparo físico e mental. Para exemplificar
melhor: há alguns anos (vá lá, muitos anos atrás, rs), o grande Niki Lauda, já
aposentado do esporte havia mais de uma década era o chefe da então equipe
Jaguar. Insatisfeito com o rendimento de seus pilotos titulares (se não me
falha a memória, Irvine e Webber), resolveu dar umas voltas no bólido para mostrar
como se faz. Foi lento, errou, rodou e
percebeu que os anos longe do volante não perdoam, mesmo um tricampeão
talentoso como ele.
Estamos falando de Niki Lauda, vencedor de nada menos que três
campeonatos mundiais, vinte e cinco grandes prêmios e, sobretudo, aquele que abeira
da morte após o pavoroso acidente em Nurburgring, recebeu a extrema-unção,
quando liderava o campeonato com folga e voltou a correr apenas cerca de 40
dias depois, encharcando sua balaclava de sangue. Sim, um herói real e não de
plástico, como tantos que há por aí hoje.
No filme, Sonny Hayes, interpretado por nosso herói das
telas, Brad, não pilota um Fórmula 1 há mais de trinta anos, após pavoroso
acidente onde ficou jogado no meio da pista. Por curiosidade, o tal acidente
aconteceu de verdade com o irlandês Martin Donnely, a bordo de uma Lotus. Pois
bem, seu antigo adversário e desafeto, Ruben Cervantes, interpretado pelo ótimo
Javier Barden, dono de uma equipe pequena prestes a ser liquidada, o convida a
retornar à máxima. Não apenas ele aceita, como mostra o caminho das pedras para
o seu jovem e promissor companheiro.
Gente, eu juro que gosto de filmes com reviravoltas, com
segundas chances, com redenções e resgate de biografias. Mas, nem forçando
muito a amizade, o filme passa qualquer recibo de credibilidade. Fiquei constrangido
ao ver pilotos de verdade, ainda que de relance, como lewis Hamilton (aliás, um
dos coprodutores da porcaria), Max Verstappen, Fernando Alonso et all.
Além da absoluta falta de credibilidade, as cenas de corrida
são toscas, os efeitos especiais pobres e fico a me perguntar onde o diretor
Joseph Kosinski investiu os tão propalados milhões de dólares de orçamento. De qualquer
maneira o filme foi um sucesso devido a uma bem realizada campanha de marketing
e os não fãs devem ter ficado satisfeitos. Eu não gostei da não-história, dos
efeitos especiais, da canastrice do Brad Pitt, das muitas imprecisões e aceito
opiniões contrárias. Afinal, já estão falando em uma sequência e talvez até, de
uma franquia com o tema. Ainda bem que eu já não deverei estar por aqui quando
isso acontecer.
